Dislexia em crianças: saiba como identificar o transtorno

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Você já ouviu seu filho falando alguma palavra de maneira incorreta e ficou na dúvida se isso poderia ser um problema? Quando a criança não pronuncia certas palavras ou as diz de forma errada, não consegue nomeá-las rapidamente nem processar informações, pode ser que ela tenha dislexia. Esse é um distúrbio que afeta habilidades básicas de leitura e escrita e fica mais evidente durante o processo de alfabetização, entre os 6 e 7 anos de idade, embora possa começar a dar sinais já nos primeiros anos de vida. 

De origem neurobiológica, a dislexia não afeta a inteligência da criança, mas sim o processo cognitivo, tanto auditivo quanto visual. Hoje, entre 0,5% e 17% da população mundial sofre com o distúrbio, segundo a Associação Brasileira de Dislexia. 

“O transtorno provoca alterações na leitura, escrita e soletração ou uma combinação de todas essas etapas, em pessoas com inteligência normal ou acima da média”, explica Ana Lúcia Duran, fonoaudióloga clínica e educacional.

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A fonoaudióloga relata que é como se uma região cerebral responsável pela análise de palavras representadas graficamente não fosse ativada em crianças disléxicas. Há, portanto, uma dificuldade grande em decodificar os sons linguísticos. Ou seja, ao ler uma informação, ela não armazena e nem decodifica os sentido. “É importante estar atento a cada fase do desenvolvimento infantil e assim conseguir identificar os sintomas que podem sinalizar o problema”, diz Ana Lúcia.

O diagnóstico deve ser realizado por equipe multidisciplinar, envolvendo a escola, fonoaudiólogo, neuropsicólogo, psicólogo e psicopedagogo. O tratamento, que deve se iniciar o quanto antes, ajuda o cérebro a criar formas próprias para realizar suas atividades e adaptar-se ao problema. A seguir, saiba que sinais podem indicar a existência do transtorno.

Sinais que podem indicar a dislexia em crianças

Em crianças de 0 a 6 anos

  • Atraso no desenvolvimento motor. A criança pode demorar a engatinhar, caminhar e sentar. Pode também, mais para a frente, ter dificuldade com certas brincadeiras, como chutar uma bola ou desenhar.
  • Demorar muito para começar a falar. Os bebês emitem os primeiros sons entre os 3 e 6 meses. Entre os 6 e os 9 meses, eles começam a juntar sílabas como ‘mama’ ou ‘papa’ e a partir de 1 ano passam a dizer palavras simples – ainda que isso dependa do desenvolvimento biológico de cada criança.

A partir dos 7 anos

Na linguagem oral

  • Dificuldade em ler
  • Pronúncia errada de algumas palavras
  • Dificuldade para nomear cores, números e letras 
  • Dificuldade em atividades de aliteração e rima
  • Dificuldade para se expressar de forma clara
  • Problemas com noções espaciais e temporais
  • Nível de leitura abaixo do esperado para série e idade
  • Dificuldade em soletrar palavras
  • Confusão na sonoridade de palavras
  • Medo de ler em voz alta

Na leitura

  • Dificuldade em decodificar palavras;
  • Erros no reconhecimento de palavras, mesmo das mais frequentes;
  • Leitura oral devagar e incorreta. Pouca fluência com inadequações de ritmo e entonação, em relação ao esperado para idade e escolaridade;
  • Compreensão de texto prejudicada como consequência da dificuldade para decodificar palavras;
  • Vocabulário reduzido.

Na escrita

  • Erros de soletração e ortografia, mesmo nas palavras mais frequentes;
  • Omissões, substituições e inversões de letras e/ou sílabas;
  • Dificuldade na produção textual, com velocidade abaixo do esperado para idade e escolaridade.

Fontes: fonoaudióloga Ana Lúcia Duran, Instituto ABCD

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