Aulas presenciais x online? O dilema dessa escolha

Saiba como colégios particulares, entre os quais, Rio Branco, Bandeirantes e Mackenzie, estão se organizando para a volta às aulas e o que pensam as famílias sobre esse retorno.

Volta das aulas presenciais x online
Para reabrir, escolas têm de seguir protocolos de segurança rígidos

Leia em 6 minutos

Desde segunda-feira, dia 1º de fevereiro, a volta das aulas presenciais tem ocorrido em escolas por todo o país, de acordo com os protocolos de saúde estabelecidos por Estados e municípios, que incluem normas como distanciamento social, uso de máscaras e aumento da higienização dos ambientes. Às famílias, cabe optar por manter os filhos em casa, com aulas online, ou enviá-los à escola.

Fazer essa escolha não é uma decisão fácil. Muitos pais que decidiram seguir com o ensino remoto têm dúvidas de como (e se) as aulas online funcionarão já que, no geral, é o mesmo professor que dará a aula presencial e a distância simultaneamente. Além disso, várias crianças não se adaptaram a esse formato ou já não rendem tanto quanto no início da pandemia – e os pais principalmente das crianças mais novas estão cansados de acompanhar as aulas. Já entre as famílias que decidiram enviar os filhos à escola, depois de quase um ano em isolamento social, há o receio quanto à adaptação e segurança sanitária, por mais que as instituições se esforcem por seguir rigorosamente os protocolos exigidos.

Preocupação com a revisão de conteúdos

A jornalista Gabriela França, que mora em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, é mãe de dois meninos em idade escolar, um de 15 e outro de 5 anos. Ela relata que os filhos são grupo de risco, pois possuem bronquite e asma, e que a família decidiu por permanecer em casa durante esses primeiros meses de 2021, seguindo com as aulas remotas.

Segundo Gabriela, 37% das famílias da escola dos filhos optaram pela modalidade online. Ela diz que o filho mais velho tem sido muito compreensivo com a fase que estão passando, porém o pequeno ainda comenta sobre a saudade da escola e dos colegas de sala.

“Minha maior expectativa para esse ano letivo é quanto aos conteúdos vistos em 2020, que acredito que precisam ser revisados. Fora isso, estou evitando criar expectativas, porque acredito que precisamos focar nas relações, retomar a socialização e outros aspectos que não somente o conteúdo de ensino”, avalia a jornalista.


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O reencontro com os amigos

Ja a advogada Caroline Caon Marcolino, mãe do Lorenzo, de 4 anos, relatou que a volta das aulas presenciais está sendo muito tranquila para o filho que é aluno do Colégio São José, localizado em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo. Segundo a mãe, as aulas estão ocorrendo de modo presencial, sendo que a maioria dos pais optaram por esse modelo de ensino. No entanto, para os pais que preferirem manter os filhos em casa, a escola também oferecerá o ensino remoto, ministrado pela mesma professora.

“Estava muito difícil seguir com a aula online, é muito complicado manter a atenção de uma criança de 4 anos. Já na escola ele poderá ter o contato com a professora e reencontrar as outras crianças, o que é muito importante”, explica a advogada.

Nas redes sociais, mães também têm compartilhado suas opções. Há quem diga não se sentir segura em mandar os filhos à escola devido ao aumento de casos em todo o país. “Acredito que a questão não é somente as crianças pegarem, mais levarem a doença para casa, onde convivem com pessoas do grupo de risco como avós. Eu não tenho saído de casa, somente quando necessário, como alguma consulta médica”, disse uma mãe em post sobre o assunto publicado pelas especialistas na relação família-escola, Taís e Roberta Bento, criadoras do site SOS Educação e autoras do livro “Socorro, meu filho não estuda!”.

Elas falam do dilema de ter de escolher entre mandar ou não os filhos para a aula presencial. Para ajudar nessa decisão, sugerem analisar alguns aspectos como se a família já está saindo de casa para outras atividades. Caso sim, dizem, é hora de cortar as outras saídas e ver a escola como um ambiente seguro em que o filho poderá ver outras pessoas. Caso não, (a criança não está saindo de casa), é importante observar se ela não está há muito tempo isolada e com o equilíbrio emocional abalado, para a partir daí avaliar se é hora de retornar ao presencial. “A escola é o ambiente mais seguro para a criança retomar o equilíbrio”, orientam as educadoras. Mas elas também afirma que se os pais não se sentem seguros para a aula presencial, o mais coerente é explicar isso aos filhos e dizer que eles seguirão no remoto por mais um tempo.


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Como as escolas de São Paulo estão se organizando

Na cidade de São Paulo, cada estabelecimento só pode receber até 35% de seus alunos, conforme determinado pelo governo estadual para as fases vermelha e laranja, as mais restritivas entre as cinco do Plano São Paulo.No geral, as escolas privadas informaram grande interesse das famílias pelo retorno presencial. Foi o caso do Colégio Rio Branco, em Higienópolis, centro de São Paulo, que para garantir o revezamento, deu início à volta das aulas presenciais na segunda-feira (dia 1º), com os alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, e na terça-feira (dia 2), com a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I.

Já no Colégio Presbiteriano Mackenzie, também em Higienópolis, o ano letivo teve início no dia 26 de janeiro de forma remota. Para a volta à aula presencial, a instituição optou pela retomada escalonada, em que cada segmento retorna em uma data diferente, sendo priorizados primeiro os mais velhos. O Ensino Médio dará início ao período de readaptação, a partir do dia 8 de fevereiro. O Ensino Fundamental II retornará dia 22 de fevereiro, e, por fim, o Ensino Fundamental l e a Educação Infantil, no dia 1º de março.

No Bandeirantes, localizado na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, os alunos terão de ir em dias alternados para respeitar os 35% da capacidade da instituição. Algumas disciplinas serão totalmente presenciais e outras a distancia. A decisão foi tomada com a intenção de facilitar a adaptação ao método híbrido de ensino, assim, os alunos não precisarão começar uma matéria no presencial e continuá-la no online.

Abepar avalia retorno ao presencial como “positivo”

Em comunicado enviado nesta terça-feira, a Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar) disse ser positiva a volta das aulas presenciais e que “as autoridades e a sociedade brasileira compreenderam, finalmente, que educação é serviço essencial e que o ensino remoto ou híbrido não substitui a relação pedagógica profunda que se configura com presença ativa do professor na sala de aula. “As experiências presenciais que se verificaram nas nossas escolas no ano passado não produziram surtos ou outros efeitos negativos. Tudo ocorreu de acordo com expectativas mais otimistas. Desta vez também será assim. O apoio das famílias será agora muito importante para que as regras de distanciamento sejam mantidas também fora das escolas.


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