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Existe idade certa para dar um pet às crianças?

Adquirir um animal de estimação para o seu filho, além de gerar momentos inesquecíveis entre eles, pode fazer com que a criança tenha uma vida mais saudável e feliz. Estudos mostram que ter um pet em casa pode trazer diversos benefícios aos pequenos, entre os quais, melhoras na saúde, nas questões emocionais e no senso de responsabilidade. Porém, muitos pais têm receio dos cuidados que terão de assumir com o novo membro da família, e se questionam quanto às tarefas que podem ser passadas às crianças e a partir de que idade.
A especialista em psicologia clínica Bruna Richter, do Rio de Janeiro, diz que, mais do que definir uma idade padrão, é importante perceber em que momento surge esse interesse da criança pelo animal. “Embora muitos defendam que isso ocorra por volta dos 4 anos, por estar num estágio da coordenação motora que lhe permite entender melhor os limites entre ela e seus bichanos, não existe uma idade mínima estabelecida”. Além de andar e se movimentar satisfatoriamente, é importante que a criança seja capaz de entender que o bicho merece respeito e não pode ser maltratado.
A ONG Cidadania Animal, localizada em São Caetano do Sul, no grande ABC paulista, não permite a adoção de animais para famílias com crianças que tenham menos de 3 anos de idade. Para garantir a segurança das famílias e dos pets, a entidade faz campanhas de conscientização e segue uma série de protocolos para a adoção: o adotante tem que ser maior de idade, comprovado por documento com foto, e todos que moram na residência precisam estar de acordo com a aquisição do animal, para que não haja hipótese de uma possível devolução.
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Responsabilidade e conscientização
Para saber qual a melhor decisão para a família e o bem-estar do animal, existem diversos pontos a considerar. “As pessoas precisam estar preparadas para receber um cão ou gato em casa e dar-lhe todo o amparo necessário, desde suprir as necessidades básicas até o gasto financeiro com saúde e bem-estar. Achamos importante enfatizar que é uma vida, como a de um familiar, que necessita do mesmo zelo, paciência, carinho e amor”, destaca Ubiratan Figueiredo, criador da ONG SOS Cidadania Animal. Não raro, os animais adotados são devolvidos como mostram dados recentes: um levantamento feito pela ONG Ampara Animais, mostrou que em 2020 o abandono de animais, que é crime, cresceu em 70%.
Os pais também devem ter claro que serão responsáveis por comprar a ração do animal, levá-lo ao veterinário, dar banho e cuidar dos horários dos passeios e da alimentação. Por mais que as crianças possam ajudar em algumas dessas tarefas – sempre supervisionadas pelos pais, elas não podem ser responsabilizadas pelas mesmas.
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Contato com pet pode reduzir riscos de alergias nas crianças
Várias pesquisas mostram que a saúde da criança pode ser impactada de forma positiva com a presença de animais no cotidiano. A Universidade de Melbourne, na Austrália, por exemplo, apontou em 2016 que crianças de até 5 anos que conviveram com animais, posteriormente adquiriram resistência a algumas doenças. “O contato precoce com animais de estimação diminui o risco de alergias futuras, e é uma forma da criança ter mais contato com antígenos e alérgenos”, informa a médica pediatra Kelly Oliveira, formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.
A pediatra ressalta também quanto à importância de tomar os cuidados certos com higiene do pet e manter a vacinação em dia, principalmente na presença de bebês. Além dos pontos positivos na saúde infantil, a presença animal pode ajudar no desenvolvimento emocional.
“Quando convivem com pets desde cedo, os pequenos expressam mais facilmente sua afetividade e entendem melhor a importância de desenvolverem o cuidado com o outro. Eles entendem que é necessário limite, cumplicidade, carinho, generosidade e afeto nessa relação. Desenvolvem também o senso de responsabilidade, além de ter acrescido seu senso de autoestima e de ter sua autoimagem fortalecida”, explica a psicóloga Bruna Richter.
São muitos os motivos que mostram o quão benéfica é essa interação e caberá aos pais avaliar se é o momento certo para tal.
Leia também: Um pet na pandemia: como os animais de estimação podem ajudar as crianças
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Juliana Florido
Estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, curiosa e apaixonada pela profissão. Adora escrever sobre saúde e cultura. Sempre utiliza suas vivências como motivação para escrever textos com os quais o leitor se identifique.
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