Artigos
O silêncio, como resposta, pode ser útil para o filho

“Eu percebi que ficar quieto não é um problema.” Ouvi essa frase de um pai que participou de um workshop comigo sobre como lidar com sentimentos negativos dos filhos.
Tínhamos falado muito sobre a nossa impulsividade e ansiedade enquanto pais. Essa nossa vontade louca de resolver o problema do filho, de ter sempre uma resposta rápida, de tirar o mal-estar da conversa, de tentar eliminar o que estivesse incomodando…
Como é difícil “conviver” com um problema, com um desconforto, com um incômodo…ainda mais dos filhos!
Mais difícil ainda é acreditar que o silêncio, como resposta, pode ser bom! Pode ser fecundo, pode gerar algo novo, ser produtivo…Ficar em silêncio pode ser útil para o filho? Que estranho!
Pois é, tem situações em que o filho só precisa de alguém que o escute. Ele pode querer desabafar, contar algo chato que aconteceu na escola, algo que o irritou, que o deixou preocupado… Talvez nem seja uma coisa que tenha que ser resolvida!
Outras vezes pode ser algo mais complexo, que demande alguma elaboração de ideias por parte dele. Ao contar o que aconteceu para quem está escutando de verdade, o filho tem a chance de organizar os seus pensamentos e explorar os seus sentimentos. Tem a possibilidade de se conhecer e de encontrar as próprias soluções. É aquele efeito “ahá!”, “já sei o que vou fazer!”, “quer saber, vou resolver assim!”.
Nessas horas, o que o filho precisa é de um silêncio compreensivo dos pais, que venha junto com uma atitude de se importar.
Como assim, atitude de se importar?
É parar de fazer o que está fazendo, colocar o celular de lado, tirar a atenção da tela do computador. É olhar nos olhos do filho. É interagir com poucas e pequenas palavras que mostrem que estamos ali, acompanhando a conversa, prestando atenção: “hum”, “ah”, “é mesmo?” Porque não basta prestar atenção, temos que mostrar que estamos prestando atenção!
Ficar quieto não é mesmo um problema, longe disso! É um presente que podemos dar para o nosso filho. É um espaço, uma folga, uma pausa para ele pensar e colocar as próprias ideias em ordem.
Desejo bons silêncios compreensivos para vocês!
Leia também: Não use a sua raiva para controlar o seu filho
[mc4wp_form id=”26137″]
Renata Pereira Lima
Renata Pereira Lima é mãe da Luísa, 14 anos, e do Rodrigo, 12 anos. Palestrante TEDx-SP, mestra em Antropologia, pesquisadora de mercado com foco em comportamento e facilitadora de workshops para melhorar a comunicação entre pais e filhos por meio de escuta, empatia, respeito e limites.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Sentir necessidade de ficar um tempo longe dos filhos não tem nada a ver com amar menos
Ainda assim, quando a gente sente que precisa de um respiro, a culpa insiste em nos sufocar
5 dicas para fazer as crianças comerem mais frutas
Seu filho torce o nariz para frutas? Algumas estratégias simples podem aumentar o contato com esses alimentos, sem transformar a...
Nova York decreta emergência por sarampo: precisamos nos preocupar no Brasil?
Surto nos Estados Unidos aumenta o alerta para a doença nas Américas. No Brasil, já são 52 casos importados neste...
Quase metade dos pais e cuidadores brasileiros admite já ter dado tapas nos filhos, mostra pesquisa
Estudo do UNICEF mostra como a ideia de que bater pode ser uma forma de educar continua presente nos lares...











