Pesquisadores continuam estudando ligação entre coronavírus e síndrome infantil

Criança usa máscara em ilustração a matéria sobre síndrome infantil que pode ter ligação com o coronavírus.
Cientistas estudam se síndrome que está afetando crianças na Europa e na América do Norte está relacionada ao coronavírus. Foto: Pixabay

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Uma síndrome infantil potencialmente fatal e que pode ter ligação com a infecção pelo novo coronavírus tem chamado atenção. Na Europa, cerca de 230 casos suspeitos foram reportados, incluindo duas mortes – uma na França, de um menino de 9 anos, e outra no Reino Unido, de um adolescente de 14 anos. As informações são do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Em abril, o NHS, Serviço de Saúde da Inglaterra, já havia alertado sobre os casos da síndrome no país, pedindo que médicos encaminhassem ao hospital com urgência as crianças que apresentassem os sintomas. 

O ECDC classifica a doença como uma “síndrome inflamatória multissistêmica [que pode atacar vários órgãos] pediátrica temporariamente associada a uma infecção pelo Sars-CoV-2 [novo coronavírus]”. Uma ligação da síndrome infantil ao coronavírus “ainda não foi estabelecida, apesar de ser plausível”, afirma o órgão.

A síndrome infantil também foi detectada nos Estados Unidos: reportagem da NBC News afirma que estão sendo investigados casos suspeitos em pelo menos 19 estados e na capital, Washington. Somente em Nova York, 110 casos suspeitos estão sob investigação, além de três mortes (de duas crianças de 5 e 7 anos e de um jovem de 18).

O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu a colaboração mundial para se “compreender melhor” a doença. Em seu site, a OMS afirma que a “hipótese inicial é que a síndrome pode estar relacionada à Covid-19 [doença causada pelo novo coronavírus]”. O texto continua, explicando que “ainda não está claro todo o espectro da doença e se a distribuição geográfica na Europa e na América do Norte reflete um padrão verdadeiro ou se a condição simplesmente não foi reconhecida nos outros lugares”. 

O que é a síndrome infantil que pode ter ligação com o coronavírus? 

A OMS também emitiu uma definição preliminar da síndrome: ela tem atingido crianças e adolescentes de zero a 19 anos, com febre que dura três dias ou mais. Os pacientes também tiveram pelo menos dois dos seguintes sintomas: erupção cutânea ou sinais de inflamação ao redor da boca, mãos ou pés; choque ou pressão arterial baixa; sinais de problemas cardíacos; sinais de distúrbio hemorrágico; problemas gastrointestinais agudos. Além disso, os pacientes não tinham nenhuma outra causa de inflamação e testaram positivo para Covid-19 ou tinham tido provável contato com pacientes de Covid-19. 

Médicos relatam que a doença parece ser uma mistura de Síndrome do Choque Tóxico, que é uma complicação rara de infecções, e da Síndrome de Kawasaki, que causa inflamação das paredes de vasos sanguíneos. Os pacientes apresentam diversos sintomas. Além dos já citados acima, outros sintomas relatados foram inchaço nas glândulas, problemas nos rins, dores abdominais, conjuntivite e língua avermelhada e inchada. 

“Essa síndrome inflamatória multissistêmica não é causada diretamente pelo vírus”, diz o Dr. Jeffrey Burns em entrevista à CNN americana. Burns é especialista em cuidados críticos no Hospital das Crianças de Boston, nos Estados Unidos, e coordena um grupo global de médicos que comparam conhecimento sobre a síndrome. “A hipótese principal é que ela acontece devido à resposta imunológica do paciente”, completa ele. Ele acredita que mais casos da síndrome vão aparecer, à medida que o novo coronavírus infectar mais pessoas. É uma condição rara, mas consequências raras de infecções virais são vistas com mais frequência quando milhões estão infectados. 

Reportagem do jornal O Globo cita o pediatra Sunil Sood, do centro médico infantil Cohen, em Nova York, explicando que os sintomas da síndrome parecem surgir entre quatro e seis semanas depois de a criança ter sido infectada pelo coronavírus, quando já desenvolveu anticorpos. “Tinham o vírus, seu corpo o combateu. Mas agora têm essa resposta imunológica tardia e excessiva”, diz ele. Não foram registrados casos da síndrome na Ásia – nem mesmo na China, onde o novo coronavírus surgiu. Sood diz que alguns pesquisadores acreditam que isso ocorreu por razões genéticas. 

Segundo o ECDC, órgão de saúde europeu, o risco de as crianças desenvolverem a síndrome infantil é considerado baixo, assim como o risco de elas desenvolverem a própria Covid-19.

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Heloisa Scognamiglio
Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.

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