‘Aqui em casa todos pegamos Covid’: a importância de manter os cuidados e criar uma rede de apoio

O colunista Mauricio Maruo conta como foi a experiência da família inteira adoecer pelo coronavírus e traz também relatos de amigos sobre a doença

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Famílias com Covid-19: a importância dos cuidados e da rede de apoio

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Agora que a maioria das atividades voltou a funcionar, como o comércio e as escolas, como fica a dinâmica de famílias que estão com Covid-19? Eu posso garantir que fica, no mínimo, muito tenso. Sim, aqui em casa todos pegamos o coronavírus – eu, minha companheira, minha filha de 5 anos e nosso recém-nascido de menos de 1 mês.

Resolvi então escrever esse texto, que também serve como um alerta para continuarmos com todos os cuidados contra esse vírus.

Compartilho agora a fragilidade e a impotência de um casal com Covid nos cuidados com os filhos.

Eu e minha companheira sentimos os sintomas na última sexta-feira. Apesar de termos tomado as duas doses da vacina, os sintomas continuam fortes, com dores de cabeça que parecem enxaqueca, muita tosse, febre e indisposição extrema.

Nossa filha também sentiu dores de cabeça (bem menos) e dores no estômago com muita ânsia.

Famílias com Covid-19: a importância dos cuidados e da rede de apoio
Mauricio, a esposa e os dois filhos do casal

A Covid-19 é uma doença que não permite ajuda presencial de outras pessoas, então imaginem o nível de desespero de um pai e uma mãe, tendo que cuidar (com todos os sintomas que relatei acima) dos dois filhos. Por sorte, e graças às lindas e verdadeiras conexões que construímos ao longo da nossa jornada, criamos um ciclo de pessoas muito queridas. Entre elas, muitos profissionais da saúde que admiramos muito. Foi graças a esses profissionais que recebemos o conselho de continuar amamentando nosso filho com o leite materno para ele ganhar imunização.

Mas como continuar amamentando sentindo todos aqueles sintomas? Com muito apoio e acolhimento, tínhamos a total compreensão de como estava pesado, mas também como era necessário.

E tudo se tornava mais pesado quando olhávamos para nossa filha vomitando tudo o que ela comia. O sentimento de culpa e impotência bateu muito forte.

Foram três dias de muito medo e muitas incertezas. Hoje estamos sem a presença do coronavírus em nossas vidas e não queremos nunca mais passar por essa situação.

Toda essa experiência me fez refletir em muitas direções e uma delas me chamou muito atenção:

Se eu e minha companheira, que tínhamos o apoio um do outro neste momento tão tenso, passamos momentos difíceis, como será essa dinâmica para uma mãe solo? Foi com essa inquietude que fui conversar com uma grande amiga.

Famílias com Covid: Lu Ribeiro, doula e mãe solo conta como foi adoecer pelo coronavírus
Lu Ribeiro, mãe de duas crianças | Foto: @luribeiro.eu

Luciana Ribeiro @luribeiro.eu é atriz, doula, ativista pelo parto com respeito e mãe solo de duas crianças.

A Lu me contou que pegou coronavírus no ano passado, em uma época onde a vacina ainda era um sonho. Como ela já teve asma, sua debilitação foi muito rápida, com muita falta de ar e dores no peito.

Para garantir a proteção dos filhos, pediu para o pai das crianças se ele não podia ficar com elas.

Ela ficou internada em uma ala só de pessoas com Covid-19 e disse que o grande problema eram as ondas de melhora e depois de queda, onde ela sentia seu corpo melhorando e dois dias depois voltavam os sintomas mais fortes.

Como nesta época os hospitais estavam lotados, ela precisou voltar para casa mesmo sem um quadro de melhora.

Ela conta:

— Nesses dias em casa a sensação que eu tinha era que ia morrer sozinha.

Após 27 dias, as crianças voltaram para casa dela, pois existia um outro risco de Covid-19 na família do pai.

Ela relata que foram meses de impotência e fragilidade nos cuidados dos filhos, onde seus aliados foram o celular e a tv.

Como conselho, ela me disse:

— No contexto de mãe solo (dependendo da idade das crianças) é preciso, sim, ter ajuda externa, pois a sobrecarga da mãe solo já é grande e essa sobrecarga influencia muito na nossa imunidade.

Famílias com Covid-19: Nilton Rodrigues, pai de 4 crianças
Nilton Rodrigues, pai de 4 crianças | Foto: @umpapaixonado

Também conversei com um amigo que é pai de 4 filhos pequenos, Nilton Rodrigues @umpapaixonado. Ele me contou que nem ele e nem sua família pegaram a Covid, mas ele afirma que se um dia um dos seus filhos pegar, é muito provável que todos da família peguem.

— Não conseguimos pensar em isolamento individual com nenhum dos nossos filhos – disse Nilton.

Tanto ele quanto a sua companheira já tomaram a segunda dose da vacina, mas mesmo assim ele tem consciência de que se um dos dois ficar doente devido ao coronavírus a dinâmica dos cuidados com os filhos seria drasticamente abalada, pois sua rede de apoio mais próxima é dos seus pais, que são idosos e o risco de contágio continua sendo maior, e da escola das crianças, porém elas não poderiam frequentá-la por pelo menos 14 dias.

Ele afirma que a sobrecarga seria muito grande o que preocupa bastante a saúde mental da sua família.

— Aqui as engrenagens funcionam com todas as peças, se uma não funciona bem as outras precisam dar um jeito de fazer a máquina funcionar.

Esses são relatos de pessoas reais que estão aprendendo a lidar com suas relações familiares. A COvid-19 é uma doença que ainda afeta milhares de brasileiros.

Minha dica final é, cuidem-se!

O coronavírus ainda não foi embora e a prevenção ainda é o melhor remédio.


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