130 mil crianças perderam pais, avós ou cuidadores para a Covid-19 no Brasil

Estudo global publicado na revista 'The Lancet' trata do efeito das perdas dos responsáveis sobre a formação de crianças e adolescentes.

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130 mil crianças perderam pais, avós ou cuidadores para a Covid-19; menino sentado no chão encosta cabeça e abraça joelhos com os braços

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Cerca de 1,5 milhão de crianças perderam pais, avós ou responsáveis por seus cuidados devido à pandemia do coronavírus. O dado é de pesquisa recém-divulgada pela revista científica “The Lancet”, que realizou o primeiro estudo global sobre o assunto. Das 1,5 milhão de crianças, em torno de um milhão perderam o pai e/ou a mãe. Outras 500 mil crianças perderam uma outra pessoa, como um avô, que vive no ambiente familiar e fazia parte desse cuidado. Segundo o estudo, no Brasil, 130 mil crianças – duas crianças a cada mil – perderam o principal responsável para a Covid-19, sendo um dos países em que, proporcionalmente, essa ocorrência é maior.

O índice brasileiro só é menor do que o do Peru – em que essa proporção é de dez a cada mil crianças, África do Sul – cinco a cada mil crianças, e México – três a cada mil crianças.

O levantamento segue critérios científicos, como a revisão por pares. Os pesquisadores responsáveis alertam que “crianças que perderam um parente ou cuidador estão arriscadas a sofrerem de efeitos adversos de curto e longo prazo sobre a sua saúde, segurança e bem-estar, como o aumento do risco de doenças, abusos físicos, violência sexual e gestação na adolescência”.

Os pesquisadores também pedem a adoção de uma ação urgente para responder o impacto das perdas de cuidadores como parte dos programas de combate à Covid-19″, afirma a “The Lancet”.

“A cada duas mortes por Covid-19 no mundo, uma criança foi deixada para trás para enfrentar a morte de um parente ou cuidador”, diz Susan Hills, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e uma das pesquisadoras que lideraram o estudo.

Vacina e auxílio financeiro às famílias

Lucie Cluver, professora da Universidade da Oxford e da Universidade de Cape Town na África do Sul, diz que os governos devem se inspirar em medidas semelhantes adotadas em países mais afetados por doenças como a Aids e o Ebola. A especialista sugere esforços adicionais para vacinar os cuidadores de crianças e dar suporte às famílias que ficarem responsáveis por ajudar os jovens que perderam seus pais e responsáveis.

“Nós precisamos apoiar as famílias estendidas ou adotivas a cuidarem dessas crianças, com ajuda de custos, programas de auxílio à parentalidade e acesso à educação. Precisamos vacinar os cuidadores das crianças — especialmente os cuidadores avôs e avós. E precisamos responder rápido, porque a cada 12 segundos uma criança perde seu cuidador pela Covid-19”, afirma Cluver.

(Fonte: site CNN).


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