‘Substituam o filho ideal pelo filho real’

A consultora em comunicação não violenta, Juliana Portas fala sobre a importância dessa abordagem nas relações familiares e como ela pode tornar a jornada da parentalidade mais leve e consciente

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Pai e filha negros encostam testa com testa
Pais têm estresses e problemas e devem explicar isso aos filhos numa linguagem adequada à idade das crianças
Buscador de educadores parentais
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Já repararam que não existe o oposto de comunicar? Não existe o ato de não se comunicar. Qualquer gesto, qualquer palavra, e sobretudo o silêncio, são formas de comunicação. A Comunicação Não Violenta (CNV) é “um processo, uma jornada”, que pode ser crucial para os pais na construção das relações familiares, afirma Juliana Portas, fonoaudióloga e treinadora em CNV.

Ju Portas foi uma das palestrantes do 3º Congresso Internacional de Educação Parental realizado agora em novembro e promovido pela Canguru News e pela Parent Brasil. 

A importância da CNV na parentalidade é que ela oferece uma perspectiva para que o adulto cuide de si mesmo e exerça com melhor compreensão e leveza esse papel de cuidador, de mãe, de pai. Como enfatizou Portas, a CNV é uma proposta de usar uma outra lente nas relações com a criança. “É falar sobre o que não é dito, é falar sobre o que está nas entrelinhas. Nós não fomos educados emocionalmente”, enfatiza a especialista.

Juliana Portas
Juliana Portas | Reprodução Instagram

Quando os pais enfrentam comportamentos desafiadores dos filhos, um caminho sugerido pela CNV é refletir, sempre: “Não é sobre a criança. É sobre o adulto. O que está acontecendo comigo que contribui para essa situação de tensão?”. A criança, enfatizou Juliana Portas, sempre tem uma enorme necessidade de ser compreendida, acolhida. 

“Educar não é domesticar. Ser o adulto em uma relação com a criança é difícil, e os conceitos muitas vezes se misturam. A grande questão é como eu não consigo lidar com o sofrimento do outro. O sofrimento é algo inerente do ser humano”, explicou a treinadora em CNV.

Os pais, segundo ela, não têm disponibilidade eterna para as crianças, pois também enfrentam estresses diários e têm seus próprios problemas. Expor e explicar isso à criança, de uma maneira e com uma linguagem que ela compreenda, facilita o diálogo, a conexão e torna a demanda infantil mais leve. “Precisamos explicar às crianças sobre as nossas impossibilidades emocionais como adultos.”

Rotular a criança e determinados comportamentos nunca vai ajudar, afirma Juliana Portas. A empatia, o princípio da Comunicação Não Violenta, é a tentativa de se aproximar do sentimento do outro, neste caso da parentalidade, do sentimento da criança. Juliana Portas disse que, muitas vezes, temos o sentimento equivocado de que, calçando o sapato do outro, vamos entender a sua dor. “Só que os pés são sempre os seus”, ponderou.

“Todo sentimento e toda necessidade da criança é válida. Aceitem. E substituam o filho ideal pelo filho real”, defendeu a especialista em sua palestra.

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