Você dá um bom exemplo de uso de tela para o seu filho?

Estudo mostra que ficamos nas telas mais da metade do tempo em que estamos acordados; educadora parental sugere medidas simples para mudar hábitos e se tornar uma boa referência para as crianças

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Pai segura filhos nos braços e olha para tela de celular
Uso das telas traz prejuízos à saúde mental
Buscador de educadores parentais
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“Sai desse celular, já falei mil vezes!”. Este é você falando com seu filho todos os dias – pode trocar “celular” por televisão, tablet ou videogame, se quiser. Agora corta para outra cena cotidiana: você senta com seu filho para brincar, jogar um jogo de tabuleiro ou até mesmo assistir a um filme, mas em vez de se concentrar na diversão fica checando as mensagens no WhatsApp. Agora é a vez dele dizer “mãe/pai, você não sai do celular”. Qualquer semelhança com esse caso da vida real não é mera coincidência, infelizmente.

Nós, pais, não estamos sendo bons exemplos para nossas crianças e adolescentes quando o assunto é o uso dos eletrônicos. E você bem sabe que as atitudes dos adultos de referência impactam diretamente no comportamento dos nossos filhos. Assim como não adianta berrar “para de gritar!”, também não adianta pedir que eles usem menos as telas se nós mesmos não estamos sabendo fazer este controle.

E não se sinta culpado achando que acontece só com você. O Brasil é o segundo país que mais passa tempo em frente às telas, segundo levantamento da Electronics Hub (perdemos apenas para a África do Sul). Nós passamos – está sentado? – aproximadamente 9 horas e 32 minutos por dia com os olhos (e a cabeça) nos eletrônicos. O estudo mostra que isso representa quase 57% do tempo que passamos acordados. Assustador, não é?

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Aí você pode pensar “ah, mas nós adultos usamos o celular e o computador para trabalhar, não tem como fugir disso”. Ok, fato. Isso inclusive pode e deve ser explicado às crianças e adolescentes. Mas dessas 9 horas diárias, cinco são dedicadas ao trabalho. As outras quatro horas nós gastamos nas redes sociais! Ou seja, dá para melhorar bem esse número, convenhamos.

Acontece que toda a engenharia por trás dos algoritmos dos jogos, streamings e redes sociais funciona com todos nós, não somente com os nossos filhos. Sim, nós já temos o cérebro maduro e, por isso, temos mais condições de conseguir não cair no vício, mas não quer dizer que seja fácil. Aliás, pelo contrário, fácil é pegar o celular para responder uma mensagem de trabalho e acabar se perdendo nos stories do Instagram, na promoção daquela loja que você gosta ou nos memes do grupo da família. 

Mas não podemos cair no papo de que o mundo hoje é assim mesmo e não adianta fazer nada. Lembre-se: é a sua saúde mental que está em jogo. Portanto, vale sim prestar mais atenção e tomar algumas medidas para melhorar seu hábito nas telas, como desabilitar as notificações, não levar o celular para a cama na hora de dormir ou determinar um horário limite para o uso dele durante à noite (por exemplo, a partir das 19h30 todo mundo deixa os celulares em um cômodo e o foco é a conexão em família).

Assim como qualquer mudança de hábito, precisa de esforço. Mas todos saem ganhando: você e, com certeza, seu filho, que terá dentro de casa um exemplo de uso saudável da tecnologia.

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