Vacinas: nossa principal esperança no controle da pandemia

A pediatra Talita Rizzini fala sobre a importância das vacinas – contra covid-19 e contra a gripe – e faz um alerta sobre as fake news

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Vacinas: nossa principal esperança no controle da pandemia; pessoa de bata branca, máscara e luvas azuis segura vacina nas mãos
O acesso a vacinas tende a aumentar com o crescimento da produção global, alimentando nossa esperança de até o final do ano estarmos vivendo em condições de melhor controle da pandemia

Leia em 3 minutos

Apesar de as notícias referentes à pandemia do coronavírus serem desalentadoras, com recordes de óbitos diários e o colapso iminente do sistema de saúde, hoje já temos motivo para conseguir ver a luz no fim do túnel: as vacinas. Já são mais de 6 milhões de doses aplicadas no Estado de São Paulo, doses que seriam suficientes para imunizar países inteiros. No entanto, estamos diante de um país continental e os desafios são tão grandes quanto a nossa extensão territorial.

Ainda assim, dados do fim do ano de 2020 indicavam quase 300 vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus, em estudos pré-clínicos e clínicos, com o enunciado recente de que teremos uma vacina 100% brasileira e de baixo custo, a Butanvac do Instituto Butantan.

Os óbitos nas faixas etárias dos mais idosos, que foram priorizados na campanha de vacinação, já começam a cair e o acesso a vacinas tende a aumentar progressivamente com o aumento da produção global, alimentando nossa esperança de até o final do ano estarmos vivendo em condições de melhor controle da pandemia, apesar de lamentarmos a quantidade de vidas que nos deixaram enquanto isso.

Ainda sobre vacinas, hoje tenho três orientações importantes que quero compartilhar.

1. Atenção às fake news. É preciso manter o cuidado e o alerta máximo com as fake news: essa é a primeira pandemia que a humanidade enfrenta na era da internet e da globalização e o que se viu foi também uma pandemia de notícias falsas. As vacinas não fugiram à regra. Dados da Agência Lupa mostram que 81% das notícias falsas sobre o coronavírus que circularam nos últimos seis meses tiveram a vacinação como alvo principal. É impressionante ver a velocidade com a qual se espalham esses boatos e como não existe imunidade mesmo entre grupos com alta escolaridade. Exemplo recente foi a circulação de um chamado de voluntários para um estudo de vacinas em crianças. O site de um instituto de pesquisa brasiliense chegou a ser compartilhado até por perfis internacionais e teve que ser retirado da rede por consequência da veiculação de notícias falsas. O número de pessoas que chegou a preencher o questionário não foi divulgado, mas o que chama mesmo a atenção é que essa notícia circulou como verdade em grupos de mensagens de médicos pediatras até que houve o questionamento e descobriu-se que não passava de fake news.

Uma dose de ceticismo adicional se faz ainda mais necessária quando levamos em conta o fornecimento de dados pessoais. Desconfie sempre. Protejam-se contra o vírus, mas também contra as notícias falsas.

2. Cuidado com o atraso vacinal. A queda na cobertura vacinal durante a pandemia não é uma exclusividade brasileira – o fenômeno é mundial, mas dados de um levantamento realizado pelo IBOPE no final de 2020 revelam que 29% dos pais adiaram a vacinação dos filhos após o surgimento da pandemia, significando que 1 em cada 3 famílias possuem cadernetas vacinais atrasadas. A OMS classificou como alarmante o declínio do número de crianças e adolescentes vacinados e alertou para o risco de que sejam perdidas as conquistas da proteção vacinal. Temos um calendário vacinal bastante completo e respeitado. Se por aí temos alguma vacina em atraso, considere atualizar a carteirinha o quanto antes.

3. Campanha de Vacinação contra a Gripe (Influenza). Por último, mas não menos importante: começou no dia 12 de abril a imunização pelo SUS, conforme o próprio Canguru News já noticiou, em âmbito nacional, com a vacina trivalente também produzida pelo Instituto Butantan e público-alvo inicial sendo crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas, povos indígenas, trabalhadores da saúde e idosos com 60 anos ou mais. Professores, pessoas portadoras de doenças crônicas ou com deficiência permanente, forças de segurança, caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo, além de funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade deverão ser contemplados em novas fases da Campanha.

Em paralelo, a vacinação para o coronavírus pandêmico continua e recomenda-se intervalo mínimo de 14 dias entre as doses das diferentes vacinas.

Se já era importante a vacinação contra a gripe nos anos anteriores, nesse momento em que estamos vivendo o pior momento da pandemia, devemos dar ainda mais importância a essa campanha nacional. Ao proteger a população da influenza, menos pessoas necessitarão utilizar recursos hospitalares, o que ajuda o sistema de saúde a reservar esforços para o Sars-Cov-2.

Havendo dúvidas, converse com seu Pediatra. Informação de qualidade também é nossa arma no enfrentamento da Covid-19.


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