‘Um mundo mais gentil, mais amável e que trate melhor nossos filhos. Acreditamos nisso’, diz Piangers

O jornalista a esposa Ana Cardoso fizeram a palestra de abertura do 2o Congresso Internacional de Educação Parental

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O escritor e palestrante Marcos Piangers lembrou uma frase que ouviu certa vez do escritor e cartunista Ziraldo – “O que eu quero para minhas filhas é que elas sejam tão amáveis que despertem nos outros o mesmo amor que eu sinto por elas” – para definir o que espera para o futuro. Parafraseando o cartunista, Piangers disse desejar “um mundo mais gentil, mais amável e que trate melhor nossos filhos e nossas famílias no futuro. Acreditamos nisso”.

Na palestra online de abertura do 2o Congresso Internacional de Educação Parental, que começou nesta quinta-feira (18), em São Paulo, Piangers e a  esposa, Ana Cardoso, jornalista, escritora e mestre em sociologia política, falaram sobre os desafios da criação dos filhos durante os dias de convivência intensa na pandemia, a ausência de contato social das crianças com amigos e familiares, a produção do filme “Papai é pop”, inspirado em livro homônimo, escrito pelo palestrante, e o papel dos educadores parentais, entre outros temas.

Para Ana, a pandemia foi um divisor de águas que a fez entender melhor a família e as individualidades de cada um. “Eu era uma pessoa antes da pandemia e agora eu sou outra. Foi um ano de muita introspecção, silêncio, ficamos sem postar nada nas redes e nossa casa virou um laboratório”, disse ela. Ana definiu a família como uma empresa, em que cada um tem sua função. “E eu, que sou mais autoritária, virginiana, tive que entender que todo mundo tem que tomar banho, tem que comer, sim, mas cada um no seu tempo, são ritmos e necessidades diferentes”.

A retomada da vida normal e volta às aulas presenciais deixou a escritora apreensiva de como as filhas lidariam com a possibilidade de sair de casa novamente . “A Anita é adolescente e eu estava preocupada em como ela agiria depois que tomasse vacina, achei que iria embora e não voltaria mais, mas felizmente não foi assim, ela ainda está se adaptando às mudanças, ”, lembra Ana. Já a filha mais nova, preocupava os pais pelo excesso de tempo na internet e como isso impactaria na volta à escola. “Aurora é uma criança super ativa e passou o ano todo no computador, como todas as crianças do mundo que têm acesso à internet, e não sabíamos como seria essa volta à escola, a nova rotina, mas felizmente não foi difícil, as crianças são muito resilientes”, disse Piangers.

O trabalho dos educadores parentais frente aos dilemas atuais

O casal também destacou o aumento de profissionais que atuam como educadores parentais e a importância de seu papel diante dos dilemas atuais. “Em 1980 não tínhamos populações tão urbanas, famílias tão quebradas… A gente viu a tecnologia tomar conta das nossas vidas. Há muito ruídos de informação. A gente não sabe se pode dar chupeta, se não pode. É Waldorf, é Montessori, parto humanizado no meio da floresta”, disse, entre risos. “É muito importante o trabalho de cada um de vocês, educadores parentais, para que a gente possa organizar esses ruídos, dizer o que é só barulho, e deixar as famílias com mais informadas, com organização da informação. Vamos devagar, sem nos condenarmos, sem julgarmos”, sentenciou.

‘Papai é Pop’ nas telas

O casal também comentou do novo filme que está sendo feito com base no primeiro livro escrito por Piangers, “O papai é pop” , de 2015, que vendeu mais de 250 mil exemplares. A obra retrata as alegrias e dificuldades da paternidade e terá, nas telas, os atores Lázaro Ramos e Paolla de Oliveira como protagonistas.

“O filme consegue captar coisas que a gente imaginava, coisas que não estão no livro e são uma contribuição dos atores, roteiristas, diretores, como a relação da Ana com a minha mãe, o filme mostra isso e traduziu muito bem o sentimento e afeto entre as duas”, contou o escritor.

Piangers concluiu a palestra lembrando da missão dos pais como educadores. “A gente que tem filhos mantém a esperança que o mundo seja cada vez melhor, mais bondoso e gentil, cabe a nos fazer nossa parte e acreditar que o outro pode ser mais gentil”. E ressaltou a importância de como pais, sermos sempre positivos. “É comum que os pais tenham medo de cair e falhar, mas a pergunta deve ser outra ‘E se eu voar? Às vezes, você voa”.


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