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Lentes de contato na infância: saiba prós e contras
Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia apontam que a visão das crianças tem exigido o uso de métodos de correção cada vez mais cedo. Segundo o órgão, na última década o índice de crianças entre 6 e 9 anos de idade que apresentaram problemas de visão passou de 10% para 20%. Pensando nisso, surge o questionamento, que tal o uso de lentes de contato durante a infância?
Mesmo que as lentes sejam populares entre os adultos, principalmente por proporcionarem, para muita gente, liberdade e praticidade no dia a dia, grande parte dos pais ainda tem receios sobre a segurança de seu uso em crianças. Por demandarem higienização e cuidados específicos, as lentes de contato acabam sendo esquecidas durante a infância, ainda que possam proporcionar benefícios.
A partir de que idade o uso é recomendado?
Segundo especialistas, as lentes de contato podem ser utilizadas a partir dos 11 anos de idade, com foco na correção da miopia, caracterizada pela dificuldade em enxergar de longe, e da hipermetropia, quando existe dificuldade em enxergar de perto. O recomendado é que o uso seja realizado de maneira esporádica, principalmente durante a prática de esportes e eventos sociais.
“Há situações especiais que podem fazer com que a criança use lentes de contato mais cedo, como por exemplo o controle de miopia. Existem estudos mostrando que crianças já conseguem colocar e tirar as lentes de contato sozinhas. De qualquer forma, sempre oriento que a responsabilidade de verificar o uso correto e higiene seja dos pais e não das crianças”, explica o oftalmologista Hallim Feres, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
O uso das lentes na infância
Durante a infância, por questões higiênicas, as lentes descartáveis de uso diário são as mais utilizadas. “Sempre recomendo as lentes de descarte diário em vez das lentes de troca programada. Nessa fase, é importante ter sempre uma lente nova nos olhos para evitar ainda mais os riscos”, relata Hallim.
As crianças devem ser instruídas com bastante cuidado acerca dos procedimentos necessários para a manutenção de uso. Entre os principais cuidados estão: não dormir com as lentes, evitar coçar os olhos, manter constante lubrificação durante o uso e realizar todos os passos de aplicação com as mãos lavadas. “Além dos cuidados na aplicação, é importante que as lentes sejam lavadas com solução antisséptica própria e guardadas em um estojo limpo, que contenha essa mesma solução”, afirma a oftalmologista pediátrica Márcia Keiko Tabuse, presidente do Departamento de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
O oftalmologista reforça a importância do cuidado e atenção constante dos pais:
“Todos os passos de lavar as mãos, colocar e tirar as lentes devem ser acompanhados pelos pais, que precisam entender a responsabilidade de conferir se a criança tirou as lentes antes de dormir, por exemplo. Nunca os pais devem transferir essa responsabilidade para os filhos”, ensina Márcia Tabuse.
Além disso, a oftalmologista sustenta que é importante que “os óculos estejam sempre atualizados e disponíveis para qualquer eventualidade, e nunca colocar lentes de contato com alguma irritação, dor ou vermelhidão nos olhos”.
Quais as contraindicações?
Quando os pais não podem realizar esse acompanhamento cuidadoso e detalhado com seus filhos, monitorando regularmente tanto a higienização na aplicação das lentes, o uso não é recomendado. “A lente é aplicada dentro do olho e tem que ser manipulada, colocada e tirada todos os dias, o que aumenta muito o risco de infecção e trauma sobre a córnea. Além disso, a lente reduz o aporte de oxigênio que chega direto do ar para a córnea e por isso existe um tempo limite de uso”, esclarece Márcia Keiko Tabuse.
Por se tratar de uma região sensível, o uso é contraindicado quando a criança tem dificuldade na adaptação, mesmo após testar diversas marcas e opções. Lentes com mau encaixe, além de trazerem desconforto, podem provocar prejuízo à visão, ocasionando possíveis inflamações e infecções.
Benefícios do uso
Entre os maiores benefícios do uso durante a infância estão principalmente a maior autonomia e liberdade das crianças, que podem se sentir mais à vontade durante a prática de esportes, passeios e eventos sociais. Muitas crianças se sentem visualmente desconfortáveis ao utilizarem óculos, e o uso das lentes pode auxiliar na autoestima.
“Uma criança que precisa tirar os óculos para jogar futebol (ou que passa o jogo mais preocupada com os óculos do que com a bola) não vai performar adequadamente. Poder enxergar bem enquanto pratica seu esporte favorito faz toda a diferença na performance, e consequentemente na confiança e autoestima”, explica Hallim Feres.
Segundo o oftalmologista, pode ser que a criança, socialmente, também prefira usar lentes de contato em vez de óculos: “Nesse caso, claro que as lentes também ajudam”. “Mas, é importante ajudar a criança ou adolescente a entender que o valor dela é muito maior do que essa percepção (errada) de ela ser mais fácil de ser aceita de um jeito ou de outro”, enfatiza o médico.
“Eu comecei a utilizar lentes de contato bem nova, quando tinha 12 anos. Fiz isso porque já estava naquela idade em que comecei a frequentar festinhas, adorava me maquiar, e os óculos me atrapalhavam. Por um lado foi muito bom, me trouxe uma autonomia social e me senti bem esteticamente, mas, por outro lado, acabou ressecando bastante meus olhos, o que me incomodou muito”, revela Maria Edhuarda Castro, estudante de jornalismo.
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Maria Clara Villela
Maria Clara Villela é estudante de jornalismo na faculdade Cásper Líbero. Fascinada por escrita, já desenvolveu textos em diversas editorias, incluindo esporte, parentalidade e política, suas maiores paixões.
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