Gravidez tardia: a história de uma mãe aos 53 anos

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Gravidez Tardia

Descobrir o momento certo para engravidar pode ser uma decisão muito difícil: além dos aspectos pessoais da mulher, como carreira e relacionamento, entra em campo a realidade biológica do corpo feminino. Essa definição pode ser ainda mais delicada nos casos de gravidez tardia.

Muitos especialistas divergem sobre qual seria a idade ideal para engravidar, mas há certo consenso em que, a partir dos 40 anos de idade, a gravidez pode ser considerada tardia, o que envolve um cuidado ainda maior das mamães por conta de riscos envolvidos.

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Porém, com a ajuda de tratamentos de fertilização e outras técnicas médicas, esse tipo de gravidez tem se tornado cada vez comum entre mulheres de 40, 45 e até depois dos 50 anos. É o caso da representante comercial paulista Claudia Fernandes Lopes, que aos 53 anos de idade teve seu primeiro filho, Anthony, hoje com dois meses e meio.

As tentativas de engravidar

Claudia viveu durante dez anos em Londres, na Inglaterra, onde conheceu Stuart Clarke, seu atual namorado, no trabalho. À época, os dois se tornaram amigos, mas não chegaram a começar um relacionamento conjugal. Foi só em 2015, três anos depois de voltar ao Brasil, que Stuart visitou o Brasil, e ambos se apaixonaram após conviverem por mais tempo juntos. Ela tinha 49 anos e, ele, 42.

“Eu perguntei para ele: ‘olha, você sabe que eu não posso mais ter filhos, né?’ Como ele queria muito [ter filhos], ele me estimulou a procurar alguma ajuda médica para ver se era possível”, conta Claudia.

Ela procurou quatro médicos em São Paulo até se decidir por uma profissional: “Eu queria não só um bom médico, mas um médico acolhedor”.

Foram quatro anos de tratamento de fertilização, que envolveram vários obstáculos: ela fez seis cirurgias, incluindo a retirada de dois miomas do endométrio. Em alguns momentos, pensou em desistir, mas quis tentar todas as possibilidades para ter a certeza.

“O Stuart queria ter [um filho] mais do que eu, porque eu já tinha colocado na minha cabeça que não ia dar mais, que eu já estava com quase 50 anos, mas ele reacendeu essa chama. Então, eu me preparei para receber todas as respostas negativas, mas que eu tentaria até o fim”, relata Claudia. Durante as tentativas de fertilização, ela chegou a fazer três transferências de embrião, mas nenhuma deu certo.

Enfim, a boa notícia

Claudia conta que rezou muito e chegou a fazer promessas para conseguir engravidar. No ano passado, quando tinha 52 anos, fez um novo exame, no qual foram encontrados dois folículos no endométrio, o que ajudou a preparar naturalmente o organismo para uma nova experiência de transferência. “Sinceramente, eu não acreditava que ia dar certo. Nem filmei o procedimento nem fiz outros registros por não acreditar.”

Seis dias depois, quando fez o teste de farmácia “por desencargo de consciência”, como diz, o resultado do exame deu positivo para gravidez. Em seguida, fez dois exames laboratoriais para comprovar, e constatou que realmente estava grávida.

“Eu não conseguia acreditar! Meu namorado achou que poderia haver algum erro no exame, mas depois eu o tranquilizei e disse que era aquilo mesmo: eu estava grávida”.

Stuart e Claudia aguardando o pequeno Anthony. Imagem: Arquivo pessoal/Claudia Lopes

Os nove meses de gravidez

Após a surpresa boa, toda a rotina foi adaptada para cuidar do bebê que estava a caminho. A mãe de Claudia, que tem 77 anos, se mudou de Praia Grande, litoral sul de São Paulo, para junto da filha, e se encarregou de todos os serviços da casa.

Por conta de seu histórico clínico, a representante comercial teve de trabalhar de casa e parou de dirigir com cinco meses de gravidez. “Tive sorte, porque muitos clientes e colegas entenderam a situação, e me apoiaram durante esse processo”, conta Claudia.

Com 18 semanas, um novo desafio surgiu: ela desenvolveu diabetes gestacional e teve de redobrar os cuidados com a alimentação. “Eu tive que fazer uma dieta muito restrita e com horários rígidos. Durante esse período, eu só comia para o Anthony”, lembra. Além disso, recorda que se cansava com tarefas simples, como lavar o cabelo.

As consultas eram semanais. “É capaz até de o neném nascer melhor, porque a gente tem um acompanhamento muito maior”, brinca Claudia, falando sobre os casos de gravidez tardia.

Com 36 semanas, um exame de glicemia apontou que os níveis de glicose estavam baixos. Ao examinarem mais a fundo, os médicos disseram que a placenta poderia parar de funcionar a qualquer momento por conta de uma aderência à parede uterina . Portanto, recomendaram a internação de Claudia para realização do parto.

Apesar da correria e das dificuldades no parto por conta da idade e do histórico da estrutura corporal, Anthony enfim nasceu no dia 28 de novembro de 2019. Três dias depois, mãe e filho receberam alta e voltaram para casa.

Acompanhamento médico na gravidez tardia

Hoje, Claudia se divide entre os cuidados do filho e as demandas do trabalho – como é autônoma, ela decidiu não parar completamente o serviço . “O mais difícil é adaptar a rotina, mas quando você vê o sorriso dele, percebe que vale muito a pena”, conta. Após anos de carreira e de vivência, agora pode realizar o desejo de ser mãe.

Ela diz que, para mães que pensam em ter filhos mais tarde, é essencial ter apoio tanto da família quanto de um bom médico. “A gravidez de fertilização não é uma gravidez normal. Por isso precisa ter um bom médico, alguém em quem você possa confiar e te acompanhe de perto ao longo de todo o processo, diz”.

Claudia também participa de vários grupos de dúvidas sobre fertilização nas redes sociais, para ajudar outras mulheres com mais de 40 anos. Ela compartilha a experiência da gravidez tardia, a atuação como mãe e o aprendizado sobre protocolos e exame que teve ao longo de quatro anos de tentativas.

A representante comercial recebeu um chá de bebê organizado pelo programa Chá dos Sonhos – Lá vem o bebê, exibido pelo canal fechado Discovery Home & Health. No episódio, a Claudia conta sobre essa história. Confira a íntegra do programa:

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