Por uma educação mais consciente: sugestões para combater a diferença de gênero nas escolas

O educador parental Mauricio Maruo propõe ações que pais e escolas podem trabalhar em conjunto para evitar desigualdades entre meninos e meninas

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A cultura da diferença de gêneros nas escolas
Propostas de brincadeiras nas escolas não devem ser diferenciadas de acordo ao gênero das crianças

Leia em 3 minutos

Talvez você já tenha ouvido ou presenciado dentro da escola dos seus filhos as seguintes frases:

“Agora, esse é o time das meninas e esse é o time dos meninos.”

“Esses são brinquedos para meninas e esses para meninos.”

“Rosa para as meninas e azul para os meninos.”

Isso é mais comum do que imaginamos e se você não ficou incomodado com essas frases, pode ser que faça parte das estatísticas dos que não têm consciência que essas atitudes estão relacionadas ao machismo estrutural: quando a prática do machismo – que leva a crer que homens e mulheres, por suas diferencas, devem desempenhar papeis diferentes na sociedade – não se limita a uma ou outra pessoa, mas sim é algo que já faz parte das crenças e valores da sociedade .

Alimentar a diferença de gênero com o propósito de rotular cada gênero sobre qual conduta eles devem seguir baseado simplesmente pelo seu sexo, é extremamente prejudicial ao desenvolvimento infantil.

Sim, existem diferenças fisiológicas entre meninos e meninas, isso é fato, mas a orientação sobre o desenvolvimento comportamental das crianças deveria ser 50% responsabilidade dos pais e 50% responsabilidade da sociedade, ou se preferir, da educação pública ou privada, já que por lei as crianças devem estar matriculadas em algum sistema de ensino dos 4 aos 17 anos de idade.

Diante desses fatos, trago aqui algumas sugestões de como nós pais podemos conscientizar nossos filhos(as) sobre igualdade e equidade de gêneros e ajudar a criar uma sociedade mais justa e humana.

Sei que cada indivíduo é diferente e, com isso, cada um tem sua motivação para criar esse movimento de mudança. Tomei a liberdade de separar algumas atitudes que podemos adotar junto com as escolas para contribuir com uma educação mais consciente.

Atitude familiar moderada:

Converse com seu filho(a) toda vez que ele trouxer questões onde existem desigualdade ou separações de gêneros. Um bom exemplo é falar sobre o que eles acham da separação de brinquedos para meninas e para meninos dentro da escola. Recorde que um carrinho, uma boneca ou uma bola podem ser interessantes tanto para as meninas quantos para os meninos.

Atitude de engajamento:

Converse com a associação de pais e mães da escola dos seus filhos e tente propor soluções de condutas para minimizar a normalização das diferenças. Já parou para pensar que talvez os professores e diretores não percebam que estão tendo essas atitudes?

Um bom exemplo é sugerir atividades onde essas diferenças sejam minimizadas, como o dia das bonecas ou o dia dos carrinhos, data na qual todas as crianças devem brincar apenas com esse brinquedo.

Atitudes de ativismo:

Se você, assim como eu, se incomoda muito com essa questão, uma dica que eu posso dar é: a força de uma comunidade é poderosíssima.

Crie movimentos na sua comunidade para mudar condutas de ensino frente à prefeitura do seu bairro.

Pense que assim como a escola do seu filho possa ter essas atitudes de diferença de gênero, muitas outras também estejam no mesmo caminho.

Um bom exemplo é criar programas de reciclagens e conscientização sobre diferença de gênero e temas relacinados para os profissionais de ensino e apresentar esses programas às prefeituras.

Afinal, uma comunidade que se movimenta junto vai mais longe.



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