`Um emocional equilibrado eleva a proficiência no cognitivo´, ressalta Priscila Boy

Segundo a profissional, escola e educação parental se conectam a partir da colaboração na abordagem de desenvolvimento das competências socioemocionais

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Pedagoga Priscila Boy em palestra sobre a conexão entre o papel da escola na educação parental
Priscila Boy explica sobre a necessidade de implementar as habilidades socioemocionais, previstas na BNCC, e como os educadores parentais podem atuar nesse cenário | Imagem: Reprodução

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“A escola tem obrigação legal de garantir o direito de aprender. Esses direitos estão num documento chamado BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento normativo que visa a garantir direitos essenciais: a escola pode agregar mais coisas em seu currículo, mas não pode cortar nada da Base.” A explicação é de Priscila Boy, pedagoga, palestrante e escritora, que abordou o papel das escolas na educação parental no terceiro e último dia do 2° Congresso Internacional de Educação Parental. 

A BNCC, lembrou Priscila Boy, lista as competências gerais que as escolas necessitam obrigatoriamente implementar, e que exercitam habilidades cognitivas, comunicativas e socioemocionais das crianças. Essas habilidades são tidas como essenciais para o ensino, e toda escola precisa abordar.

O que a BNCC tem a ver com educação parental?

Segundo a pedagoga, o maior desafio da implementação da BNCC nas escolas está conectado com as competências socioemocionais: autonomia e autogestão, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação e responsabilidade e cidadania. Isso ocorre pois, segundo ela, a escola não estava acostumada a trabalhar os alunos a partir de uma formação mais humanizada, que fosse além do conteúdo.

“A pandemia evidenciou uma incapacidade da escola de olhar o aluno com um olhar humanizado. Não digo que os professores são desumanizados, mas, na correria do dia a dia, isso não estava claro para a escola. E o próprio professor se deu conta da falta do sentido do que faz”, diz Boy. Essas habilidades são fundamentais no futuro da criança, tanto para uma melhor relação com ela mesma, com seus sentimentos, quanto para uma conexão mais saudável com o outro. “Quem trabalhou competências socioemocionais está muito bem no mercado”, ressaltou a pedagoga.

Pedagoga Priscila Boy em palestra sobre a conexão entre o papel da escola na educação parental
Pedagoga e consultora Priscila Boy | Imagem: arquivo pessoal

É a partir dessa brecha que escola e educação parental podem trabalhar em conjunto, exercendo um papel de influência na abordagem de questões contemporâneas e desenvolvimento de competências socioemocionais nas crianças. “A escola vai precisar de formação, não vai poder mudar sozinha. Vai precisar principalmente de algo que ela não sabe fazer.”

Assim, pontuou, os educadores parentais podem colaborar com projetos e métodos de como abordar essas questões com leveza e de forma lúdica, contribuindo para que as crianças sejam estimuladas a partir de múltiplas linguagens e estejam mais preparadas para lidar com suas emoções e relações interpessoais.

Aproveitando essa janela de oportunidade, os educadores podem adequar propostas que fazem sentido para as necessidades da escola, colaborando na implementação de atividades que trabalhem a BNCC: “Você precisa descobrir a ‘dor’ da escola. Assim, ela vai querer você, pois precisa do que tem a oferecer”, diz Priscila Boy.


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