Redes sociais têm ‘risco profundo de danos’ para crianças, diz autoridade de saúde dos EUA

O cirurgião-geral Vivek Murthy fez um apelo para a ação urgente de modo a maximizar os benefícios e minimizar os danos, criando assim ambientes online mais seguros e saudáveis ​

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Menina olha para tela de celular no escuro
Segundo Murthy, as crianças estão expostas a conteúdo nocivo nas redes sociais
Buscador de educadores parentais
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A principal autoridade de saúde dos Estados Unidos, o cirurgião-geral Vivek Murthy emitiu um alerta público sobre os perigos das redes sociais para os jovens, solicitando um esforço conjunto para compreender “totalmente o potencial dano à saúde mental e ao bem-estar de crianças e adolescentes”.

Segundo Murthy, embora haja alguns benefícios, o uso da mídia social apresenta “um profundo risco de danos” para as crianças. Em um documento de 19 páginas, divulgado há cerca de uma semana, ele fez um apelo à ação urgente para que formuladores de políticas, empresas de tecnologia, pesquisadores, famílias e jovens possam compreender melhor o impacto total do uso da mídia social, para maximizar os benefícios e minimizar os danos, criando assim ambientes online mais seguros e saudáveis ​​para proteger as crianças.

“As crianças estão expostas a conteúdo nocivo nas redes sociais, desde conteúdo violento e sexual até bullying e assédio”, disse ele, complementando que, para muitas crianças, as redes sociais comprometem o sono e o valioso tempo pessoal com a família e amigos. “Estamos no meio de uma crise nacional de saúde mental juvenil e estou preocupado com o fato de a mídia social ser um importante impulsionador dessa crise – que devemos abordar com urgência”.

Murthy recordou que quase a totalidade (95%) dos jovens de 13 a 17 anos usam as mídias sociais e mais de um terço disse usar “quase constantemente”. Ele declarou que tal uso pode ser prejudicial dependendo da quantidade de tempo que as crianças passam nas plataformas, do tipo de conteúdo que consomem ou ao qual são expostas e do grau em que essas plataformas fazem as crianças interromper atividades essenciais para a saúde, como sono e atividade física.

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“É importante ressaltar que diferentes crianças são afetadas pelas mídias sociais de maneiras diferentes, inclusive com base em fatores culturais, históricos e socioeconômicos,”, escreveu o cirurgião-geral norte-americano.

Entre os benefícios, a autoridade destacou que a mídia social ajuda, segundo 58% dos adolescentes, a se sentirem mais aceitos, como se tivessem pessoas que pudessem apoiá-los em momentos difíceis (67%), como se tivessem um lugar para mostrar seu lado criativo (71%), e mais ligados ao que se passa na vida dos amigos (80%).

O cirurgião-geral sugeriu às famílias manter as refeições e reuniões pessoais livres de dispositivos para ajudar a construir laços sociais e promover conversas. Ele também orientou a criação de um “plano de mídia familiar” para definir as expectativas de uso das redes, incluindo limites em torno do conteúdo e mantendo as informações pessoais privadas.

Veja algumas das recomendações do documento para ajudar a garantir que as crianças e suas famílias tenham as informações e ferramentas necessárias para tornar a mídia social mais segura para as crianças:

  • Formuladores de políticas: podem tomar medidas para fortalecer os padrões de segurança e limitar o acesso de forma a tornar a mídia social mais segura para crianças de todas as idades, proteger melhor a privacidade das crianças, apoiar a alfabetização digital e midiática e financiar pesquisas adicionais.
  • Empresas de tecnologia: podem avaliar melhor e com mais transparência o impacto de seus produtos nas crianças, compartilhar dados com pesquisadores independentes para aumentar nossa compreensão coletiva dos impactos, tomar decisões de design e desenvolvimento que priorizem a segurança e a saúde – incluindo a proteção da privacidade das crianças e melhor adesão à idade mínimos – e melhorar os sistemas para fornecer respostas eficazes e oportunas às reclamações.
  • Os pais e cuidadores: podem fazer planos em suas famílias, como estabelecer zonas sem tecnologia que promovam melhor os relacionamentos pessoais, ensinar as crianças sobre comportamento online responsável e modelar esse comportamento e relatar conteúdo e atividade problemáticos.
  • Crianças e adolescentes: podem adotar práticas saudáveis, como limitar o tempo nas plataformas, bloquear conteúdo indesejado, ter cuidado ao compartilhar informações pessoais e entrar em contato se eles ou um amigo precisarem de ajuda ou presenciarem assédio ou abuso nas plataformas.
  • Pesquisadores: podem priorizar ainda mais a mídia social e a pesquisa de saúde mental dos jovens que podem apoiar o estabelecimento de padrões e a avaliação das melhores práticas para apoiar a saúde das crianças.

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