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Viagens com pets: como levá-los de forma segura
Quando chegam as férias e há uma viagem marcada, quem tem um animal de estimação pode ficar no dilema quanto ao que fazer com o bichinho. Afinal, para muitas famílias, ele é considerado mais um integrante da casa e nem todo mundo gosta de deixá-lo com terceiros por vários dias seguidos. Para evitar isso, muitos optam por levar o animal junto.
A depender da viagem, dá um certo trabalho transportá-lo até o destino, e alguns pets ficam estressados por não entender bem o que está acontecendo, já que ele terá uma rotina completamente diferente da que está habituado – assim como todos os viajantes, não é mesmo? Mas no fim, poder se divertir junto com o bichinho pode valer muito a pena. Principalmente, no caso das crianças, que terão companhia o dia inteiro, podendo incluir o pet nas brincadeiras das férias.
Hoje em dia, existem formas seguras de realizar o transporte animal sem provocar traumas no bichinho. A seguir, especialistas orientam quanto aos cuidados a tomar durante o trajeto – seja em viagens de carro, ônibus ou avião – e também ao chegar o destino desejado. Confira mais detalhes abaixo!
Como transportar o seu animal de estimação
Atualmente já existem caixas adequadas para locomoção. A recomendação frequente é que elas sejam feitas de material resistente, com base impermeável absorvente, ventilação adequada e com espaço suficiente para que o animal possa girar ao redor de si mesmo.
De acordo com Amanda da Silva Arsoli, médica veterinária e pós-graduanda em nutrição de cães e gatos, caso o animal não esteja acostumado a ser levado em uma caixa de transporte, é importante realizar treinos para que se familiarize com a mesma .”Tentar utilizar a caixa de transporte como cama do animal nos dias que antecedem a viagem pode ser uma solução para tornar este item mais confortável para o pet. Porém, é importante nunca forçar o animal a entrar no espaço, esta ação deve acontecer de forma voluntária, sob o comando do tutor”, sugere a especialista.
Atestado de saúde
De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “em viagens aéreas ou rodoviárias, cães e gatos transitam no País sem a necessidade da Guia de Trânsito Animal (GTA). É obrigatório, porém, o porte de atestado de saúde, emitido por um médico veterinário inscrito no Conselho Regional de Medicina Veterinária”.
Ainda segundo o órgão, para outras espécies — como aves, coelhos, furões e iguanas — a GTA é obrigatória e deve ser expedida por um veterinário habilitado pelo Ministério da Agricultura ou pelo órgão estadual executor da defesa sanitária. “Buscar o atendimento com médico-veterinário especializado antes da viagem é essencial, pois somente este profissional estará apto para atestar o estado de saúde do animal e quais são as necessidades e cuidados que a espécie precisará durante o percurso”, explica Amanda. Contudo, além da documentação, os cuidadores precisam se atentar ao comportamento do animal de estimação.
Leia também: 4 dicas do que observar antes de adquirir um animal de estimação
Cuidados durante o trajeto
Segundo a médica veterinária, cada espécie possui um cuidado diferente. “Por exemplo, para os cães e gatos, é muito importante proporcionar uma segurança durante a viagem por meio do uso obrigatório da caixa transporte, que deverá ser fixada no veículo pelo cinto de segurança”, esclarece.
Viagens de carro – Nada de levar o animal de estimação solto no colo, no banco da frente ou mesmo com a cabeça para fora da janela, o que pode ser muito perigoso. Objetos como folhas, galhos e pedras podem entrar nos olhos do bicho, ele pode querer pular para fora do veículo ou pisar no controle da janela, por exemplo.
“É primordial fazer pequenos intervalos durante a viagem, nunca deixar o pet em locais fechados, sem ventilação e abafado. Dependendo da distância do seu destino final, é válido realizar paradas a cada 2 ou 3 horas, além de aproveitar esses momentos para hidratar o animal e permitir que ele faça as suas necessidades”, sugere Amanda.
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Viagens de ônibus – É preciso verificar as normas da companhia rodoviária. Nem todos os animais e raças são permitidos, e é necessário um atestado sanitário para o transporte. Para cães-guia, as regras podem variar. Como nesses meios de transporte podem ter outras pessoas e animais, ainda é preciso redobrar a atenção.
