Contraceptivo depois dos 35: o que muda com a idade, amamentação e perimenopausa?

Novas recomendações da OMS ampliam as opções de contracepção; para mulheres que já são mães, a escolha do método precisa considerar momento de vida, saúde, planos reprodutivos e até a transição para a menopausa

Ter filhos muda tudo na vida de uma mulher, inclusive a maneira de pensar em contracepção. Com a idade e, sobretudo após os 40, muita gente fica com dúvida. A menstruação começa a ficar irregular, com a proximidade ou o início da perimenopausa… E acaba relaxando com o uso de contraceptivos. Mas, embora a fertilidade feminina diminua, sim, com a idade, as chances de uma gravidez não desaparecem simplesmente porque a mulher entrou na casa dos 40 ou passou a ter alterações no ciclo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou diretrizes para ampliar as opções contraceptivas disponíveis. O novo documento inclui recomendações sobre métodos e formas de utilização que ainda não estavam contemplados nas orientações anteriores da organização. Entre elas está o uso prolongado ou contínuo de algumas pílulas anticoncepcionais combinadas, que podem ser tomadas por períodos estendidos de até seis meses ou continuamente por até um ano, em situações apropriadas.

Outra mudança envolve o implante de etonogestrel, um pequeno bastão colocado sob a pele do braço que libera continuamente um hormônio e age principalmente impedindo a ovulação. A OMS passou a recomendar que o método possa ser utilizado por até cinco anos, dependendo do produto e das orientações clínicas. Com isso, algumas mulheres podem permanecer protegidas por mais tempo sem precisar trocar o implante, reduzindo também a necessidade de procedimentos para substituí-lo.

A OMS também passou a recomendar a mifepristona, em doses de 10 a 50 mg, como uma opção adicional de contracepção de emergência, uma das chamadas “pílulas do dia seguinte”. O medicamento deve ser tomado o mais rapidamente possível e até cinco dias após uma relação sexual sem proteção. Nesse contexto, ele é usado para prevenir uma gravidez após a relação — e não para interromper uma gestação já estabelecida. Mas a organização ressalta que essas doses não são provavelmente tão seguras e eficazes quanto outras opções de contracepção de emergência.

Isso não significa que todos esses métodos estejam automaticamente disponíveis no Brasil. As recomendações da OMS podem orientar futuras atualizações dos programas e protocolos nacionais.

O que muda, afinal, depois dos 35?

A idade, sozinha, não determina qual é o melhor contraceptivo para uma mulher. O que muda é que, ao longo dos anos, aumentam as chances de algumas condições de saúde que precisam ser consideradas na escolha, como hipertensão, tabagismo, enxaqueca com aura e histórico de trombose, entre outras. Por isso, a escolha deve ser individualizada.

Por aqui, o Ministério da Saúde disponibiliza diferentes opções pelo SUS, incluindo pílulas, injetáveis, implantes, DIU de cobre, preservativos, laqueadura e vasectomia.

O DIU de cobre, por exemplo, é um método de longa duração, reversível e não hormonal. Ele pode ser utilizado por mulheres que já tiveram filhos e também por adolescentes ou mulheres que nunca engravidaram, desde que não haja contraindicações.

E depois do parto?

Uma informação importante, que muita gente não sabe (ou se esquece) é que a mulher pode engravidar antes mesmo do primeiro ciclo menstrual depois do parto, dependendo de como está sendo feita a amamentação e de outros fatores.

Existem métodos que podem ser utilizados durante a amamentação, mas a escolha depende do momento do pós-parto e das características de cada mulher. O DIU de cobre, por exemplo, pode ser inserido imediatamente após o parto em determinadas situações.

E quando a mulher entra na perimenopausa?

A perimenopausa é a fase de transição que antecede a menopausa. Os ciclos podem ficar irregulares e alguns sintomas, como alterações no sono, ondas de calor e mudanças de humor, podem começar antes da última menstruação. A menopausa propriamente dita só é definida depois de 12 meses consecutivos sem menstruar.

Durante essa transição, porém, a ovulação ainda pode acontecer. Por isso, uma mulher que está com ciclos irregulares e não deseja engravidar ainda precisa conversar com seu ginecologista sobre contracepção. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) destaca que, apesar da redução da fertilidade nessa fase, a contracepção continua indicada até que a menopausa esteja estabelecida.

Contraceptivo e terapia hormonal são coisas diferentes. Uma mulher pode precisar de tratamento para sintomas relacionados à transição menopausal e, ao mesmo tempo, ainda precisar de contracepção. A terapia hormonal da menopausa não deve ser considerada um método anticoncepcional. Por isso, a avaliação médica precisa considerar as duas questões separadamente: existe possibilidade de gravidez? Há sintomas do climatério que precisam de tratamento?

Não existe método perfeito para todas

A nova orientação da OMS reforça justamente a ideia de que contracepção não deveria ser uma escolha automática. A organização destaca que as opções precisam levar em conta preferências, necessidades, segurança, conveniência, acesso e características individuais.

Para uma mulher de 38 anos com dois filhos, por exemplo, a escolha pode ser completamente diferente daquela de uma mulher de 42 que ainda pensa em engravidar ou de uma mãe que acabou de ter um bebê e está amamentando.

O melhor método não é necessariamente o mais moderno ou o que funciona por mais tempo, mas o que combina segurança, eficácia e as necessidades daquele momento.

 

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