Crianças no Roblox: dicas para um jogo seguro

A presença de públicos de diferentes faixas etárias num mesmo jogo deixa as crianças mais expostas aos perigos do mundo digital; conheça recursos na plataforma que garantem uma diversão tranquila aos pequenos

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Personagens da plataforma de games Roblox, que atrai crianças e adultos do mundo inteiro
Para um jogo seguro, especialista sugere uso de ferramentas da seção “controle de responsáveis” disponível na própria plataforma de games

Cerca de 213 milhões de usuários mensais e mais de 20 milhões de usuários diários jogam Roblox, segundo o site de estatísticas de games activeplayer.io. Essa é uma das plataformas de jogos mais populares do mundo, que se destaca pelo estímulo à imaginação e criatividade, ao permitir aos jogadores criar seus próprios games, e pela interação por meio dos chats existentes dentro dos mapas – como são chamados os jogos. Mas embora favoreçam a socialização, as conversas também facilitam o contato com estranhos, algo preocupante na opinião de especialistas, principalmente, para o público infantil.

“A criança pode jogar com vários adultos juntos, tem essas interações, e é aí que vêm os problemas”, ressalta Kelli Angelini, consultora e palestrante sobre direito e educação digital e autora do perfil Meus filhos na net no Instagram. Ela diz que as conversas podem ocorrer por meio de texto, voz e até chat privado, e que muitas crianças já relataram ter sofrido xingamentos e ofensas durante os jogos. Kelli destaca ainda um recurso que permite ao jogador escrever uma mensagem fixa em uma espécie de balão de pensamento. “Tem jogos que permitem textos nos próprios avatares. Se o jogador escreve algo com conotação sexual ali vai aparecer para todo mundo, não tem jeito”, pontua. Além disso, há o risco das crianças terem acesso a games com temas inapropriados, com cenas de nudez, sexo ou violência, por exemplo. “Pode haver jogos de conteúdo sexual, tiroteios, assassinatos e lutas, ainda que a plataforma barre bastante esses conteúdos para os menores”, comenta a consultora.

Entre os jogos que mais fazem sucesso com a garotada, há opções como o Meep City, que traz pets flutuantes customizados; o Work at Pizza Place, em que o desafio é gerenciar uma pizzaria; ou o curioso Adopt Me!, em que é preciso escolher entre ser pai ou bebê e viver o dia a dia desses papéis. Apesar de a classificação indicar o uso dos jogos acima de 10 anos, menores dessa idade conseguem realizar a inscrição sem impedimentos.

Jogadores frequentes da plataforma, Mariano, 8 anos, e seu irmão mais velho, Miguel, 12, já foram abordados por desconhecidos durante conversas nos mapas do aplicativo. Quando tinha 10 anos, Miguel passou o login e a senha de sua conta no jogo a um adolescente que disse ser um youtuber que iria gravar um vídeo sobre o jogo, e, para tanto, precisava de seus dados. Uma vez na conta, o adolescente mudou a senha e o e-mail de cadastro e usou todos os seus “robux”, moeda virtual que permite fazer compras nos mapas. O valor não era alto, mas deixou o garoto chateado.

“Antes de ele dar a senha ele veio falar comigo e o alertei de que aquilo não era verdade, para não confiar que ele podia ter a conta roubada, mas ele foi lá e fez mesmo assim”, conta a mãe Aline de Oliveira Fevereiro. Após o incidente, Miguel não conseguia mais acessar sua conta, até que a mãe falou com o suposto youtuber por meio de um aplicativo externo de chat de games. “Entrei na jogada, comecei a falar que ia na delegacia e o cara tentou nos assustar, disse que morava no morro, no Rio de Janeiro, mas no fim devolveu a conta”. 

No ano passado, o outro filho de Aline, Mariano, também foi enganado num jogo sobre pets, em que é comum a troca temporária dos bichinhos de estimação. “Ele tem costume de trocar tudo na base da confiança com os amigos do jogo e acabou entregando seu pet, que era raro. Não deu outra, o jogador sumiu e meu filho ficou muito frustrado”, conta a mãe, que vive com a família em Prudentópolis (PR). Ela diz que orienta os filhos a não confiar em amigos virtuais, que eles só têm contato pela plataforma. “Mesmo que seja alguém com quem eles joguem sempre, digo que se a pessoa pedir a senha da conta ou qualquer outra coisa, tem que falar com a gente. E eles estão mais espertos, já os vi comentando que fulano havia pedido a senha mas eles não passaram mais”.

