11 livros para conversar sobre a morte com as criancas

A lista foi elaborada pela psiquiatra infantil Fernanda Mappa e visa ajudar os pais a explicar o assunto aos pequenos de forma lúdica e leve

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ler livros sobre a morte ajuda a falar do tema com os filhos
A leitura com os pais permite falar do tema de forma lúdica

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Se para os adultos, perder uma pessoa querida é doloroso, para as crianças, que ainda não sabem lidar bem com os seus sentimentos, pode ser ainda mais difícil. Nessa hora, os livros podem ser uma boa ferramenta para ajudar os pais a explicar o assunto aos pequenos. “A leitura de histórias que abordem o tema pode, sem dúvida, constituir uma oportunidade para criar condições em um ambiente familiar, que seja tranquilo e lúdico para que crianças e adultos possam falar sobre a morte”, explica a psiquiatra infantil Fernanda Mappa. Ela comenta que usar os livros para conversar sobre a mote com as crianças é uma forma de que se sintam mais seguras para expressar suas dúvidas, seus anseios e preocupações. “Os pais explicam, de forma simples e delicada, que a morte é um processo natural da vida, assim como ocorre com os animais e as plantas, ajudando a criança no seu crescimento psicológico e no seu processo de perda e luto, através da clareza de ideias e do incentivo à expressão de sentimentos”, diz a psiquiatra. Abaixo, ela sugere e comenta uma lista de 11 livros para conversar sobre a morte com os pequenos que ajudam a abordar o assunto de forma leve.

O Pato, a Morte e a Tulipa (Wolf Erlbruch, Cosac Naify)

Ainda hoje me emociono toda vez que leio este livro. Tem poesia, tem tristeza e tem beleza. E tem essa coisa que se chama morte e que nos acompanha desde que nascemos… Certo dia, o pato vê uma caveira andando atrás dele. É a morte. Ele já não ia bem, mas não queria morrer naquele momento. Ela, então, explica que sempre esteve por perto, para o caso de algum acidente, uma gripe forte ou algum improviso. Eles vão passar juntos as últimas semanas de vida do pato e travar diálogos maravilhosos, como este:

“Vai ser assim quando eu estiver morto”, pensou o pato. “O lago, sozinho. Sem mim.”
Às vezes, a morte podia ler pensamentos.
– Quando você estiver morto, o lago também não vai estar mais lá – pelo menos não para você.

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É Assim (Paloma Valdivia, Edições SM)
Há aqueles que chegam e aqueles que vão. Os que hoje chegaram, um dia também partirão. Pode ser o peixe da sopa de ontem, o gato do vizinho ou a tia Margarida. “Nós, que aqui estamos, choramos pelos que partem. É bonito lembrar. Nós, que aqui estamos, nos alegramos com aqueles que chegam. Damos a eles boas-vindas, gostamos de celebrar”. É dessa forma simples que a autora chilena explica o nasce-e-morre da vida. Gosto muito dessa simplicidade sem rodeios e sem mistérios, mostrando que tudo faz parte do ciclo da vida. 

O Coração e a Garrafa (Oliver Jeffers, Salamandra)
A menina era como todas as outras garotas curiosas de sua idade: gostava de olhar para as estrelas, para o mar e para tudo o que fosse novo. E perguntar. Um dia, a cadeira do homem mais velho que sempre estava com ela em suas descobertas apareceu vazia. Provavelmente era seu avô, que havia morrido. A menina, então, insegura com a perda, decidiu colocar seu coração dentro de uma garrafa, um lugar longe de qualquer perigo. Mas, com o tempo, ela deixou de ser curiosa e de prestar atenção em um monte de coisas. Até encontrar com uma criança que era curiosa como um dia ela já tinha sido. E vai precisar colocar seu coração no lugar. Essa narrativa poética mostra como podemos ficar tristes, e que isso leva um tempo, mas que o lugar do coração é mesmo batendo no peito.

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Meu Filho Pato e Outros Contos sobre Aquilo de Que Ninguém Quer Falar, vários autores (Cia. das Letrinhas)
São seis histórias com acontecimentos da vida da criança que ajudam a crescer, como a chegada de um irmão e a perda de alguém muito querido.

Harvey como me tornei invisível, Herve Bouchard, editora Pulo do Gato 
As histórias deste livro, se passam numa primavera que mudou a vida da família Bouillon. Elas são contadas do ponto de vista do pequeno Harvey, um menino muito inteligente, imaginativo e apaixonado por corridas de sarjeta.

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Mas por quê??! A História de Elvis, de Peter Schössow, Cosac Naify
A menina esbraveja, precisa gritar ao mundo “Mar por quê??!”. Por onde passa, atrai curiosos para sua demonstração de indignação. Até que, finalmente, ela conta que Elvis está morto, mas não o cantor, seu passarinho. Os amigos, então, providenciam seu enterro e vivenciam com ela esse momento de luto e tristeza, mas também de boas lembranças. Uma leitura que mostra que todo luto merece ser vivido, esbravejado, mas que, no fim, o que fica são as boas memórias. Este livro me marcou muito, pois mostra para o leitor que, sim, ele pode extravasar toda a dor e que precisa passar por esse momento de tristeza, mas que tudo fica bem no final.

O Meu Avô Foi Para o Céu, de Maria Teresa Maia Gonzalez, Editorial Presença
Da conceituada escritora Maria Teresa Maia Gonzalez, autora de “A Lua de Joana”, chega-nos uma comovente história sobre a relação avós-netos, que ajuda os pequenos leitores a perceber como se consegue, no meio da tristeza e da dor, preservar a memória de um ente querido para sempre.

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Para Onde Vamos Quando Desaparecemos? de Isabel Minhós Martins, ilustrações de Madalena Matoso, Planeta Tangerina
Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 4.º Ano de escolaridade. Leitura Orientada na Sala de Aula. À parte algumas exceções, ninguém consegue responder com certeza absoluta à pergunta que dá título a este livro. “Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?” aproveita a ausência de respostas “preto no branco” para lançar novas hipóteses – mais coloridas e poéticas, mais sérias ou disparatadas, conforme o caso… – e assim iluminar um tema inevitavelmente sombrio.

Ponte para Terabithia, de Katherine Paterson, Dom Quixote
Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 5.º ano de escolaridade, destinado a leitura autônoma. Esta é a história de uma amizade que muda as vidas da Leslie e do Jess, dois estudantes do quinto ano que acreditam que no coração do bosque existe num mundo de aventuras chamado “Terabithia”».

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A preciosa pergunta da pata, Leen van den Berg, Brinque-Book
A pata acabara de perder seu filhote e ainda se sentia muito triste, então em uma reunião com os amigos bichos fez uma pergunta muito importante: – “ O que acontece quando morremos? ”. A sábia e gigante tartaruga, coordena a reunião com os outros animais para ajudá-la encontrar as respostas para essas e as outras perguntas difíceis.

Menina Nina – Duas razões para não chorar, de Ziraldo, Melhoramentos
Com uma enternecedora força poética, o autor sonda os mistérios da vida e da morte e, numa linguagem cuidada simples, consegue falar de dor de um modo delicado e cheio de esperança, é talvez o livro mais comovente de quantos Ziraldo já escreveu para crianças.

Veja a lista completa elaborada pela psiquiatra Fernanda Mappa

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