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‘Escolha quem abraçar, porque abraço faz falta’
Meses que parecem décadas. Trancados em casa. Cansados de tudo. Sem motivação. Nós sentimos, as crianças sentem mais. A falta dos amigos. A falta dos esportes. A falta da socialização. A demasia de pai e mãe. Excesso de tempo de tela. Tédio. Tudo pede pausa. Recesso.
Cansados, fomos para a fazenda. Recarregar as energias, mudar de ares. Viver o que não se vive na cidade. Chupar jaboticaba no pé. Andar a cavalo. Caminhar na estrada de terra, catalogando flores e frutas. Passar pela plantação, brincar que é abobrinha, beringela, jiló. Fazer pose de espantalho.
Abraço nos primos, nos tios, nos avós. Que saudade dos abraços. Cansados de amar de longe, foi possível amar de pertinho.
A vida só tem caminhos de ida. Não tem caminho de volta. A gente pode escolher a direção, mas nunca pode voltar. A gente vai desenhando sem borracha. Fazendo nossas escolhas.
Cansados, fomos para a fazenda. Chupar jaboticaba no pé. Andar a cavalo. Caminhar na estrada de terra, catalogando flores e frutas.
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Pandemia deixa a gente se sentindo mais sozinho. Como dizia o poeta Vinícius de Moraes, “A vida é a arte do encontro”, mas a covid-19 trouxe o desencontro. O distanciamento. Escondeu nossos rostos atrás de máscaras. Nos afastou da família, dos amigos. Desses amores.
Não deu para acompanhar de pertinho os sobrinhos crescendo. Um dentinho caindo. Uma voz engrossando. O primeiro sutiã.
E quando a gente consegue chegar pertinho, sentir o cheirinho do bebê que já bate palminhas e balbucia suas primeiras palavras, a gente se sente tão em casa, tão confortável, que transborda. Alegria de uma semana. Acordando com o canto dos passarinhos, e o galo que nunca acerta a hora. Dormindo ouvindo o som dos sapos na lagoa.
Energia renovada, voltamos para casa. De volta à rotina. Esperando pela volta às aulas presenciais, com tantos protocolos. Em casa seguimos amando de longe, os amigos, os colegas da escola, os professores, a família. Amar de longe é mais seguro. Melhor que viver chorando por um amor levado pelo vírus.
Amar de longe é mais seguro. Melhor que viver chorando por um amor levado pelo vírus.
Escolha quem abraçar, porque abraço faz falta. Quando o abraço faltar, mande uma mensagem, faça uma ligação por vídeo. Abraço virtual não é a mesma coisa, mas ajuda bastante. Vivendo um dia de cada vez, aproveitando cada gotinha de felicidade. Melhor que viver de saudade.
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Bebel Soares
Bebel Soares é arquiteta urbanista, psicanalista, escritora, mãe do Felipe e fundadora da comunidade materna Padecendo no Paraíso, onde informa e dá suporte a mães desde 2011.
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