Artigos
Entenda a nova lei do bullying e saiba como identificar agressões em crianças
Foi aprovada no Congresso Nacional a Lei 14.811/2024 que torna crime qualquer prática de bullying ou cyberbullying. A lei também institui a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, ampliando ainda a punição de crimes cometidos contra o público infantojuvenil, entre os quais aqueles relacionados ao incentivo ao suicídio ou automutilação, sequestro e carcere privado e trafico de criancas e adolescentes.
Agora, o Código Penal prevê multa para quem cometer bullying e reclusão e multa para quem cometer o mesmo crime por meios virtuais – neste caso, a pena pode variar entre dois e quatro anos de reclusão. Segundo especialistas, a previsão na lei apenas de multa para o crime de bullying levou em conta o fato de que essa prática é mais comum entre adolescentes, enquanto o cyberbullying é uma conduta muitas vezes praticada por adultos, que se aproveitam da condição de vulnerabilidade de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
A legislação define o bullying como uma ação de violência sistemática no ambiente escolar, praticada por uma ou mais pessoas com intenção de causar mal a uma ou mais vítimas. Já o cyberbullying é uma forma de agressão frequente feita em redes sociais, aplicativos, jogos online ou qualquer outro ambiente digital.
LEIA TAMBÉM:
Bullying não é brincadeira
Embora sejam vistos, muitas vezes, como uma “brincadeira”, casos de bullying e cyberbullying podem causar sofrimento ou vergonha e devem ser evitados. “Dar apelidos, fazer brincadeiras que rebaixem o indivíduo em sua etnia, religião, deficiência e aparência física, orientação sexual ou classe social, de forma discriminatória agora é crime, não é só uma brincadeirinha não intencional”, comenta Douglas Gonzalez, coordenador de advocacy e relações institucionais do ChildFund Brasil, organização que há 57 anos atua na promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Até então, não existia uma punição específica na legislação para o bullying, que podia ser classificado como injúria, ameaça ou lesão corporal, por exemplo. A nova lei, portanto, facilita o enquadramento penal por parte de autoridades públicas como a Polícia, o Ministério Público e o Poder Judiciário.
Desde 2001 até 2023, ocorreram no país 36 ataques a escolas e todos os autores haviam passado por sofrimento, segundo o relatório “Ataques de Violência Extrema em Escolas no Brasil”, conduzido pela pesquisadora Telma Vinha, da Unicamp, e outros oito especialistas da área. O estudo afirma que os autores “percebiam-se como alvos de bullying e tiveram experiências dolorosas, como humilhação, exclusão e injustiças” na escola.
Punição para menores de idade
Com a nova lei, crianças e adolescentes que cometerem bullying serão responsabilizados pela prática, que, no caso de menores de idade, é considerada um ato infracional, em vez de crime, devendo ser julgado pela Justiça da Infância e Juventude e não pela justiça comum, destinada a adultos.
Quando o bullying for praticado por adolescentes com mais de 12 anos, eles podem ter que cumprir pena de liberdade assistida (isto é, liberdade mediante o cumprimento de algumas condições impostas pelo Juiz), prestação de serviços à comunidade e internação (semelhante à prisão para os adultos).
Já no caso dos menores de 12 anos, as crianças podem ser incluídas em programas de proteção, apoio e promoção da família ou até mesmo serem encaminhadas para atendimento psicológico ou psiquiátrico.
Pais e responsáveis legais pela criança não terão de responder pela atitude do filho, a não ser quando se comprove que eles colaboraram direta e efetivamente para a prática do bullying, como ao incentivar a violência, por exemplo.
10 sinais que podem ajudar a identificar o bullying ou cyberbullying
Identificar o bullying pode ser desafiador, pois muitas vezes acontece de forma sutil ou em locais onde a supervisão é limitada. No entanto, existem alguns sinais comuns que podem indicar que a criança ou adolescente está sofrendo bullying ou cyberbullying. Abaixo, seguem 10 dicas para ajudar a identificá-los*.
1. Mudanças repentinas no comportamento da pessoa, como isolamento, tristeza, ansiedade ou agressividade;
2. Queda no desempenho escolar e/ou falta de interesse na escola ou em atividades extracurriculares;
3. Queixas frequentes de dores de cabeça, dores de estômago ou outros problemas de saúde sem causa aparente;
4. Dificuldades para dormir ou pesadelos frequentes e mudanças nos hábitos alimentares, como perda ou ganho de peso
5. Roupas, materiais escolares ou pertences pessoais danificados, perdidos ou roubados;
6. Comportamento de evitar lugares ou pessoas, especialmente colegas de classe;
7. Expressões de medo ao mencionar a escola, o ônibus escolar ou outros contextos sociais;
8. Dificuldade em fazer amigos ou manter relacionamentos interpessoais;
9. Ambiente digital: comportamento negativo ou hostil nas redes sociais e/ou mensagens ameaçadoras ou insultantes on-line;
10. Comentários indiretos sobre bullying, como “ninguém gosta de mim” ou “não aguento mais”. A vítima pode, em alguns casos, expressar diretamente que está sendo alvo de bullying ou cyberbullying.
*Fonte: ChildFund Brasil
Se você suspeitar que alguém está sendo vítima de bullying ou cyberbullying, é importante abordar a situação com empatia e procurar ajuda de professores, pais ou autoridades escolares e psicólogos. O diálogo aberto e seguro, e o suporte são cruciais para lidar eficazmente com este problema.
Verônica Fraidenraich
Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. Tem um filho, Martim, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Tirzepatida para crianças e adolescentes: quando o medicamento é indicado?
Recentemente, o medicamento foi aprovado pela Anvisa para pacientes a partir dos 10 anos. Embora possa ajudar no controle de...
Como cuidar de um pai idoso pode transformar você em um pai ou mãe melhor
Relato publicado por pesquisadora de Berkeley, nos Estados Unidos, mostra que a experiência de cuidar de um familiar mais velho...
Quando falar com a escola e quando respirar fundo antes disso
Nem sempre o relacionamento entre famílias e escolas é simples. Mesmo quando a escolha foi feita com segurança, confiança e...
Ser Mãe: Entre o sonho, a realidade e a sororidade
Ser mãe é o ato mais corajoso que existe. Mas precisamos parar de romantizá-lo













