‘Ninguém dialoga com o Google; nossa missão é acolher’, provoca Iolene Lima

Em sua palestra no 2º Congresso Internacional de Educação Parental, a pedagoga apontou a interdependência entre o que acontece na sala de aula e dentro de casa e defendeu que professores tenham mais empatia com alunos

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Iolene Lima dando palestra no 2º Congresso Internacional de Educação Parental
Para pedagoga, que deu palestra no 2º Congresso de Educação Parental, a missão dos educadores ‘é acolher pessoas’ /Foto: Dani Ortiz

“Educação infantil é a base. Precisamos deixar claro que educação infantil não é só cuidar”, diz Iolene Lima, pedagoga, pós-graduada em psicopedagogia clínica e institucional, além de colunista da Canguru News. Em palestra durante o 2º Congresso Internacional de Educação Parental, a especialista falou sobre a importância de professores serem capacitados para acolher as necessidades e emoções das crianças e adolescentes, assim como é urgente o investimento em uma educação de qualidade no país.

“Somos seres interdependentes. Às vezes, nós, professores, pensamos erroneamente que o que acontece na sala de aula não influencia o que acontece em casa e o que acontece em casa não influencia a sala de aula”, explicou a especialista. Por isso, Lima diz que é fundamental que os professores se coloquem em um lugar de empatia em relação aos seus alunos.

“Professores precisam acessar as emoções. Nossa missão na educação é acolher pessoas, não conteúdos, com ou sem pandemia”, destaca.

Segundo ela, os conteúdos em si podem ser encontrados na internet, mas o diálogo entre os professores e estudantes é insubstituível. “Não seria muito mais legal que eles aprendessem a Segunda Guerra Mundial em um documentário e viessem conversar com professor sobre o que eles aprenderam? Eles não conseguem dialogar com o Google. Os nossos alunos, quando passam por nós, não devem ser os mesmo ao final do ano letivo”, indica Iolene Lima. 

Por isso, ela acredita que os profissionais da educação devem sempre procurar métodos de ensino mais eficientes para a atualidade, buscando acessar a sala de aula com um lado mais humano. “Se hoje a gente entende a educação de outra forma, vamos corrigir a educação. Pare de ficar esperando a mudança do sistema, nós temos que fazer alguma coisa. Qual é o tamanho da sua esperança ao olhar para uma criança? A criança é do tamanho da sua esperança”, conclui sua emocionante palestra na quinta-feira (18), fechando os painéis do primeiro dia do 2º Congresso Internacional de Educação Parental, organizado pela Canguru News.


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Mais qualidade no ambiente escolar

“Nosso governo, durante décadas, investiu no acesso à escola, mas essa balança tinha que ter sido equilibrada com a qualidade. O maior problema não é o acesso, é a qualidade, de professores e recursos. Professor que não é valorizado não dá o seu melhor”, relata a pedagoga.

Para ela, o importante é que existam políticas que garantam que os profissionais da educação infantil recebam a orientação e a mentoria correta para estabelecer um ensino base eficaz. “As pessoas que fizeram doutorado, pós-doutorado, estão dando aula na faculdade. É necessário dar mais recursos para o professor da educação infantil, o mais experiente deve trocar conhecimentos com o menos experimente. Eu preciso desse movimento que traz mais qualidade para o ambiente escolar”, aponta Iolene Lima.

Especialmente durante a pandemia, a pedagoga afirmou que os professores da educação infantil precisaram enfrentar muitos desafios para manter as crianças motivadas com a escola. “Cursos de licenciatura não retratam o ensino com a tecnologia. Querem que a gente faça milagre”, diz. Em relação à qualidade da educação, Iolene Lima adiciona que a rede pública sofreu ainda mais devido à falta de recursos.


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