Viagens aéreas – As regras dependem de cada companhia. No site da empresa, você irá encontrar informações sobre o recipiente apropriado para levar o animal de estimação, bem como a documentação prévia necessária para o embarque. O fato de o pet ser transportado na cabine junto ao passageiro ou no compartimento de carga dependerá do porte do bichinho.
Sons e cheiros durante a viagem – De acordo com o Código Sanitário do Ministério da Agricultura, “embora a maioria dos animais domésticos tenha um olfato altamente sensível, eles podem reagir de maneiras diferentes aos odores encontrados durante a viagem”. Assim, é preciso se atentar aos cheiros que possam provocar reações negativas, como o perfume de outra pessoa dentro do ônibus. Os sons da viagem também devem ser levados em consideração, pois os animais domésticos são mais sensíveis a altas frequências. “Eles tendem a se alarmar com ruídos altos e constantes, e ruídos repentinos, que podem fazer com que entrem em pânico”, alerta o Ministério.
Alimentação – Outro detalhe importante é a comida do animal de estimação. “Para evitar vômitos e/ou enjoos durante o trajeto, faça com que o pet se alimente três horas antes da viagem e pergunte ao médico veterinário se o mesmo recomenda alguma medicação que contribua para o bem-estar do animal”, aconselha Amanda Arsoli.
Remédios calmantes – É comum que muitas pessoas ofereçam tranquilizantes sem prescrição aos bichinhos, para que fiquem mais calmos durante a viagem, mas essa não é a solução adequada. “Este tipo de medicamento atua como um calmante para o animal, no entanto, a utilização de medicamentos deve ser prescrita e orientada pelo médico veterinário, pois a administração inadequada pelo tutor pode ser fatal. Sendo assim, este profissional irá avaliar todo histórico do pet, o estado físico atual e prescreverá o medicamento mais adequado para esta situação”, alerta a médica veterinária.
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Preparação prévia de cães
A preparação antes da viagem para evitar problemas e traumas vai muito além do que adquirir uma caixa de transporte ou consultar um médico veterinário. É preciso expor os animais domésticos ao contato com outros animais para que se habituem com a socialização e assim não estranhem (e mesmo tenham reações inusitadas) ao passar por essa vivência. “É igual mimar criança e impedir que estabeleça uma conexão com o mundo e uma boa relação com a vida adulta. É o que acontece com o cachorro”, exemplifica Diogo Fontes, adestrador de cães.
Segundo o profissional, os cuidadores acabam humanizando demais o animal de estimação, permitindo que subam em sofás e camas, deixando de passear com ele pelo bairro ou evitando a interação com outros cachorros. Porém, é essencial que ele tenha essas experiências antes que a família resolva levá-lo em uma viagem. “Se o cachorro nunca viveu isso, é melhor não viajar com ele, pois será exposto a uma situação diferente, morder alguém, por exemplo, à qual os donos podem ser pegos de surpresa e ficar sem saber o que fazer na hora do ocorrido. Isso vai gerar vários problemas, inclusive traumas”, explica Diogo.
Para evitar problemas, o adestrador sugere que sejam feitos passeios regulares com o animal de estimação, e que ele seja também levado a lugares diferentes do que está habituado e ainda que possa interagir com outros cães. “Não tem uma dica para você viajar com seu cão, tem uma dica para você ter um cão feliz e saudável, tanto fisicamente quanto mentalmente”, pontua.
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Animais silvestres
No caso de animais silvestres, como aves e tartarugas, o transporte é um pouco diferente. No caso dos pássaros, existem contentores de plástico que garantem uma melhor ventilação durante o transporte. De acordo com o Ministério da Agricultura, de forma geral, “os animais devem ser posicionados de maneira que seja possível observá-los com regularidade durante a viagem, garantindo sua segurança e bem-estar. Geralmente, estas condições não serão aplicadas as aves; no entanto, devem ser feitos esforços para observar as condições gerais dentro dos contentores”.
No entanto, tenha cautela: as aves podem se estressar com facilidade. Já tartarugas e répteis costumam sentir menos o impacto da movimentação. Mesmo assim, devem ser transportadas em ambientes que garantam condições adequadas de temperatura, alimentação e hidratação.
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Érica Travain
Jornalista graduada pela UNESP e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Há seis anos escreve sobre saúde, comportamento e história. É extremamente curiosa, apaixonada por gastronomia e adora ler sobre desenvolvimento humano.
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