14 cidades brasileiras aderem a projeto que busca melhorar espaços públicos para as crianças

A primeira rede brasileira Urban95 reúne cidades de todo o país com o objetivo de fortalecer e desenvolver políticas para a primeira infância

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Primeira infância nas cidades

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95 centímetros. Essa é a altura média de uma criança saudável aos 3 anos de idade. É também o nome de um projeto, o Urban95, da fundação holandesa Bernard van Leer. A instituição costuma fazer a seguinte pergunta a líderes, planejadores, arquitetos e inovadores do mundo todo: “se você pudesse vivenciar uma cidade a uma altura de 95 cm, o que faria de diferente?”. A proposta é estimular políticas públicas para a primeira infância que busquem atender às necessidades e expectativas das crianças, tornando as cidades mais acolhedoras para esse público.

A iniciativa já foi desenvolvida em São Paulo, Recife e Boa Vista, mas agora será realizada de forma coletiva, envolvendo 14 cidades. Será a primeira rede brasileira Urban95, que tem como objetivo fortalecer, incrementar e desenvolver programas e políticas para a primeira infância no Brasil. Afinal, as experiências que as crianças vivem nos primeiros anos de vida têm efeitos para a vida toda e podem interferir, inclusive, no sucesso dessas crianças na vida adulta.

“Será um grande passo para a qualidade de vida das gerações futuras. Teremos eleições este ano e a construção de políticas públicas que garantam a continuidade desse tema é fundamental. É bom ressaltar a importância dessas lideranças das cidades, no estímulo à implementação de ações. Nesse sentido, é um cuidado com o presente que dialoga com o futuro”, afirma Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis, que está à frente do projeto junto com a fundação holandesa.

Além dos três municípios citados, fazem parte da rede: Aracaju (SE), Brasiléia (AC), Campinas (SP), Caruaru (PE), Crato (CE), Fortaleza (CE), Ilhéus (BA), Jundiaí (SP), Niterói (RJ), Pelotas (RS) e Ubiratã (PR). 

A primeira ação do projeto será a realização de um diagnóstico detalhado sobre a experiência e o acesso de crianças e bebês às cidades, oferecendo dados que poderão embasar a construção de políticas públicas mais acertadas para a primeira infância e alinhadas a outras agendas estratégicas locais. Também será oferecido apoio técnico às cidades nos temas de urbanismo, mobilidade, gestão de dados, ciência do comportamento e comunicação com foco em crianças pequenas e seus cuidadores. Ainda, haverá suporte para implementação e o monitoramento de Planos Municipais pela Primeira Infância, visando garantir que a agenda da primeira infância seja priorizada.

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E por que investir num público que só tem 95 centímetros de altura? 

É na primeira infância, de 0 a 6 anos de idade, que as crianças adquirem capacidades de aprendizado, sociabilidade e afetividade que serão levadas para toda a vida. Não por acaso, quanto mais avança na neurociência, mais se evidencia o papel fundamental da chamada educação infantil. Ainda em desenvolvimento, o cérebro das crianças tem altíssima capacidade de absorção e resposta aos estímulos, o que torna o aprendizado extremamente duradouro.

Estudos científicos comprovam que o investimento na educação infantil gera retorno social muito maior do que em outras etapas, como o ensino médio ou superior. O economista americano, James Heckman concluiu que o aumento do retorno de investimentos educacionais para a sociedade é maior à medida que os governos alocam mais recursos para o ensino infantil (creches e pré-escolas). Traduzidas na “Curva de Heckman”, suas pesquisas mostraram que cada dólar investido na educação infantil garantem 7 dólares de retorno social.

“Justamente por ser o mais importante momento de nossa formação, tem enorme impacto no futuro. O cuidado com os afetos, sensibilidades, condições materiais e espaços públicos é chave para o desenvolvimento das crianças”, diz Abrahão.

Para saber mais, visite as páginas do Instituto Cidades Sustentáveis e da Fundação Bernard van Leer.

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