Gestantes tendem a não desenvolver forma grave da Covid-19, mas devem seguir cuidados médicos com rigor

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Mulher gestantes põe os braços sobre sua barriga. Estudos mostram que embora sejam grupo de risco, as gestantes não desenvolvem forma grave do coronavírus
Relatos da literatura médica mostram que gestantes não tiveram a Covid-19 na sua forma grave e devem manter cuidados iguais às outras mulheres

O caso da fisioterapeuta Viviane Albuquerque, de 33 anos, que faleceu em Recife por causa do novo coronavírus deixou grávidas preocupadas quanto ao risco de as gestantes contraírem a doença. Viviane estava com 32 semanas de gestação e fez uma cesariana de emergência para retirar o bebê, que, segundo informações divulgadas, segue internado no hospital em estado grave porém estável.

Apesar dessa fatalidade, o que se tem constatado até agora, com base nos relatos da literatura médica, é que a probabilidade de gravidade da Covid-19 nas gestantes é muito baixa. “Em geral, elas não desenvolvem a forma mais grave da doença”, afirma Raphael Garcia Moreno Leão, coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Christóvão da Gama, do grupo Leforte, em São Paulo. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) reforça que, até o momento, as poucas evidências disponíveis demonstram que o risco de contrair o Covid-19 não é maior nas gestantes ou puérperas (mães de recém-nascidos com até 45 dias) do que no restante da população e que o risco de transmissão vertical para o feto é mínimo ou inexistente.

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Segundo Leão, o que se tem observado é um número maior de partos prematuros de gestantes com coronavírus. “Mas são casos em que os bebês nascem depois de 36 semanas, o que é comum, e o que se sabe é que os bebês sobreviveram”, afirma Leão. Além disso, dados preliminares mostram, felizmente, que a doença parece não impactar na hora do parto e na saúde do bebê. O médico ressalta porém que o fato da grávida ter alterações no sistema imunológico, leva a uma diminuição das defesas do corpo, deixando-a portanto mais suscetível a infecções. 

“As gestantes e imunossuprimidos sempre são uma preocupação, principalmente quando ainda não se conhece tudo sobre uma doença”, afirma nota assinada pela equipe de infectologistas do Hospital Sírio Libanês, referindo-se ao risco das grávidas contraírem o coronavírus. O hospital relata que o fato da Covid-19 ser uma doença de aparecimento recente faz com que várias orientações às gestantes venham do conhecimento prévio de ocorrências de infecções respiratórias, durante a gravidez, causadas por outros vírus como H1N1, SARS-CoV.

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Grávidas no grupo de risco

O Ministério da Saúde também destaca que, de maneira geral, as gestantes e puérperas são mais vulneráveis a infecções e, por isso, estão nos grupos de risco do vírus da gripe – e, logo, do coronavírus. “Estudos científicos apontam que a fisiopatologia do vírus H1N1 pode apresentar letalidade nesses grupos associados à história clínica de comorbidades dessas mulheres. Sendo assim, para a infecção pelo Covid-19, o risco é semelhante pelos mesmos motivos fisiológicos, embora ainda não tenha estudo específico conclusivo”, diz comunicado enviado pela assessoria de imprensa da pasta. Portanto, os cuidados com gestantes e puérperas devem ser rigorosos e contínuos, independentemente do histórico clínico das pacientes, ressalta a nota do Ministério da Saúde.

De acordo com a assessoria da pasta, as grávidas sempre fizeram parte do grupo de risco de coronavírus. Isso, porém, não pode ser constatado de forma clara em documentos da próprio ministério como este intitulado “sobre a doença/legislação” em que cita “pessoas acima dos 60 anos e aquelas com doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares” como as que correm mais risco de contrair a Covid-19. No início de abril, informes do ministério passaram a incluir “gestantes de alto risco” no grupo de risco da doença, levando vários veículos de mídia a divulgar a inclusão das grávidas no grupo de risco do novo coronavírus.

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Sendo assim, é fundamental que as gestantes sigam todas as orientações médicas e tomem os cuidados necessários para evitar a contaminação. Veja abaixo as principais recomendações que a gestante deve tomar para não contrair o novo coronavírus ou, caso isso ocorra, saber como proceder.

A gestante tem maior risco de contrair o novo coronavírus?
Sim. Embora estudos não mostrem haver maior gravidade de ocorrência da Covid-19 durante a gestação, as orientações a esse grupo se baseiam no conhecimento prévio de ocorrências por outras infecções respiratórias causadas por vírus como o da gripe (H1N1), e o SARS-CoV (síndrome respiratória aguda grave de coronavírus), agente causador da epidemia de SARS em 2002.

A gestante pode transmitir o coronavírus ao bebê?
As pesquisas realizadas até agora mostram que não. “Por enquanto, não está caracterizado esse risco, É um risco teórico, não há nenhum caso efetivo dessa forma de transmissão”, afirma Cláudio Maierovitch, médico sanitarista da Fiocruz. Estudo feito com 38 mulheres tiveram testes negativos em suas placentas e líquido amniótico. “No entanto, ainda são números pequenos para afirmar cientificamente. O melhor a se fazer é evitar o contato com o vírus”, ressalta a pediatra Talita Rizzini, do Hospital Leforte. Tire aqui outras dúvidas sobre o risco de transmissão do coronavírus da mãe ao bebê.

Como o organismo da gestante reage ao novo coronavírus? 
O organismo da gestante responde de forma semelhante ao das mulheres que não estão grávidas, apresentando pneumonia em condição parecida ao da população em geral. Dados preliminares (e animadores) mostram que a doença parece não impactar na hora do parto e na saúde do bebê.

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A gestante tem que tomar cuidados adicionais para evitar o contágio por coronavírus?
Não. Ela deve tomar os mesmos cuidados que a população em geral, seguindo o isolamento social e as devidas normas de higiene das mãos e do ambiente. Além disso, deve evitar contato com pessoas doentes e ir ao pronto atendimento sem necessidade.

O pré-natal deve ser suspenso por causa do coronavírus?
Não. É essencial que a gestante siga o pré-natal normalmente. Se por acaso, o ambulatório ou local que presta o atendimento estiver fechado ou sem médico, é preciso se informar onde dar continuidade ao pré-natal.

A gestante deve tomar a vacina de influenza (H1N1)?
Sim. Deve tomar essa vacina para se proteger do vírus da gripe (ela não protege contra o coronavírus), assim como as demais vacinas do calendário normal de vacinação.

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Se a gestante contrair o coronavírus, como saber quando ir ao hospital?
O principal sinal de alerta na gestante (e nas mulheres em geral) é o cansaço e falta de ar, além de febre, dor de garganta e coriza. “Mas o que mais preocupa mesmo é a falta de ar em situações de rotina. Se a gestante vai tomar banho e começa a sentir que não está vindo o ar, ela deve procurar  um hospital imediatamente”, orienta Leão. Ele reforça também a importância de manter contato frequente com o médico do pré-natal.

Fonte: Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Leforte

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