Crianças podem ajudar nas tarefas domésticas: veja atividades apropriadas para cada fase

De acordo com a faixa etária, as crianças podem realizar diferentes tipos de tarefas, auxiliando na organização da casa e desenvolvendo responsabilidade e autonomia

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Mãe e filha limpam bancada; imagem ilustra matéria sobre crianças e tarefas domésticas.
As crianças se sentem úteis e veem que são parte da família ao participar da organização da casa

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Auxiliar os pais nas tarefas domésticas faz muito bem para as crianças, pois as ajuda no desenvolvimento de habilidades, na percepção de seus interesses e também na formação de noções de responsabilidade, cuidado, autonomia e independência. Arrumar a cama, organizar brinquedos, guardar as louças e até mesmo cuidar do jardim são exemplos de atividades que podem ser atribuídas aos pequenos, para que eles, desde cedo, já percebam a dinâmica do lar, entendendo que é dever de cada membro da família trabalhar pela organização. Ao ajudar os pais, as crianças também se sentem úteis e parte da família, o que fortalece sua autoestima. 

A Disciplina Positiva, por exemplo, defende que as crianças sejam integradas às tarefas domésticas desde pequenas, pois isso as inclui no planejamento e possibilita que participem da rotina da família ativamente. “As crianças cooperam mais quando podem expressar seus sentimentos e participar do planejamento e das escolhas”, afirma a educadora americana Jane Nelsen, que criou o conceito de Disciplina Positiva e é autora ou coautora de 18 livros sobre o assunto.

Referência da Disciplina Positiva no Brasil, a educadora Bete P. Rodrigues aponta que a quarentena é um bom momento para incentivar as crianças nesse sentido. “Esta é uma excelente oportunidade de ensinar (e aprender) a se ‘virar sozinho’. As crianças e adolescentes podem se motivar a contribuir se todos estiverem fazendo suas tarefas no mesmo horário”, explica. 

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Uma forma de colocar isso em prática é dividir as tarefas entre todos, listando quem faz o que, com quem, como e quando. “A Disciplina Positiva propõe fazer um planejamento em um quadro ou sistema de rodízio para cada tarefa que precisa ser feita. Seus filhos descobrirão o prazer em preparar suas refeições e cuidar de si mesmo e de suas coisas. Afinal, isso não pode sobrar para apenas uma pessoa, não é?”, diz Bete. Outro ponto positivo é que, ao introduzir as tarefas domésticas na rotina das crianças dessa forma, essas atividades se tornam um hábito desde cedo. 

A psicopedagoga Marisa Bianco acrescenta que incluir as crianças no planejamento das tarefas domésticas também dá a oportunidade dos pequenos se mostrarem parceiros dos pais. “Assim como os pais se mostram parceiros das crianças, dê a oportunidade de a criança se mostrar parceira também, convidando-a para participar dos trabalhos de casa”, sugere Marisa. “Sempre respeitando as idades. Crianças se divertem também com esses afazeres”, ressalta a psicopedagoga. “Claro que, às vezes, dá mais trabalho, porém é uma parceria dos dois lados, percebe? E você também pode falar para a criança: ‘está bom, agora eu vou terminar, porque assim eu faço mais rápido’. Este é um outro lado da parceria”, declara. 

Nathalia Pontes, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento educacional da plataforma de conteúdo PlayKids, destaca que cada criança tem seu tempo de desenvolvimento.”Executar tarefas de casa é como qualquer outro aprendizado para as crianças e cada um tem seu tempo. É importante que os pais se atentem a isso quando forem ensinar aos pequenos as atividades diárias”, afirma. “Ao introduzir as tarefas de forma gradual, arrumar a casa deixa de representar algo ruim e se torna parte da vida deles”, reforça.

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Nathalia ainda aponta que é importante que os pais deem tarefas iguais para meninos e meninas. “Além disso, é fundamental que essas tarefas sejam acompanhadas de um adulto, isso vai garantir que sejam executadas com segurança. Por isso, pais, mães e responsáveis precisam ser pacientes e deixar o perfeccionismo de lado, para que possam entender as dificuldades das crianças e direcionar para o melhor caminho”, conclui.

Com a ajuda das especialistas, separamos algumas tarefas domésticas mais indicadas para as crianças, divididas por faixa etária. Veja abaixo. 

De 2 a 3 anos

Mesmo que pequenos, por volta dessa idade as crianças já são capazes de realizar tarefas simples, como: guardar brinquedos e calçados, levar roupas sujas para o cesto, limpar pequenas superfícies e até ajudar na organização da mesa na hora da refeição. Essas tarefas auxiliam a desenvolver a coordenação motora grossa, o equilíbrio e a agilidade, além de estimular a organização. 

De 4 a 5 anos

Como incentivo aos estudos, nessa faixa etária as crianças já podem começar a arrumar a mochila da escola. Outras tarefas indicadas são: tirar pó de alguns móveis, organizar itens da casa (como guardar as compras), regar plantas, ajudar a arrumar o quarto, colocar roupas na máquina de lavar e até guardar louças. Essas atividades estimulam a orientação espacial e a autonomia, além da capacidade de cuidar de outros seres vivos.

De 6 a 8 anos

Com essa idade as crianças já começam a ter noções de responsabilidade e cuidado, sendo indicadas as seguintes tarefas domésticas: esvaziar o lixo do banheiro, ajudar a estender e tirar roupas do varal, lavar louças, varrer e passar pano em alguns cômodos menores da casa, guardar roupas, organizar armários e até ajudar os pais no preparo de algumas refeições. As tarefas trabalham a coordenação motora fina e grossa. 

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Acima de 8 anos

Aqui, a criança já consegue desempenhar funções mais complexas, como limpar o próprio quarto, cuidar do animal de estimação, preparar lanches, trocar a roupa de cama, ajudar a preparar o jantar e, caso tenha, pode começar a ajudar a cuidar de um irmão mais novo. Tudo isso auxilia na noção de cooperação das crianças. 

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Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.

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