Como fazer com que as crianças usem as telas de modo mais saudável

Psicóloga dá dicas de atividades educativas, lúdicas e interativas para as crianças realizarem com as telas

Duas crianças brincando com tablet, em ilustração à matéria sobre uso de telas.
Karaokê, animações, museus, yoga, teatro e estudo de línguas estrangeiras estão entre as dicas

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As telas (do celular, do computador, do tablet) estão cada vez mais presentes em nossas vidas – e, durante a quarentena por causa do coronavírus, seu uso pelas crianças aumentou, causando preocupação nos pais. “É uma preocupação legítima, mas precisamos entender quais são as especificidades do momento que estamos vivendo”, afirma Joana London, psicóloga e Gerente Executiva Pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida – LIV. Para a especialista, a situação pede flexibilidade dos pais e uma renegociação de acordos – e uma solução possível é que as crianças usem as telas de forma mais saudável. 

Segundo Joana, as telas oferecem a oportunidade de inúmeras atividades estimulantes e divertidas para as crianças, que podem aproveitar o tempo que passam em casa para aprender e até se exercitar com o auxílio dos dispositivos eletrônicos. “Por um lado, sabemos que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de não utilizar nenhuma tela até o primeiro ano de vida da criança e, até os cinco anos de idade, a recomendação é de sessenta minutos diários. Por outro lado, temos famílias trabalhando de casa e realizando os afazeres domésticos, como arrumar a casa e cozinhar as refeições”, afirma a psicóloga. Isso tudo faz com que os pais realmente “lancem mão” das telas por mais tempo que consideramos razoável.


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“Existe o ideal: trazer as crianças para fazer as atividades domésticas conosco, cozinhar junto, incentivar que brinquem sozinhas. E existe o que é real e possível. Nem todos os dias vão funcionar como desejamos. E tudo bem”, ressalta Joana.

Sendo assim, a psicóloga separou algumas atividades mais saudáveis para que as crianças realizem com as telas, fugindo de conteúdos vazios, inapropriados ou violentos. Joana chama a atenção para a segurança dos pequenos durante essas atividades: restrição por idade, bloqueio de conteúdos impróprios, download de programas para que eles não levem a outros ambientes virtuais inadequados, por exemplo, são algumas das dicas da psicóloga. A supervisão de um adulto também é recomendada. 

Veja abaixo as sugestões da psicóloga para que as crianças utilizem as telas de uma forma mais saudável. 


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Participar de atividades culturais 

Joana sugere que os pequenos participem de visitas virtuais a museus, assistam a peças de teatro online e a shows nacionais e estrangeiros. Para combater o sentimento de cansaço e falta de energia dos pais quando eles forem pensar em atividades para os pequenos, é possível montar calendário de atividades com atrações de cada dia da semana. 

Brincar, se exercitar e soltar a voz!  

É possível ainda, segundo Joana, subverter a lógica da passividade das telas. Um dos argumentos para a restrição de tempo de tela para crianças definida pela OMS é o significativo aumento dos índices de obesidade infantil. A psicóloga aconselha, então, a buscar uma “parceria corpo-tela”. Como exemplos, Joana cita jogos de dança, canais de karaokê e até práticas corporais como o yoga para crianças. “Podemos ainda recriar jogos de mímica, STOP, Imagem e Ação e muito mais”, diz a especialista. Através da interação por videochamadas, várias brincadeiras podem ser realizadas a distância com amigos.  


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Aprender uma língua estrangeira 

Joana afirma que, se hoje as lições da escola também acontecem via telas, é preciso que os pais repensem suas restrições. Em um momento como esse, em que as crianças passam muito tempo em casa, é possível incentivar o aprendizado de novas línguas. “Há muitas opções lúdicas online”, orienta Joana.

Assistir a desenhos que mostram realidades diversas 

A psicóloga indica que os pais mostrem aos filhos animações (que são tão amadas pelos pequenos) com um conteúdo diferente, educativo e construtivo. Como, por exemplo, as animações que apresentem realidades diversas. “Existem animações de todos os cantos do mundo, como ‘Hair Love’ e ‘Kirikou’, e muitas brasileiras também, como ‘Nana e Nilo'”, diz ela. “Hair Love” é um curta-metragem estadunidense que conta a história de Stephen, que, em um momento de ausência de sua esposa Angela, tem que aprender a arrumar o cabelo de sua pequena filha, Zuri. “Kirikou” é um filme de animação que conta uma história baseada em uma lenda africana. Já “Nana e Nilo” é uma série de animação que mostra aventuras de irmãos gêmeos negros brasileiros descobrindo a origem de personagens históricos africanos e afro-brasileiros.

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Heloisa Scognamiglio
Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.

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