Pediatra rebate 3 fake news sobre vacinação infantil contra a covid-19

Propagação de informações falsas, sensacionalistas e sem embasamento científico alimentam temores em parte dos pais, ainda que quase 80% da população do país seja favorável à vacinação de crianças de 5 a 11 anos

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Vacinação infantil
Ainda que 80% da população seja favorável à vacinação infantil, campanhas de desinformação na internet alimentam temores de alguns pais
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(Por Maria Clara Villela, trainee)* Ainda que médicos e especialistas reforcem a importância da vacinação de todos os indivíduos contra a covid-19, uma avalanche de fake news tem trazido insegurança para pais e familiares que decidem vacinar seus filhos. A pedido da Canguru News, o pediatra Alberto Jorge Félix Costa rebateu desinformações mais comuns que circulam nas redes sociais e explicou sobre a importância da vacinação em crianças. Costa é representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no Mato Grosso do Sul.

Aprovadas e consideradas seguras pela Anvisa ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as vacinas infantis contra a covid-19 enfrentam resistências, e boa parte se deve à propagação de notícias falsas que geram temor entre os pais. Dados manipulados, falsos ou sensacionalistas têm circulado com frequência na internet, sobretudo após a decisão da Anvisa de liberar a vacinação da Coronavac para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

Ainda que a vacinação conte com apoio maciço dos brasileiros _ 79% são a favor da vacinação de crianças de 5 a 11 anos, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na primeira quinzena de janeiro _ estima-se que no Estado de São Paulo, por exemplo, ao menos 16% dos responsáveis por crianças nesta faixa etária não tenham a intenção de vaciná-las.

A vacinação infantil já é uma realidade em mais de 30 países. Dados do Ministério da Saúde mostram que 1.544 crianças de 0 a 11 anos morreram por covid-19 desde o início da pandemia, sendo 324 na faixa de 5 a 11 anos. Esse número, apesar de baixo em relação ao número de mortes total no país, representa a morte de 1 criança a cada 1 dia por causa do vírus.


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“Recebi diversas fake news sobre a vacinação e, para falar a verdade, fiquei bem preocupada. Esses casos de miocardite, o encurtamento do tempo de pesquisa dos imunizantes, a resistência da Anvisa em liberar a vacina para menores de 5 a 11 anos e a falta de informações disponibilizadas pelo governo me deixaram super insegura com relação a vacinar meus filhos ou não” afirma Ana Laura Camacho, mãe de Beatriz, 11 anos, e Leonardo, 6 anos.

É normal que, ao receber tais informações, os pais fiquem preocupados e receosos. Entendendo isso, os especialistas e médicos da área têm buscado reforçar os verdadeiros dados a respeito dos imunizantes da Pfizer e da Coronavac.

Fake News 1: ‘A vacina causa miocardite em crianças

Entre as maiores preocupações dos pais, a segurança da vacina encabeça a lista. Os raros casos de miocardite, doença responsável por uma inflamação no miocárdio, que acometeram crianças após a aplicação da vacina, estão sendo usados para criação de notícias sensacionalistas, e também falsas, acerca da vacinação. Manchetes como “ A vacina vai causar miocardite no seu filho” diminuem a confiança no imunizante, não somente prejudicando a campanha de vacinação, como também desprezando os estudos que comprovam a sua segurança e eficácia.

De acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), entre as 7 milhões de doses aplicadas em crianças de 5 a 11 anos no país, apenas 11 casos de miocardite foram identificados. Desses 11 casos, a maioria dos pacientes respondeu bem ao tratamento com medicamentos, tendo sido tratados em casa, apresentando melhora rapidamente.

“É compreensível a preocupação dos pais com a miocardite, mas é importante ressaltar que esses casos são extremamente raros. Ainda que tenham acontecido, foram quadros benignos da doença. As crianças foram tratadas em casa, com uso de analgésicos. Sem dúvida, mesmo que o risco de contração da doença exista, é extremamente importante que as crianças sejam vacinadas” afirma o pediatra Alberto Jorge.

Fake news 2: ‘Crianças com covid são assintomáticas e não há mortes

Segundo o pediatra, ainda que o coronavírus seja menos incidente em crianças, o contágio entre elas existe. Segundo dados do Ministério da Saúde, no ano de 2020 10 mil crianças foram internadas devido ao vírus, e em 2021 o número de casos foi ainda maior. Infelizmente, entre essas 10 mil crianças, 145 delas foram a óbito. O número parece pequeno, mas já é suficiente para que o vírus seja a doença que mais mata crianças no Brasil.

O alto número de hospitalizações infantis por causa do coronavírus levou a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a se manifestar. Segundo o órgão, o número de hospitalizações e mortes devido a covid-19 na população pediátrica está fora dos patamares aceitáveis. Ainda de acordo com o manifesto, as taxas de mortalidade e letalidade em crianças de 5 a 11 anos no Brasil estão entre as mais altas do mundo.

As crianças são vetores da doença. Frequentam a escola, visitam os amiguinhos e, por mais que tentemos evitar, o contato físico existe. Diferente dos adultos, elas têm uma propensão maior a acabarem se descuidando. É importantíssimo que se vacinem, garantindo que a rede de proteção contra o vírus seja expandida e evitando que novas variantes mais graves venham a surgir” , afirma o pediatra.

Fake news 3: ‘Ninguém sabe o que acontecerá no futuro se elas tomarem a vacina’

Ainda que o tempo de pesquisa, e também testagem da vacina, tenha sido encurtado em relação às outras vacinas comercializadas atualmente, diversos estudos já comprovaram não somente sua eficácia, como também sua segurança. O pediatra Alberto Jorge afirma que a vacina da Pfizer não é uma vacina em fase 3 – ou seja, sem seus estudos concluídos. De acordo com o médico, apesar de os estudos terem ocorrido em curto prazo, o imunizante usa a tecnologia de RNAm, que já é estudada há anos. No caso da Coronavac, o uso para crianças de 6 a 17 anos foi aprovado por unanimidade dos diretores, que consideram os testes clínicos consistentes.

“É plausível que o receio ocorra, afinal vacinas costumam ser testadas por décadas. A falta de informações dadas pelo governo favorece que as fake news se espalhem cada vez mais. Mesmo assim, vale lembrar que os estudos foram realizados. As doses infantis são diferenciadas e altamente testadas. A vacina é extremamente segura, com uma eficácia que passa de 90% entre as crianças”, relata o médico.

(*) Texto produzido durante processo seletivo de estágio na Canguru News, sob supervisão


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