Nova onda de Covid: especialistas reforçam necessidade de vacinar as crianças

Previsão de alta nos casos confirma importância de levar aos postos de vacinação as crianças que ainda não foram imunizadas ou não estão com o esquema vacinal completo

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Menino negro recebe vacina no braço
Pais devem vacinar crianças contra Covid-19 e demais doenças para as quais há vacinas disponíveis, recomendam especialistas | Crédito: depositphotos.com
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A chegada no Brasil de uma subvariante da Covid-19, que também está em circulação na Europa, China e Estados Unidos, pode fazer surgir uma nova onda de contaminações, alertam especialistas. Há uma alta de testes positivos em laboratórios particulares e farmácias e já foi confirmado um primeiro caso da BQ.1, subvariante da ômicron, no Rio de Janeiro, e outro em Porto Alegre. Embora seja menos agressiva, há uma preocupação com as crianças que não foram vacinadas, mesmo a vacina estando disponível, e com a faixa etária de bebês e crianças pequenas, para os quais ainda não há vacina acessível.

De acordo com a infectologista Luana Araújo, trata-se de um aumento temporário no número de infecções, o que sempre coloca a população sob risco, principalmente, os mais vulneráveis, mas isso não quer dizer que viveremos os momentos difíceis passados anteriormente.

A especialista diz que, por mais que o vírus se modifique, as vacinas seguem sendo eficazes para evitar o agravamento da doença, tanto que as internações e mortes diminuíram drasticamente desde que se iniciou a imunização da população.

“A vacina para crianças, da mesma forma que nos adultos, tem por objetivo evitar doença grave, hospitalização e óbitos. Ela é segura, eficaz e uma obrigação do Estado e dos pais e mães lúcidos e responsáveis”, afirma Araújo em postagem em suas redes sociais.

Vacinas disponíveis

Veja como está o esquema vacinal de crianças:

  • Bebês e crianças entre 6 meses e 2 anos e 11 meses de idade deverão receber a vacina da Pfizer. Mas somente casos de comorbidade serão contemplados na leva inicial e o calendário para esse grupo ainda não foi definido.
  • Crianças de 3 e 4 anos estão recebendo Coronavac, mas há queixas sobre a falta do imunizante em algumas localidades.
  • A faixa acima de 5 anos deve tomar 2 doses de qualquer um dos dois imunizantes, Pfizer ou Coronavac (ainda não há dose de reforço disponível para essa faixa etária).
  • Adolescentes acima de 12 anos devem tomar 3 doses da vacina.

Atraso da vacina para bebês

O imunizante da Pfizer foi aprovado em setembro pela Anvisa para uso entre 6 meses e 2 anos e 11 meses de idade, porém, até agora, não foi incluído na cobertura vacinal. E, para essa faixa etária, somente crianças com comorbidade poderão ser imunizadas, segundo determinação do Ministério da Saúde, que ainda não divulgou um calendário.

Em comunicado à imprensa, a Pfizer informou que entregou ao Ministério da Saúde, em 27 de outubro, 1 milhão e duas mil doses da vacina pediátrica (ComiRNAty) contra a Covid-19, para imunização da faixa etária de 6 meses a 4 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias).

Araújo questiona por que vacinar apenas as crianças que têm comorbidade, sendo que 75% dos casos de mortes ocorreram em crianças sem comorbidades. “Não, elas não tinham outras doenças, fatores de risco importantes, nada. Eram apenas crianças desprotegidas”.

Para proteger os bebês recém-nascidos, Araújo orienta as gestantes a se vacinarem. “Abaixo de 6 meses, as crianças estão protegidas pelos anticorpos maternos (gestantes, vacinem-se!)”, alerta a infectologista.

Baixa cobertura vacinal e mortes

Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, apenas uma a cada três crianças com idade entre 3 e 11 anos está com a imunização completa. E metade das crianças dessa faixa etária não recebeu nem a primeira dose. 

Até outubro de 2022, segundo dados do Ministério da Saúde (boletins epidemiológicos n. 44, 92 e 134), morreram 3380 crianças e adolescentes, entre O e 19 anos, por Covid-19, sendo:

  • 1061 com idade menor de 1 ano;
  • 584 com idade entre 1 e 5 anos;
  • 1735 com idade entre 6 e 19 anos.

Até junho de 2022, segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Brasil era responsável por 20% de todos os óbitos por Covid-19 no mundo, de crianças abaixo de 5 anos. Araújo recorda que, se comparadas a outras faixas etárias, onde há maior número de comorbidades e maior fragilidade pela idade, as mortes entre crianças foram de fato menores. “Mas isso não significa que não adoeçam de forma grave e que não morram desnecessariamente”, pontua.

De acordo com a infectologista, o que leva as crianças à morte é a chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à Covid-19. “Essa é a principal complicação e a mais grave delas, atingindo 1 a cada 2000 crianças que tiveram Covid”, acrescenta. Ela destaca que 9 em cada 10 casos (90%) precisam de internação hospitalar, sendo 60% em UTI.

Nota conjunta das Sociedades Brasileira de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) mostrou que, até setembro de 2022, foram registradas 12.040 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave decorrente de Covid-19 em crianças abaixo de 5 anos, com 437 mortes confirmadas.

Volta da máscara

No geral, a orientação é para uso de máscara apenas em ambientes fechados, com aglomeração e sem circulação de ar. Porém, a recomendação dos especialistas é para que as famílias façam uma avaliação individual de risco e adotem os cuidados baseados na sua condição de saúde. No caso de infecção por Covid, o uso da máscara deve ser feito sempre que em contato com outras pessoas.

Outras vacinas

O pediatra Daniel Becker ressalta a importância de atualizar as vacina das crianças não só para Covid-19, mas para todas as doenças. “Estamos com coberturas baixíssimas para poliomielite, meningite, sarampo e outras doenças graves, e portanto sujeitos a surtos dessas doenças. Ninguém merece um filho com meningite ou sarampo. Vamos proteger as crianças. Atualize as vacinas e converse com todos ao seu redor para fazer o mesmo”, declarou Becker.

A SBP e SBim também reforçaram a necessidade de crianças e adolescentes continuarem a receber todas as vacinas disponíveis. “O planejamento e o combate à Covid-19 também devem andar de mãos dadas com a vacinação contra outras doenças mortais, como sarampo, poliomielite, pneumonia, diarreia, entre outras, pois níveis de cobertura inadequados já resultaram em surtos evitáveis nos últimos 12 meses, agravando o cenário da pandemia e ressaltando o papel vital das imunizações na manutenção da saúde de crianças, adolescentes, adultos e da sociedade como um todo”, destacou o comunicado.

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