Os gastos com a moeda virtual “robox” são ainda outro ponto que exige atenção dos pais. As crianças curtem a ideia de usar avatares e escolher personagens, roupas e acessórios que as representem. Porém, os produtos mais elaborados são pagos. “Ao ver os amigos com um escudo, por exemplo, a criança certamente vai querer ter um também, o que promove um incentivo ao consumo dentro dos jogos”, complementa a consultora.

Para evitar problemas como esses, Kelli recomenda que os pais configurem as opções de limitações disponíveis na plataforma. “É possível definir as configurações em decorrência da idade, há recursos que crianças não conseguem acessar, por exemplo, o chat por voz que só é permitido acima de 13 anos”, comenta. Com a ajuda da especialista, destacamos abaixo alguns cuidados para garantir maior segurança das crianças na plataforma.

Idade certa

Ao fazer o cadastro do seu filho, informe a idade correta dele. A plataforma possui restrições que são automaticamente ativadas para crianças abaixo de 13 anos. 

Controle dos responsáveis

Nas configurações do usuário, na seção “controle dos responsáveis”, é possível definir uma série de limitações como acesso a conteúdo apropriado à idade, restrições de gastos mensais e notificações desses gastos. Definir essas limitações com o próprio filho e explicar porque está desabilitando o chat por texto, por exemplo, para evitar contato com estranhos, é uma forma de fazer com que ele entenda o porquê dessas limitações e as aceite com mais facilidade.

Bem-estar digital

No site do Roblox, a seção “bem-estar digital” traz conslehos gerais de segurança online e explica todas as possibilidades de controle e restrições que os pais podem ativar. Entre elas, como ver as atividades do filho na plataforma, como denunciar violações de regras, como bloquear usuários. Para saber mais, clique aqui.

Tempo de uso

Com infinitas opções de jogos, quando entram na plataforma, as crianças tendem a não querer parar mais de jogar, deixando de lado compromissos e brincadeiras. Para evitar excessos, é importante que os filhos entendam que devem equilibrar o tempo de jogo com as atividades do dia a dia, como escola, lições de casa, refeições, atividades esportivas, entre outras. Especialistas sugerem, por exemplo, que as crianças dediquem o mesmo tempo de jogo ao brincar, ou seja, para 30 minutos de jogo, 30 minutos de brincadeira, por exemplo.

Gastos com robux

Ao ver outros jogadores com roupas, escudos e acessórios especiais, é bem provável que seu filho queira tê-los também, o que exigirá compras no aplicativo. Há pacotes de 40 robux por R$2,90 e outros de 1.700 robux por R$ 109.90, por exemplo. Uma vez feita uma transação, os dados do cartão ficam salvos na plataforma e é aí que está o perigo. Para evitar sustos no valor da fatura, é importante conversar com a criança sobre compras no aplicativo, para que ela não use o cartão sem autorização dos pais e avise sempre que for adquirir algo.

Jogo em família

As crianças adoram quando os pais demonstram interesse pelo o que elas estão fazendo. Para acompanhar melhor a atividade, vale até criar uma conta no aplicativo e jogar algum jogo com os filhos para entender o universo do Roblox e saber quais são os maiores riscos da plataforma para o público infantil.

Diálogo aberto

Diante de algum episódio desagradável na plataforma, a criança deve se sentir confortável para relatar o ocorrido aos pais. Para tanto, é preciso dar abertura ao filho para que fale sobre o jogo e não fazer ameaças ou sugerir punições diante de problemas surgidos.

Canal de denúncias

Ao observar algum comportamento inadequado é possível denunciar mensagens ou conteúdos inapropriados no chat pelo sistema de denúncias localizado no site do Roblox e dentro dos jogos, fazendo com que o jogador seja removido, bloqueado ou punido da maneira que avaliarem mais adequado.  


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Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. É mãe do Martim, 8 anos, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.

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