4 texturas de alimentos que podem causar recusa nas crianças; saiba como apresentá-los

Profissional ensina técnicas simples para incluir no cardápio alimentos de texturas desafiadoras

4 texturas de alimentos que podem causar recusa; veja como oferecê-los; bebê sentado em cadeirinha olha para brócolis e outros alimentos dispostos a sua frente
Criança seja estimulada a tocar na comida

Leia em 4 minutos

A introdução alimentar no bebê é uma fase muito importante para a formação de hábitos alimentares saudáveis e equilibrados. Porém, ela pode ser penosa para muitos pais, que querem que os filhos aprendam a comer “de tudo”, mas encontram resistência dos pequenos em experimentar novos alimentos. Sem saber como lidar com a seletividade, muitos pais acabam cedendo às vontades das crianças, adotando um cardápio com pouca variedade de nutrientes que pode trazer problemas futuros de saúde.

Para evitar isso, especialistas orientam que a introdução alimentar seja feita de forma gradual, incorporando os alimentos um a um, de forma separada, inicialmente, e depois combinados, para que a criança se acostume com a transição da ingestão de leite materno para alimentos sólidos e pastosos. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a introdução alimentar seja iniciada a partir dos 6 meses de idade, devendo a amamentação ser exclusiva e em livre demanda antes desse período. Segundo Carla Deliberato, fonoaudióloga dedicada ao tratamento da recusa e seletividade alimentar em crianças de 6 meses a 12 anos, o período requer paciência para encontrar maneiras agradáveis da criança entrar em contato com o alimento e aceitá-lo naturalmente.

A seguir, a fonoaudióloga lista os alimentos mais desafiadores para as crianças em relação a sua textura e sugere estratégias para introduzi-los no cardápio. Confira!


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Alimentos com texturas fibrosas 

Embora sejam essenciais para a digestão e funcionamento do corpo, as crianças podem estranhar frutas como manga, melancia ou melão, pela quantidade de líquidos e umidade, se comparados a outros alimentos. Por essa razão, Carla sugere que essas frutas sejam introduzidas aos poucos e combinados com texturas já conhecidas pela criança. Inicialmente, elas podem ser servidas raspadas e, depois, em pedaços bem pequenos combinados com outras frutas já aceitas. Se preciso, as frutas podem ser ofertadas por meio de suco, sem coar, até a que criança se acostume com a textura fibrosa. Já as carnes, que também podem causar desconforto num primeiro momento, podem ser oferecidas mais processadas. Por exemplo, hamburguinho caseiro ou almôndegas, e posteriormente podem ser ofertadas cozidas e em pedaços pequenos, facilitando a aceitação da textura na boca da criança e também contribuindo para o aprendizado gradual da mastigação.

Alimentos duros

Da mesma maneira que alimentos fibrosos criam sensações diferentes na boca, os mais secos e duros como torradas e alguns tipos de carnes e frangos grelhados também podem causar estranheza. Uma forma de evitar a recusa é servi-los em pequenas quantidades, bem picados, sempre respeitando o tempo para a mastigação das crianças. Além disso, podem ser oferecidos com diferentes preparos e combinados com outras texturas.

Grãos 

Quando mastigados, grãos como feijão e lentilha se espalham pela boca e isso faz com que a criança tenha dificuldade de “organizar” os pedaços triturados dentro da cavidade oral, o que lhe exige mais paciência com todo o processo. Oferecê-los bem cozidos e em forma de bolinhos é uma forma de torná-los mais atrativos. Amassar os grãos é outra alternativa que pode facilitar a introdução, até que as crianças desenvolvam o paladar; entretanto, essa deve ser uma estratégia temporária, visto que a mastigação é importante para o fortalecimento dos músculos da face.

Alimentos pegajosos

Sopas cremosas e purês de legumes são nutritivos, mas não devem ser únicos na refeição, já que a textura líquida e a pastosa exigem menos da mastigação. Esses alimentos tampouco devem ser batidos no liquidificador, mas sim amassados com um garfo, e aos poucos passarem a ser oferecidos em pedaços picados. Segundo a fonoaudióloga, o indicado é combinar texturas diferentes para estimular o exercício dos músculos faciais, caso contrário a criança pode desenvolver “preguiça” de mastigar e prejudicar a introdução de outros alimentos. Isso é importante também para que as crianças aprendam a diferenciar líquidos de sólidos.

Outras dicas que podem ajudar na introdução

Carla recorda que a introdução alimentar é um momento muito especial e de conexão entre pais e filhos. “Desde o preparo, até a refeição, é importante incluir as crianças em todos as etapas que envolvem a alimentação, pois além da familiaridade com o alimento, a prática reserva momentos incríveis e afetuosos em família”, afirma. Ela orienta que a criança seja estimulada a tocar na comida. “Tudo deve ser uma descoberta agradável, independentemente dela gostar do alimento ou não. O importante é a criança estar disposta a interagir com os alimentos, manipulando, provando, cheirando, lambendo ou mordendo. É isso que desenvolverá o paladar dela e contribuirá para o aprendizado alimentar da criança”, ressalta a especialista.

Temperos são permitidos!

Ao contrário do que pensam muitos pais, a comida para as crianças deve ser temperada, sim, porém, com ingredientes naturais, que garantam sabor e aroma ao prato. A contraindicação diz respeito aos temperos industrializados, devido à grande quantidade de sódio e conservantes, que não são nada saudáveis. “Comida sem sabor não é atrativa e ainda pode criar  rejeição do alimento na criança. Na medida certa, o tempero é saudável e importantíssimo para desenvolver o paladar”, conclui Carla.


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