1,6 milhão de crianças mentiram a idade para criar conta em rede social

Dado faz parte de estudo realizado no Reino Unido com mil crianças; veja também 7 ações para garantir a segurança das crianças no universo digital

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Menino usa tablet
Idade mínima para abrir uma conta nas redes sociais é de 13 anos
Buscador de educadores parentais
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Cerca de 1,6 milhão de crianças britânicas criaram contas de mídia social fingindo ter 18 anos ou mais ao se inscrever. A prática foi permitida por empresas de tecnologia, revelou uma pesquisa feita pela Autoridade de Padrões de Publicidade, do Reino Unido. Segundo o órgão, são cerca de 5 milhões de crianças entre 11 e 17 anos, e cada uma tem, em média, três contas de mídia social, o que dá um total de 15 milhões de contas. Dessas, em pelo menos 11% (1,6 milhão), as crianças são registradas com a data de nascimento falsa, o que sugere que elas são adultas, quando na verdade não o são. 

Cerca de 75% das crianças disseram que as contas foram criadas sem a supervisão dos pais ou responsáveis, e o acesso às redes sociais é feito em 94% dos casos por meio de dispositivos que só elas usam. A idade mínima para abrir uma conta nas plataformas de redes sociais é de 13 anos de idade.

A maioria (60%) disse ter conta no Tiktok, Instagram e Youtube, e metade do grupo afirmou usar também o Facebook e Snapchat. Segundo a pesquisa, as crianças estão participando de sites sociais cada vez mais cedo, com 67% dos perfis sendo criados antes do ensino médio.

As descobertas fazem parte do ASAs 100 Children Report, que acompanhou mil crianças e monitorou o uso em smartphones e tablets de 97 pequenos, para analisar hábitos de navegação online e os anúncios aos quais esse público está exposto.

O diretor da ASA, Guy Parker, disse que o estudo é importante para avaliar que tipo de publicidade as crianças estão vendo em sites, plataformas sociais e aplicativos.

“Com muitas crianças se registrando nas mídias sociais com uma idade falsa, é vital que os profissionais de marketing de anúncios com restrição de idade considerem sua escolha de mídia e usem vários dados em camadas para direcionar seus anúncios para longe dos jovens. É improvável que segmentar apenas com base em dados de idade seja suficiente”, declarou.

Dos 11.424 anúncios vistos pelo público jovem, apenas 435 tinham restrição de idade. Ao relatar incorretamente sua idade, crianças foram expostas a quase dois terços a mais de anúncios com restrição de idade do que aquelas que configuraram seus perfis com precisão.

Riscos nas redes

Especialistas alertam para os riscos que as crianças correm nos ambientes virtuais, como o ciberbullying e o famoso ‘cancelamento’ por expressar sua opinião. Há ainda o risco à segurança pessoal por revelação de hábitos, rotinas e locais frequentados nas postagens de fotos. “Além de conversar com as crianças sobre a necessidade desses cuidados, é recomendado que os pais ou responsáveis se mostrem presentes ou próximos, inclusive em algumas postagens, pois essa atitude inibe ações de assediadores”, orientam a advogada especialista em Direito Digital, Privacidade e Proteção de Dados, Maria José Ciotto Luccas, sócia da Consultoria Privacidade Mais. A seguir, ela dá recomendações sobre o assunto.

7 ações para a segurança de crianças e adolescentes no mundo digital

1 – Crie o usuário individual de cada criança ou adolescente, para poder exercer o controle parental, quando disponível, de acordo com a faixa etária;

2 – Mostre-se presente ou próximo em redes sociais das crianças ou adolescentes sob sua tutela, inclusive fazendo postagens no perfil, a fim de afastar ação de assediadores;

3 – Configure o perfil sempre como privado, ao invés de público; a maioria dos games, redes sociais e aplicativos, disponibilizam essa opção;

4 – Leia atentamente os Termos de Uso, Avisos de Cookies e de Privacidade, a fim de conhecer e poder decidir sobre a privacidade dos dados, de forma consciente e informada;

5 – Dê permissão apenas aos cookies estritamente necessários ao funcionamento do site ou aplicativo;

6 – Acesse as configurações de segurança e de privacidade dos aplicativos e restrinja os acessos aos dados que nãos sejam estritamente necessários para o seu funcionamento;

7 – Oriente crianças e adolescentes a não postar informações que revelem hábitos e rotinas dela e da família.

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