Clubes de leitura têm planos mensais e seleção criteriosa dos livros

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clube de leitura infantil
Foto: Pixabay

Escolher bons livros par ler com os filhos em casa nem sempre é uma tarefa simples para os pais. São muitas as dúvidas que surgem na hora da seleção: ‘será que essa história vai prender a atenção dos pequenos?, ‘será que eles entendem a mensagem do livro?, ‘vão curtir as ilustrações?

Uma série de fatores influencia a qualidade das obras: o gênero literário – se é um conto, uma lenda ou fábula, por exemplo; a temática abordada – se fala sobre a natureza, os animais, de terror, sentimentos etc.; as ilustrações; o tamanho do livro; e, claro, o preço.

Veja também: Curadoras de clubes de leitura dão 10 dicas de como ler para crianças

Uma alternativa para sair dessa sinuca pode ser assinar um clube de leitura infantil. Existem pelo menos três grupos independentes em São Paulo – Leiturinha, A Taba e Quindim – além de clubes próprios de editoras como a Companhia das Letras e Brinque-Book.

Todos ele oferecem pacotes mensais, que enviam um ou mais livros para todo o Brasil, de acordo com o plano escolhido (veja valores abaixo) e com a idade da criança. Alguns permitem até diferenciar os livros no caso de irmãos de distinta faixa etária. Além disso, os kits também incluem material de apoio para os pais que os ajude na leitura com os filhos.

Um dos atrativos desse serviço é a qualidade das obras entregues, cuja curadoria é feita, em geral, por equipe de escritores e especialistas em literatura infantil e em educação. Assim, a assinatura se torna útil aos pais que não têm tempo ou não se sentem seguros para comprar livros infantis. Também é uma forma de fugir de obras que podem até estar na moda, mas nem sempre têm o potencial de enriquecer o conhecimento das crianças.

Mãe diz que livros ajudam o filho a se concentrar mais

A jornalista Sarah Dias, mãe do Pedro, de um ano, começou a assinar o Clube Leiturinha em agosto do ano passado. O filho tinha pouco contato com livros infantis, mas ficava curioso quando via a mãe lendo ‘livros de adulto’ – o que a fez procurar o serviço.

Como ela trabalha durante todo o dia, estabeleceu alguns horários para garantir a leitura em casa: “Ou eu ou o pai lemos com ele pelo menos três vezes na semana. Aos sábados e domingos, a gente também tenta ler em família e comentar depois as histórias lidas”.

Sarah diz que os temas explorados na coleção servem, inclusive, para ampliar o diálogo sobre o assunto com o filho em outros momentos. “Gosto muito do kit, pois vem com obras que você não compraria por falta de conhecimento. Não é um algoritmo, é um trabalho de curadoria para ajudar seu filho”, comenta a jornalista sobre a seleção cuidadosa que é feita pelos clubes.

Sarah acredita que as leituras ajudam o pequeno Pedro a se concentrar mais nas atividades e a saber aguardar até o fim da história. “Antes, nós não tínhamos hábito de leitura. Hoje, ele carrega o livro para onde vai, e gosta de ler no carro. A gente sempre abre junto o pacote que chega com o livro do mês.”

A mãe dá dicas para quem tem uma rotina puxada e quer ler para as crianças: “Tem que começar do jeito que dá: em algum intervalo, num tempinho que sobra, ou durante uma atividade da rotina. Reservar um tempo de qualidade para isso é investir no filho. É um investimento a longo prazo e importante para o desenvolvimento dele”.

Usuária dos clubes, Marcela sugere se envolver na leitura junto com o filho

Outra adepta os clubes é a socióloga Marcela Bauer, mãe de Violeta, 4 anos, e Jorge, 2 anos. Ela conta que sempre gostou de ler e quis transmitir esse hábito para os filhos desde muito cedo. Marcela costumava folhear livros e deixar que os filhos fizessem o mesmo. Até que uma madrinha deu uma assinatura do Clube Quindim para a filha quando ela tinha um ano. Desde então, Violeta recebe mensalmente o kit de leitura – e o caçula também aproveita o presente.

A família costuma ler todos os dias antes de dormir. Como dica para quem tem dificuldade de implementar o costume em casa, Marcela sugere que os pais mergulhem no mundo da fantasia junto com os pequenos. “As crianças querem estar sempre com a gente. Se você largar um livro na mão delas e mandar ler, não vai adiantar. Tem que sentar junto e envolver, ver aquilo como uma brincadeira”, aconselha a socióloga.

Marcela lendo com Violeta, 4 anos, e Jorge, 2 anos. Foto: Arquivo pessoal

Ela conta que o produto a fez descobrir o mundo da literatura infantil. “No começo, eu não sabia como comprar livros em uma livraria. Com o tempo, aprendi a fazer escolhas mais criteriosas.”

A mãe gosta tanto do serviço que deu assinaturas de presente para um sobrinho e para o filho de uma amiga. “O legal do clube de leitura é não ser só um negócio, mas apoiar uma causa bacana, que é ajudar a formar leitores”. 

Clubes de leitura infantil disponíveis no mercado

Selecionamos três clubes de leitura infantil independentes que distribuem obras de diversas editoras:

  • Clube Quindim: planos que variam de R$ 39,90 a R$ 123,90,dependendo da quantidade de livros (um, dois ou quatro) e do tempo de adesão. A cada mês, o kit vem com um mapa do leitor e um Diário de Leitura que pode ser preenchido entre pais e filhos, de modo a enriquecer a experiência. Conta com a curadoria de escritores como Ziraldo e Ana Maria Machado;
  • Clube Leiturinha: planos que variam de R$ 29,90 a R$ 59,90, dependendo da quantidade de livros (um ou dois) e do tempo de adesão. É possível fazer compra avulsa. A cada mês, o kit vem com uma surpresinha para as crianças, como chaveiro, jogos e adesivos;
  • A Taba: planos de R$ 49,90 a R$ 179,90, dependendo da quantidade de livros (de um a quatro) e do tempo de adesão. A cada mês, o kit vem com mimos colecionáveis (série de guias sobre formação leitoras de crianças e adultos), mapa do leitor e um passaporte de leituras. Conta com a curadoria de especialistas em literatura infantil.

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