10 a 15%<\/mark><\/strong> \u00e9 a taxa ideal de partos por ces\u00e1rea recomendados pela comunidade m\u00e9dica<\/p>\n\n\n\n\u201cO Brasil tem historicamente altas taxas de ces\u00e1rea e a pandemia pode ter contribu\u00eddo para uma piora deste indicador\u201d, conclui o estudo. \u201cA OMS [Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade] tem se posicionado de forma clara em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ces\u00e1rea, situando-a como interven\u00e7\u00e3o efetiva para salvar a vida de m\u00e3es e beb\u00eas, por\u00e9m apenas quando indicada por motivos m\u00e9dicos. Especialmente em locais sem capacidade de realizar cirurgias de forma segura, as cesarianas podem causar complica\u00e7\u00f5es significativas, como sequelas ou mortes.\u201d<\/p>\n\n\n\n
A pesquisa tamb\u00e9m indicou que a pandemia intensificou o aumento dos \u00edndices de mortalidade materna (durante a gesta\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 42 dias ap\u00f3s o parto devido a causa relacionada ou agravada pela gravidez).<\/p>\n\n\n\n
89,3%<\/mark><\/strong> foi o aumento da mortalidade materna entre 2019 e 2021<\/p>\n\n\n\n53,4% <\/mark><\/strong>dos \u00f3bitos maternos de 2021 foram causados pela covid-19<\/p>\n\n\n\n\u201cDo ponto de vista regional, em 2021, a taxa calculada registrou seu maior n\u00edvel na regi\u00e3o Norte<\/strong> (158,9 \u00f3bitos\/100 mil nascidos) e o menor na regi\u00e3o Nordeste<\/strong> (99,6 \u00f3bitos\/100 mil nascidos vivos).\u201d<\/p>\n\n\n\nEduca\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n
\u201cAs crian\u00e7as praticaram menos atividades f\u00edsicas, interagiram e brincaram menos, ficaram mais tempo diante das telas e aprenderam menos\u201d, diz a abertura do cap\u00edtulo do estudo sobre educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
2,8<\/mark><\/strong> pontos percentuais foi a queda na taxa de matr\u00edculas em creches<\/strong> no Brasil entre 2019 e 2021<\/p>\n\n\n\nO Paran\u00e1 foi o estado com a maior queda: 4,9 pontos percentuais. Foi seguido do Mato Grosso do Sul (4,8); Minas Gerais (4,6); Rio Grande do Sul (4,3) e Rio de Janeiro (4,2).<\/p>\n\n\n\n
A queda foi maior na rede privada <\/strong>do que no sistema p\u00fablico de educa\u00e7\u00e3o. Segundo o estudo, a discrep\u00e2ncia tem rela\u00e7\u00e3o com a crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds tem sofrido de forma mais intensa desde 2020.<\/p>\n\n\n\nAl\u00e9m disso, a pesquisa afirma que h\u00e1 preju\u00edzos para a transi\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil para o ensino fundamental, j\u00e1 que \u201cmuitas crian\u00e7as est\u00e3o ingressando no ensino fundamental sem terem vivido adequadamente as experi\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o infantil.\u201d<\/p>\n\n\n\n
Aspectos socioecon\u00f4micos<\/h2>\n\n\n\n
A pesquisa mostrou que os \u00edndices de inseguran\u00e7a alimentar infantil aumentaram em decorr\u00eancia da pandemia.<\/p>\n\n\n\n
A inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 caracterizada quando algu\u00e9m n\u00e3o tem acesso pleno e permanente aos alimentos, ingerindo menos calorias e nutrientes do que o necess\u00e1rio \u2013 seja pela falta de comida, seja pela substitui\u00e7\u00e3o de alimentos ricos em ultraprocessados mais baratos e menos nutritivos.<\/p>\n\n\n\n
O estudo mostrou que o n\u00famero de crian\u00e7as de 0 a 5 anos com peso baixo diminuiu. Por outro lado, o n\u00famero de crian\u00e7as com peso muito baixo aumentou. A varia\u00e7\u00e3o de ambos foi na casa dos d\u00e9cimos percentuais, mas j\u00e1 mostrou que o problema est\u00e1 longe de ser resolvido.<\/p>\n\n\n\n
\u201cH\u00e1 evid\u00eancias de que a pandemia aumentou em 54,5% a propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as muito abaixo do peso (aumento de 0,6 ponto percentual, de 1,1% para 1,7%)\u201d, diz o estudo.<\/p>\n\n\n\n
128 mil<\/mark><\/strong> \u00e9 o n\u00famero de crian\u00e7as que est\u00e3o muito abaixo do peso no pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n196 mil<\/mark><\/strong> \u00e9 o n\u00famero de crian\u00e7as com peso baixo no pa\u00eds<\/p>\n\n\n\nCaminhos a seguir<\/h2>\n\n\n\n
\u201cA realidade desalentadora que os dados expressam no impacto negativo \u00e0 primeira inf\u00e2ncia brasileira n\u00e3o precisa, n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ter efeito paralisante sobre aqueles que det\u00eam poder e compet\u00eancia para recus\u00e1-la\u201d, destaca a investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n
Os cen\u00e1rios descobertos pelo estudo s\u00e3o preocupantes, mas podem ser revertidos a partir da articula\u00e7\u00e3o de gestores p\u00fablicos e da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n
A orienta\u00e7\u00e3o da pesquisa \u00e9 que, \u201cindependentemente da inclina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de cada governante, est\u00e1 nas m\u00e3os dos gestores dos tr\u00eas entes federativos \u2013 Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios \u2013 a responsabilidade de devolver com urg\u00eancia \u00e0s crian\u00e7as pequenas o direito ineg\u00e1vel de viver com dignidade seu tempo presente, assim como de se desenvolver plenamente agora e para a vida adulta.\u201d<\/p>\n\n\n\n
Ao governo federal cabe, sobretudo, orientar e coordenar as pol\u00edticas p\u00fablicas da primeira inf\u00e2ncia, al\u00e9m de garantir o financiamento delas a partir do di\u00e1logo entre Legislativo e Executivo.<\/p>\n\n\n\n
Em \u00e2mbito estadual, a pesquisa afirma ser papel dos governadores e seus secret\u00e1rios seguir refor\u00e7ando pol\u00edticas de aux\u00edlio e de aten\u00e7\u00e3o especializada que foram implementadas nos per\u00edodos mais dif\u00edceis da pandemia, e que o mesmo deve ser feito na esfera municipal.<\/p>\n\n\n\n
\u201cO momento pede esfor\u00e7os coordenados que contemplem a integralidade da crian\u00e7a e a urg\u00eancia de atend\u00ea-la em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, convocando os gestores p\u00fablicos para uma a\u00e7\u00e3o menos fragmentada e mais estruturada\u201d, destaca a pesquisa.<\/p>\n\n\n\n