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Estresse tóxico na infância: saiba o que é e como evitá-lo
Você sabe o que é o estresse tóxico e o mal que ele pode causar para as crianças? O estresse é uma resposta esperada do nosso corpo a qualquer situação adversa. Durante um episódio de estresse o corpo passa por mudanças químicas que afetam os sistemas imunológico, neurológico e endócrino.
É natural e esperado que as crianças aprendam a lidar com determinado nível de estresse para se desenvolverem de forma plena. Um certo nível de estresse gerenciado por um adulto acolhedor é positivo e ajuda as crianças a lidarem melhor com a frustração, tornando-as mais resilientes ao longo do tempo, além de promover coragem e ajudar na resolução de problemas.
Entretanto, às vezes, temos uma resposta tóxica ao estresse que é desencadeada após a criança enfrentar situações adversas contínuas e intensas sem o apoio adequado de um adulto.
Os grandes responsáveis por causar estresse tóxico são:
- Abuso de álcool e drogas por parte dos pais.
- Abuso sexual.
- Divórcios conturbados.
- Conflitos familiares graves.
- Agressões físicas e verbais recorrentes.
- Pobreza extrema.
- Negligência.
- Problemas mentais por parte dos adultos cuidadores como uma depressão grave.
Qualquer situação estressante deixa o corpo em alerta após liberar hormônios como cortisol e adrenalina. Depois de um certo tempo é esperado que o corpo volte ao seu estado natural e relaxado, porém em uma pessoa que sofre com o estresse tóxico esses hormônios continuam sendo liberados mesmo após a situação de perigo já ter sido resolvida, o que acarreta a diminuição das conexões cerebrais e prejudica a arquitetura do cérebro.
O estresse tóxico pode levar a várias consequências graves, como:
- Abuso de drogas e álcool.
- Depressão.
- Desregulação emocional.
- Dificuldade de adaptação.
- Transtorno do estresse pós-traumático.
- Psicoses.
- Dificuldade de aprendizado.
- Obesidade.
- Suicídio.
- Mais suscetibilidades a doenças físicas como cardiopatias, doenças pulmonares, câncer e infecções.
Quanto mais excessivas e frequentes forem as experiências estressantes sem um acolhimento adequado de um adulto, maiores as chances da criança apresentar atrasos no desenvolvimento e problemas de saúde.
Crianças precisam de ambientes seguros, acolhedores, com rotinas organizadas e muito amor para crescerem e se tornarem adultos saudáveis emocionalmente e com conexões cerebrais adequadas. Brincar, abaixar na altura da criança para falar com ela, ser um exemplo de comportamento, tentar se colocar no lugar da criança e entender como ela está pensando para depois agir, colocar limites claros e com gentileza são fundamentais para garantir um futuro com um cérebro de conexões adequadas.
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Marcela Ferreira Noronha
Pediatra, educadora parental e nefrologista infantil. Mãe do Lucas e da Isabela. Formada em medicina pela Universidade São Francisco (SP) em 2006, com residência em pediatria pelo Hospital Menino Jesus de São Paulo, e especialização em nefrologia infantil pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Educadora Parental certificada pela Positive Discipline Association. Fez pediatria por vocação e tem como missão de vida tornar crianças e adultos felizes, respeitosos, com inteligência emocional, senso comunitário, física e emocionalmente saudáveis.
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