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Comunicação alternativa é essencial para a inserção das pessoas com deficiência na sociedade
Você já parou para pensar em como a comunicação é importante na nossa vida? Essa habilidade é um componente fundamental de todas as interações humanas e desempenha um papel crucial no estabelecimento dos relacionamentos.
O ser humano é um ser social e é através da comunicação que conseguimos expressar sentimentos, comunicar necessidades, emitir opinião, informar, negociar, ser afetuoso, resolver conflitos, pedir socorro, construir confiança e fortalecer os laços emocionais com os outros.
Desde que nascemos nos comunicamos por meio de sons. O choro é a maneira que o bebê tem de expressar as suas necessidades e dizer que está com fome, sede, sono, dor, frio ou calor. Com o passar do tempo, os pais ou cuidadores vão aprendendo a decifrar o choro, os balbucios e as expressões corporais do bebê.
O desenvolvimento da linguagem é um processo gradual que varia de uma criança para outra. Nas crianças com desenvolvimento típico, o vocabulário começa a se expandir rapidamente a partir de um a dois anos de idade, quando elas aprendem novas palavras e começam a nomear objetos, ações, pessoas e emoções.
À medida que crescem, a fala e linguagem se tornam mais complexas. Elas vão desenvolvendo novas habilidades, começam a formar frases mais longas e a expressar pensamentos mais elaborados.
No entanto, crianças e adultos com necessidades complexas de comunicação podem apresentar dificuldades, atraso ou ausência da linguagem falada e escrita.
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Embora a fala seja uma das formas mais comuns de comunicação, existem várias outras maneiras pelas quais as pessoas se comunicam. Todos nós utilizamos também a linguagem corporal e expressão facial.
Comportamento é comunicação. Crianças que se jogam no chão, chutam, mordem e esperneiam estão comunicando que estão zangadas ou frustradas com alguma coisa. Nós, adultos, frequentemente utilizamos gestos, expressões faciais, cutucadas ou mesmo chutes embaixo da mesa para comunicar algo a alguém.
Existem sinais não verbais que podem refletir emoções, intenções e atitudes, e podem ser usados para complementar ou substituir a fala. Por exemplo: acenar com a mão, tapar os olhos, sorrir, franzir a testa, balançar a cabeça de um lado para o outro, entre outros.
A comunicação é um direito humano e a CAA (comunicação aumentativa alternativa) garante esse direito ao reunir um conjunto de estratégias e técnicas que ajudam a se comunicar pessoas que não conseguem se expressar de forma convencional porque têm condições que afetam a fala e a linguagem.
A CAA pode utilizar símbolos, pictogramas, pranchas de comunicação, aplicativos e dispositivos eletrônicos. Esses sistemas fornecem meios de comunicação alternativa para que pessoas com necessidades complexas possam expressar pensamentos, desejos e necessidades.
A comunicação visual, que utiliza imagens e figuras, pode ser muito útil para explicar para crianças com autismo, por exemplo, a sua rotina ou nomear os sentimentos. As placas de trânsito e portas de banheiros com símbolos são exemplos de como a comunicação visual funciona bem sem precisar usar palavras. Só a imagem já comunica.
Existe a comunicação tátil que é baseada no toque e é usada para transmitir informações, emoções e estabelecer conexões. Isso pode incluir abraços, apertos de mão e carícias. Tem também a linguagem de sinais (Libras) utilizada por pessoas surdas e o Braille, criado para pessoas cegas.
As tecnologias assistivas ajudam bastante. Hoje é possível encontrar dispositivos eletrônicos de comunicação com fala sintetizada, aplicativos de comunicação alternativa, softwares de reconhecimento de voz e comunicação via texto, que facilitam muito a vida das pessoas que não podem falar ou têm dificuldades na fala.
Nos encontros com o grupo de educação parental para mães de raros, cujos filhos têm necessidades complexas de comunicação, perguntei se elas conheciam a comunicação alternativa aumentativa e me surpreendi com a resposta: nunca tinham ouvido falar!
Para o encontro seguinte, convidei a Renata, que é pedagoga e mãe do João ‒ um garoto de cinco anos que tem autismo e utiliza a CAA ‒ para explicar como funciona na prática a comunicação aumentativa alternativa.
Tivemos também a participação da Verônica, uma jovem de 23 anos que tem paralisia cerebral. Ela estava lá com a mãe e participou esticando a perna e os braços, sorrindo, reagindo e mostrando que estava entendendo tudo que a Renata falava.
Já o Jeferson um garotinho que tem microcefalia, também sorriu e vocalizou um som demonstrando estar feliz de estar ali. A Patrícia, uma jovem com autismo, estava atenta e participou do jeito dela, emitindo algumas palavras, olhares e sorrisos.
Falei ainda da parentalidade positiva, que tem ferramentas que ajudam as mães a estabelecer uma comunicação eficaz, empática e respeitosa com os filhos. Disse como, por meio da comunicação positiva, podemos estreitar vínculos, educar, passar valores, colocar limites e exercer a autoridade enquanto pais.
O encontro foi demais! As mães naquela tarde saíram de lá felizes e animadas a aprender mais sobre a CAA para se comunicarem melhor com seus filhos com deficiência e praticarem a parentalidade positiva.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
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