Por que será que associamos o Natal à comilança?

A psicóloga Andrea Romão fala sobre a relação equivocada entre comida e prazer, e sugere um exercício mental para fazer da ceia natalina um momento de alegria em família - e não de gula

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Família se reúne em ceia de Natal com pratos de comida tradicionais dessa época
A psicóloga Andrea Romão diz que é preciso parar de associar a comida ao prazer e cuidar para não repassar essa hábito equivocado aos filhos

Depois de um ano duro como foi este, você deve estar muito ansiosa para a chegada do Natal, não é verdade? Afinal de contas agora é a hora de esquecer tudo, relaxar e encontrar as pessoas que ama. Agora tudo pode, ibnclusive, e principalmente, na comida. Chegou a hora da recompensa. Porq ue será que associamos o Natal à gula, à comilança?

Aprendemos isso através de gerações. Durante milênios, o homem sofreu muito por não ter comida suficiente. Até meados do século XIX, comer bem era um privilégio apenas dos ricos. Por muitos séculos, as ceias de Natal não eram nada demais, não existiam refeições natalinas fartas como temos hoje. O que havia era o jejum pré-natal, que servia como uma preparação para o Natal. Era como se fosse um tempo de silêncio, de contemplação, de reflexão.

A partir do século XX, porém, iniciou o período conhecido pelo alto consumo de açúcar, carne e álcool. Estes produtos foram chegando ao mercado, o consumo aumentou e o tempo de jejum foi dando espaço para o tempo de comer.

As pessoas começaram a dar mais importância para a comida do que para a reflexão. E com isto as empresas foram se aproveitando da situação, ganhando espaço e estabelecendo a “época do comer sem moderação”.

Este hábito foi passando de geração a geração e o efeito psicológico até hoje impacta na vida das pessoas. Aprendemos a pensar da seguinte forma: “Me sacrifico o ano inteiro, agora é a hora de relaxar”, ou “Eu não quero nem saber de me controlar, é a compensação por todo o esforço que eu vivi o ano inteiro. A comida passa a ter um papel importante porque ela é a recompensa.

Nós vivemos momentos de mudanças e incertezas, tememos pelo presente e pelo futuro. E não temos estrutura emocional para suportar crises constantes. Por isso tentamos a todo custo tornar qualquer evento em algo muito especial e este algo especial e tem a ver com comida.

Foi assim que eu aprendi a associar a comida a estes momentos de prazer. Aprendi a me recompensar com a comida. “Ah depois de um ano tão difícil, eu mereço”.

Mas, o que eu quero dizer é que você não precisa ter a comida como fonte de prazer. Você precisa ter prazer por outras coisas. Você também não precisa repetir o que aprendeu e passar a seus filhos. Chega, pode parar em você. Ninguém mais precisa aprender que comida é sinônimo de prazer.

E agora você deve estar se perguntando: “Nossa, mas isto é bem difícil, aprendi que era assim, que a comida acolhia, acalmava, como eu vou mudar tudo isso?”

Eu vou te ajudar a fazer do seu Natal um momento de alegria e não o momento da gula.

Pense em seu Natal. Não como você gostaria que fosse, mas como é de fato. Como você se comporta nesta data. Pense em todos os detalhes. Veja você comendo e bebendo em excesso e no dia seguinte repetindo tudo de novo.

Agora pense em como poderia ser diferente o seu comportamento. Talvez antes de começar a comer, você observa o que tem na mesa e escolhe o que realmente gosta. Talvez você esteja descansando o garfo e aproveitando e a boa conversa. Está comendo devagar, degustando cada pedaço de alimento e percebendo que nem gosta tanto assim dele, que comia porque estava no piloto automático.

Observe como tudo está divertido, mais leve, você não está se sentindo cheia e isto te faz perceber que está no controle.

Agora você vai pegar estes novos comportamentos e colocar na cena do seu Natal. Veja você no controle, leve, descansando o garfo, prestando atenção na conversa e percebendo que a comida nem é tão importante assim.

Gostou de como ficou? Então agora você vai repetir este exercício todos os dias até o Natal e você verá a mudança que vai acontecer no seu comportamento neste dia.

Desejo que além de cuidar de você e de seus descendentes, você tenha um Natal de muita paz!


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Andrea Romão é psicóloga há mais de 20 anos, pós-graduada em Gestão de Pessoas, com certificações internacionais em Coaching, Programação Neurolinguística, Neurociência e EFT (Emotion Freedon Tecniques). Há dez anos, trabalha com reeducação emocional, ajudando adultos e crianças a entender e lidar com as suas emoções.

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