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‘Fora de mim’: filme é um marco para a representatividade
Recentemente, a Disney lançou “Fora de Mim”, um filme que é um marco para a representatividade pois traz para o protagonismo uma atriz com paralisia cerebral que, na história, tem necessidades complexas de comunicação e faz uso da CAA (comunicação aumentativa alternativa).
Como mãe de uma jovem com deficiência e também como educadora parental que atende famílias atípicas, sei o quanto a representatividade importa. Ver pessoas com deficiência exercendo papéis na televisão e no audiovisual pode mudar a forma como a sociedade as enxerga. Para crianças e adolescentes com deficiência, ver alguém como a atriz Phoebe-Rae Taylor na tela, pode ser um lembrete de que seus sonhos são válidos e possíveis.
Além disso, o filme também mostra como o capacitismo está presente nas famílias e nas escolas: na mãe superprotetora que quer que a filha continue na educação especial por que tem medo dela sofrer, na diretora e professor que resistem em incluir a aluna nas atividades e duvidam da sua capacidade, nos colegas que fazem piada e perguntas capacitistas, na dificuldade que a Melody tem de se fazer entendida e ter sua vontade respeitada. Em alguns momentos eu vi a história da minha filha Luísa se repetindo em cenas bem reais.
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O filme nos convida à reflexão sobre como podemos criar espaços mais acessíveis, e à importância de rever nossas crenças e práticas com relação às pessoas com deficiência.
“Fora de Mim” é uma oportunidade para iniciar conversas fundamentais sobre diversidade, equidade e inclusão. O filme pode ser utilizado como ponto de partida em escolas para falar sobre comunicação alternativa, sobre a importância de escutar vozes que muitas vezes são silenciadas e sobre como todos nós podemos contribuir para um mundo mais empático e respeitoso, onde ninguém fique “de fora”.
Mesmo as famílias que não vivem a deficiência podem se tornar aliadas ao se informar, se aproximar da pauta, ampliar seu repertório e encorajar seus filhos e filhas a acolherem a diversidade.
Será que nas nossas famílias e escolas estamos oferecendo uma educação anticapacitista? O que estamos fazendo de concreto para ensinar o respeito e empatia para nossas crianças e adolescentes ?
Quero finalizar com uma frase da Melody que diz, através do seu aparelho de tecnologia assistiva: “Não importa qual é a minha voz. O que importa é que eu tenho algo a dizer”.
Que possamos, como sociedade, aprender com essa história e nos comprometer a construir um mundo onde cada pessoa seja vista, escutada, respeitada e celebrada. Convido você a assistir ao filme e a trazer essa reflexão para sua família e comunidade.
Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
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