Crianças que se recusam a usar máscara: o que fazer?

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O que pais podem fazer para dobrar crianças que se recusam a usar máscara?
Mães e pais podem ter problemas para convencer as crianças a usarem a máscara fora de casa. Foto: Freepik

Se o seu filho for uma das crianças que se recusam a usar máscara, você não está sozinho. Nestes tempos de pandemia do novo coronavírus, em que o uso da máscara é recomendado para sair de casa, há alguns relatos de mães e pais que encontram dificuldade em fazer os pequenos usarem o “acessório”. Para auxiliar nesses casos, especialistas recomendam explicar a importância do uso das máscaras aos pequenos, usá-las em casa para a criança se acostumar, recorrer a tecidos estampados com personagens que eles gostem ou até mesmo fazer da confecção das máscaras algo divertido. 

Fernanda Mappa, psiquiatra da infância e adolescência e presidente do capítulo do Espírito Santo da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (ABENEPI), ressalta, em primeiro lugar, que as crianças só devem sair em caso de extrema necessidade. “A principal indicação para todas as crianças é não sair de casa. Se a saída for indispensável, há necessidade de usar [a máscara] para se proteger e também para proteger todos da família”, declara. Para Thatiane Mahet, pediatra com especialização em imunologia, alergia e nutrição infantil e autora do livro “O Grande Livro do Bebê” (2017), as ocasiões de saída da criança são “tomar vacina e ir ao médico ou ao hospital”. 

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Em relação às crianças que se recusam a usar máscara, Fernanda diz que a causa pode ser falta de costume. “A recusa pode ser uma resposta ao desconhecido e também à falta de hábito”, explica. Por isso, para convencer os pequenos, Fernanda recomenda a conversa. “Considerando que já temos mais de 60 dias de confinamento, conversas sobre o que está acontecendo, sobre o vírus e como asseguramos nossa saúde já foram feitas – se não foram feitas, precisam ser feitas”, orienta ela. “Só dessa maneira é possível fazer a criança entender a importância”. 

Outra dica da psiquiatra é em relação à escolha do modelo das máscaras. Ela indica que mães e pais comprem as que têm temas infantis, de super-heróis, bichinhos, personagens que os pequenos gostem. Os modelos também precisam ser confortáveis para o uso da criança. 

Em reportagem do jornal The New York Times, Harold Koplewicz, presidente e diretor médico do Child Mind Institute (Instituto da Mente da Criança), organização não governamental dos Estados Unidos, diz que é importante explicar às crianças que o uso da máscara é para proteger as pessoas. Segundo ele, a comparação com a lavagem das mãos pode ser útil: algo que você faz para se proteger e também para deixar os outros protegidos. Ele também aconselha elogiar as perguntas das crianças e lembrá-las de que elas podem sempre perguntar mais. 

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No mesmo texto, é citado o psicólogo Christopher Willard, que sugere que os pais escolham tecidos divertidos e deixem as crianças participarem da confecção das máscaras. “Transforme em uma atividade de artesanato e também em um jogo. Pratique usá-las em casa por diversão, tentem ler as expressões faciais um do outro enquanto usam a máscara. Essas coisas normalizam um pouco e fazem com que fique menos assustador [para as crianças]”, explica. Willard também sugere que os pais façam uma conexão com os super-heróis, explicando aos pequenos que os heróis neste momento de pandemia, os médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, têm as máscaras como parte de seu uniforme. 

Mas e se nada funcionar? Para Fernanda, o melhor é não arriscar. “Se não funcionar, não tem como sair de casa. Não existe a possibilidade de sair sem máscara. Se usou de conversa, orientação, criatividade e nada adiantou, a orientação é adiar a saída, até que a criança tenha confiança”, declara a psiquiatra. A principal função do uso da máscara é impedir que a pessoa contamine outras, já que o tecido ou o TNT retém as gotículas respiratórias de quem está “mascarado” – por isso, é tão importante que as crianças a coloquem, já que elas podem ser transmissoras assintomáticas do coronavírus. 

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É importante lembrar que menores de dois anos não devem usar a máscara, por haver risco de sufocamento. Pessoas com problemas respiratórios, inconscientes, incapacitadas ou que não consigam remover as máscaras sozinhas também não devem usá-las. “É muito mais importante manter a criança menor de dois anos em casa, em segurança, do que fazer o uso da máscara, em que o risco de sufocamento acaba sendo maior do que de contrair a Covid-19 [doença causada pelo coronavírus]”, explica a pediatra Thatiane Mahet. “Além disso, nessa idade é comum as crianças levarem a mão no rosto e ficarem mexendo na máscara, o que não é eficiente na hora de evitar a contaminação”, acrescenta. 

Thatiane também ressalta alguns cuidados que os pais precisam ter em relação ao uso das máscaras pelas crianças: o tamanho deve ser adequado à face e permitir a respiração sem dificuldade; a supervisão deve ser constante, já que a criança tende a tocar na máscara e no rosto; e é preciso observar se a criança está salivando ou com o nariz escorrendo, pois máscaras molhadas são consideradas sujas. A pediatra também lembra que as máscaras caseiras devem ser lavadas após o uso. 

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Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.

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