Por uma educação mais consciente: sugestões para combater a diferença de gênero nas escolas

O educador parental Mauricio Maruo propõe ações que pais e escolas podem trabalhar em conjunto para evitar desigualdades entre meninos e meninas

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A cultura da diferença de gêneros nas escolas
Propostas de brincadeiras nas escolas não devem ser diferenciadas de acordo ao gênero das crianças

Talvez você já tenha ouvido ou presenciado dentro da escola dos seus filhos as seguintes frases:

“Agora, esse é o time das meninas e esse é o time dos meninos.”

“Esses são brinquedos para meninas e esses para meninos.”

“Rosa para as meninas e azul para os meninos.”

Isso é mais comum do que imaginamos e se você não ficou incomodado com essas frases, pode ser que faça parte das estatísticas dos que não têm consciência que essas atitudes estão relacionadas ao machismo estrutural: quando a prática do machismo – que leva a crer que homens e mulheres, por suas diferencas, devem desempenhar papeis diferentes na sociedade – não se limita a uma ou outra pessoa, mas sim é algo que já faz parte das crenças e valores da sociedade .

Alimentar a diferença de gênero com o propósito de rotular cada gênero sobre qual conduta eles devem seguir baseado simplesmente pelo seu sexo, é extremamente prejudicial ao desenvolvimento infantil.

Sim, existem diferenças fisiológicas entre meninos e meninas, isso é fato, mas a orientação sobre o desenvolvimento comportamental das crianças deveria ser 50% responsabilidade dos pais e 50% responsabilidade da sociedade, ou se preferir, da educação pública ou privada, já que por lei as crianças devem estar matriculadas em algum sistema de ensino dos 4 aos 17 anos de idade.

Diante desses fatos, trago aqui algumas sugestões de como nós pais podemos conscientizar nossos filhos(as) sobre igualdade e equidade de gêneros e ajudar a criar uma sociedade mais justa e humana.

Sei que cada indivíduo é diferente e, com isso, cada um tem sua motivação para criar esse movimento de mudança. Tomei a liberdade de separar algumas atitudes que podemos adotar junto com as escolas para contribuir com uma educação mais consciente.

Atitude familiar moderada:

Converse com seu filho(a) toda vez que ele trouxer questões onde existem desigualdade ou separações de gêneros. Um bom exemplo é falar sobre o que eles acham da separação de brinquedos para meninas e para meninos dentro da escola. Recorde que um carrinho, uma boneca ou uma bola podem ser interessantes tanto para as meninas quantos para os meninos.

Atitude de engajamento:

Converse com a associação de pais e mães da escola dos seus filhos e tente propor soluções de condutas para minimizar a normalização das diferenças. Já parou para pensar que talvez os professores e diretores não percebam que estão tendo essas atitudes?

Um bom exemplo é sugerir atividades onde essas diferenças sejam minimizadas, como o dia das bonecas ou o dia dos carrinhos, data na qual todas as crianças devem brincar apenas com esse brinquedo.

Atitudes de ativismo:

Se você, assim como eu, se incomoda muito com essa questão, uma dica que eu posso dar é: a força de uma comunidade é poderosíssima.

Crie movimentos na sua comunidade para mudar condutas de ensino frente à prefeitura do seu bairro.

Pense que assim como a escola do seu filho possa ter essas atitudes de diferença de gênero, muitas outras também estejam no mesmo caminho.

Um bom exemplo é criar programas de reciclagens e conscientização sobre diferença de gênero e temas relacinados para os profissionais de ensino e apresentar esses programas às prefeituras.

Afinal, uma comunidade que se movimenta junto vai mais longe.



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É pai da Jasmim, 4 anos, e companheiro da Thais. Formado como artista plástico, atua como educador parental desde 2016. É fundador do "Paternidade Criativa", uma empresa de impacto social que cria ferramentas de transformação masculina através do gatilho da paternidade. Criador do primeiro jogo de Comunicação Não Violenta direcionado para pais e crianças do Brasil.

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