Internação de crianças em UTIs por covid sobe 61% em SP e só há doses para vacinar 11%

Secretaria de Estado da Saúde aponta alta de adolescentes e crianças internadas com casos graves nos últimos dois meses; até o momento, apenas a vacina da Pfizer foi aprovada para público de 5 a 11 anos

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Criança utilizando respirador para crianças internadas com covid-19
Dados de internações subiram de forma sistemática desde novembro de 2021, aponta análise

Com o avanço da contaminação da população pela variante Ômicron, o volume tem crianças e adolescentes – o público que ainda não foi vacinado – apresenta altas alarmantes. Em São Paulo ocorreu um aumento de 61,3% no número de pacientes com menos de 18 anos internados nas UTIs, segundo estatísticas do Censo Covid, divultadas nesta quarta-feira pela Secretaria de Estado da Saúde. O percentual avalia o crescimento de internações desse segmento da população de 15 de novembro do ano passado até agora.

Em 15 de novembro de 2021 havia no Estado de São Paulo 106 pacientes menores de 18 anos internados em estado grave em decorrência da covid-19. Já no último dia 17 de janeiro, esse número passou para 171, o que mostrou uma evolução sistemática no período, com pico em janeiro.

Segundo Jean Gorinchteyn, secretário de saúde do Estado de São Paulo, a estatística evidencia a rapidez da contaminação pela variante Ômicron e a necessidade de vacinação urgente de crianças e adolescentes.

Avanço da vacinação de 5 a 11 anos exige mais doses

O governo estadual iniciou a imunização de menores de 12 anos no dia 14 de janeiro. Nesta primeira fase, podem ser imunizadas as crianças de 5 a 11 anos de idade com comorbidades, deficiências, indígenas e quilombolas. A expectativa é finalizar o grupo prioritário até 10 de fevereiro, e vacinar todas as crianças e adolescentes até março.

São Paulo recebeu nesta semana 258 mil doses da vacina pediátrica da Pfizer para a covid-19, que começaram a ser distribuídas na manhã de ontem (18) aos 645 municípios de São Paulo. Somente para vacinar o público infantil prioritário seriam necessárias 850 mil doses. Contabilizando o total de doses recebido até o momento, só seria possível vacinar 11% do público de 4,3 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 11 anos.

Mãos de enfermeira seguram dose da vacina da Pfizer para crianças
Dose da vacina pediátrica da Pfizer, utilizada para imunização da faixa de 5 a 11 anos. | Imagem: Divulgação/Governo de SP

Liberação da Coronavac deve acelerar o cronograma

Até o momento, a única vacina aprovada para uso em crianças abaixo de 12 anos no Brasil é a Comirnaty, dose pediátrica da vacina da Pfizer, destinada para a faixa de 5 a 11 anos. Entretanto, a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) irá decidir até quinta-feira (20) se aprova o pedido do Instituto Butantan para o uso emergencial da Coronavac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos de idade. 

Caso seja aprovada, a liberação do uso da vacina será capaz de antecipar o cronograma de imunização contra a covid, trazendo expectativas de melhora no número de adolescentes e crianças internadas com casos graves de covid-19. O Insituto Butantan já possui cerca de 15 milhões de doses prontas para as crianças, informou o governo estadual.

A Coronavac utilizada nas crianças será a mesma usada na campanha da população adulta, sem necessidade de distinção na composição, como no caso da Pfizer.


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