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Agendar o sexo mata o romance?
Que tipo de compromisso você marca na agenda? Consultas médicas, atividades das crianças, o dia de ir ao supermercado, um compromisso do trabalho. Mas já pensou em agendar o horário de fazer sexo com o seu companheiro? É o que muitos casais têm feito, sobretudo depois da chegada dos filhos, como uma estratégia para impedir que a intimidade seja atropelada pela rotina. Será que funciona?
A ideia ainda provoca resistência em muita gente. Para a psicóloga sexual Maria Cecilia Mansur (@mariaceciliaterapia), a resposta é mais complexa do que um simples sim ou não, já que há uma diferença importante entre programar uma relação sexual e reservar tempo para a conexão do casal.
“Se você marcar uma hora para transar, provavelmente, o cérebro, que gosta de dopamina, de uma coisa diferente, vai cansar”, detalha. Por outro lado, criar espaço para o encontro é algo positivo. “Marcar a hora para passar um tempo juntos, é diferente”, acrescenta.
Isso significa que o objetivo não deve ser cumprir uma obrigação, mas criar condições para que a intimidade aconteça. “É no momento em que o casal está relaxado, conversando, em uma intimidade, com proximidade, fazendo coisas de que gostam, cuidando da relação de fato, que é possível acontecer o desejo”, explica.
Desejo nem sempre é espontâneo
Um dos principais mitos sobre sexualidade é acreditar que o desejo precisa surgir do nada para ser legítimo. Maria Cecilia cita estudos da pesquisadora Rosemary Basson, que diferenciou o desejo espontâneo do desejo responsivo. “O desejo encontra terreno fértil quando é estimulado”. Isso faz sentido especialmente em relações duradouras, em que o desejo costuma ser construído aos poucos. “Ele pode ser estimulado antes”, afirma.
E isso acontece de diferentes formas: na conversa, na imagem, na estimulação, na ideia da fantasia um do outro… Ou seja, a intimidade começa muito antes do quarto.
Saber que haverá um momento especial pode criar expectativa ao longo do dia. Você pensa no encontro, imagina o que vão conversar, relembra experiências positivas e se conecta emocionalmente com a parceria. Para a especialista, esse processo ajuda a alimentar o desejo. “Quanto mais investimento no desejo, mais resposta você tem do corpo em relação à vontade de transar”, ensina.
Daí a importância de o casal cultivar a imaginação erótica, mesmo fora dos momentos de intimidade física.
Quando o encontro vira obrigação
Mas há um limite importante. Planejar é diferente de cumprir tabela. “Fazer para agradar nunca vai ser saudável”, explica Maria Cecília. Segundo ela, quando uma pessoa passa a ter relações apenas para evitar conflitos ou satisfazer o parceiro, a experiência tende a se tornar negativa. Nesses casos, o resultado costuma ser justamente o contrário: menos desejo e mais afastamento.
O que realmente fortalece a relação?
O segredo não está em colocar o sexo na agenda, mas em reservar espaço para o relacionamento. “É bom sim ter hora, ter vale-night, ter tempo para cuidar da relação, tempo pra namorar”, diz ela.
Mas é importante lembrar que os encontros não precisam terminar em sexo. “Não são encontros necessariamente para transar com penetração, mas para ficar junto”, ressalta. Vale jantar fora, caminhar, assistir a um filme, conversar sem interrupções ou simplesmente compartilhar um momento agradável.
Segundo a especialista, muitos casais acabam sendo engolidos pelas obrigações e esquecem de nutrir a relação. “E aí o que acontece? Quando não tem investimento nos afetos, você vai se distanciando”, relata.
Por isso, mais do que marcar sexo, talvez a melhor estratégia seja marcar presença. Tempo para conversar. Tempo para rir. Tempo para namorar. Tempo para lembrar que, antes de serem pai e mãe, vocês também são um casal.
Canguru News
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