Criança pequena em escola integral: é saudável?

Pedagoga destaca aspectos a observar na hora de decidir pelo período ampliado na escola, entre eles, se há uma rotina flexível, alimentação saudável e momentos para o descanso

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Crianças pequenas brincam com peças de montar
Espaços da escola devem ser convidativos à exploração livre
Buscador de educadores parentais
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Nestes meses de setembro e outubro, muitas famílias começam a procurar uma escola para matricular os filhos em 2024. São muitos os quesitos que fazem uma escola ser considerada “boa”, como a qualidade da formação dos professores, o espaço destinado ao brincar, o tipo de alimentação oferecido. Mas não é somente isso que precisa ser levado em conta na hora da escolha

Alinhar a rotina de trabalho com o horário do atendimento nas instituições educacionais é um desafio. A tarefa pode parecer simples, mas basta um imprevisto, um atraso, e o dia parece desandar. Diante deste cenário, a opção pela jornada escolar de tempo integral parece uma solução. Mas será que é saudável?

Evidentemente, quanto menor a criança, maior a importância do vínculo com a família. Dedicar tempo de qualidade a ela é imprescindível para que se sinta segura e pertencente ao núcleo familiar. A construção desta relação é fundamental, sobretudo quando há a necessidade de que a criança frequente uma instituição de Educação Infantil em período integral. Muitas famílias necessitam deste apoio para seguir trabalhando e é necessário observar alguns pontos para que esta experiência seja positiva para a criança. 

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Ao procurar uma instituição com este tipo de jornada, a família precisa ter consciência de que não se trata de preencher o dia com mil e uma atividades. É fundamental uma rotina flexível que considere, por exemplo, tempo para o livre brincar. Esta é a principal linguagem da criança. É por meio dela que os pequenos reproduzem e interpretam as impressões do ambiente. No brincar livre, eles exercem seu poder criativo, pois a partir da curiosidade e da exploração vivenciam situações que promoverão seu desenvolvimento físico, emocional e intelectual.  

Outro ponto importante é se a escola preserva momentos para o descanso. Dormir faz parte do processo de desenvolvimento. A criança precisa vivenciar a alternância equilibrada entre estados de contração e expansão, de pausa e movimento, pois isto confere à vida ritmo, saúde e sentimento de segurança.

É relevante observar os espaços da instituição: eles são amplos, possuem desafios para que as crianças possam explorar de maneira livre? São seguros, limpos e demonstram produções infantis? Há árvores, canteiros ou plantas que proporcionam o contato com a natureza? 

Verifique se existe exposição a telas. Elas apresentam a virtualização da realidade que, para a criança que está construindo uma compreensão sobre o mundo, acaba por moldar seu comportamento e sua identidade, além de gerar prejuízos no desenvolvimento. 

Também é preciso entender como são realizadas as refeições e se o cardápio é elaborado por nutricionistas. Se informar sobre o que acontece com a criança, enquanto ela esteve na escola, é essencial, não só para saber se ela está se alimentando bem, mas para acompanhar ativamente seu desenvolvimento, conhecer suas preferências e atuar de maneira complementar à escola. 

Agendar reuniões com os educadores e manter um canal de comunicação, como uma agenda, é bastante útil. Estabelecer um vínculo de confiança com os educadores é bem mais significativo do que acompanhar em tempo real a rotina por câmeras, por exemplo. Isto porque, quando a família confia, a criança também se sente segura. Essa parceria deve ser transparente, dialógica e permeada por vivências que construam uma relação de afeto que irá reverberar  no desenvolvimento da criança. 

A frequência da criança pequena no período integral pode ser uma experiência saudável, desde que a rotina seja flexível, a fim de não a sobrecarregar. Passar o dia na escola pode ser sinônimo de brincar, descansar e alimentar-se de maneira equilibrada. Para tanto, este ambiente deve ser acolhedor e as relações pautadas no respeito. Além disto, família e escola necessitam trabalhar juntas, não só em prol do aprendizado pedagógico, como do bem-estar físico e emocional das crianças. 

*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.

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