Nova York decreta emergência por sarampo: precisamos nos preocupar no Brasil?

Surto nos Estados Unidos aumenta o alerta para a doença nas Américas. No Brasil, já são 52 casos importados neste ano. Veja quem precisa estar protegido e quais cuidados tomar antes de viajar

O sarampo voltou a avançar nos Estados Unidos e levou o estado de Nova York a declarar situação de emergência nesta semana. E o que você tem a ver com isso? Infelizmente, o alerta não está restrito aos americanos: o Brasil já registrou 52 casos importados da doença em 2026, sendo 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro.

O país, no entanto, continua sem circulação endêmica do vírus. Isso significa que os casos registrados até agora não representam a volta do sarampo como transmissão sustentada no território nacional. Ainda assim, diante da circulação da doença em outros países e do aumento das viagens internacionais, o Ministério da Saúde reforçou a vigilância e a vacinação.

Em Nova York, foram confirmados 108 casos até 3 de outubro. Desde 15 de julho, 92 infecções ocorreram em comunidades rurais de 18 condados, onde a cobertura vacinal é mais baixa. A Pensilvânia, estado vizinho, também enfrenta um surto importante e já ultrapassou mil casos neste ano.

Nos Estados Unidos, o número de casos em 2026 já é o maior em décadas. Mais de 90% dos casos são de pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida, segundo o Ministério da Saúde.

“O sarampo continua circulando em diferentes partes do mundo. Quando encontra uma população com baixa cobertura vacinal, um vírus extremamente contagioso pode voltar a provocar surtos onde a doença já estava controlada”, explica a pediatra Elisabeth Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e doutora pela FM-USP.

O Brasil corre risco de ter um surto?

A existência de casos importados não significa, por si só, que o país voltará a ter transmissão sustentada. O Brasil recuperou em 2024 a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo, depois de interromper a transmissão contínua do vírus. O desafio agora é evitar que uma pessoa infectada traga o vírus de outro país e o transmita para pessoas que não estejam protegidas.

São Paulo concentra a maior parte dos registros brasileiros. Segundo a atualização mais recente do Ministério da Saúde, são 41 casos no estado. Na capital paulista, o número chegou a 37 nesta semana. Cerca de 61% dos casos paulistas envolvem crianças menores de dois anos, grupo especialmente vulnerável à doença.

Por que o sarampo preocupa tanto?

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas. O vírus é transmitido pelo ar e pode permanecer infectante no ambiente por até duas horas depois que uma pessoa infectada deixa o local.

Os primeiros sintomas costumam ser febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Depois, surgem as manchas avermelhadas, geralmente começando no rosto e se espalhando pelo corpo. “O sarampo não é só uma doença que provoca manchas na pele. Ele pode causar pneumonia, encefalite e até levar à morte. Crianças pequenas, especialmente os bebês, gestantes e pessoas imunossuprimidas têm maior risco de complicações”, afirma Elisabeth.

Outro problema é que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo de as manchas aparecerem, o que facilita a disseminação sem que a doença seja reconhecida imediatamente.

Vai viajar? Confira a carteira de vacinação

Famílias que pretendem viajar para outros países devem conferir a carteira de vacinação com antecedência. A orientação vale não apenas para as crianças, mas também para os adultos, que podem ter recebido apenas uma dose ou não ter registro da vacinação.

No calendário infantil brasileiro, a primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses. A segunda dose é prevista aos 15 meses.

Em situações específicas, como diante da circulação do vírus ou de viagens internacionais, bebês de 6 a 11 meses e 29 dias podem receber a chamada dose zero, conforme avaliação e orientação das equipes de saúde. Essa dose antecipada é adicional e não substitui as duas doses previstas no calendário. Mesmo que o bebê receba a dose zero, deverá ser vacinado novamente aos 12 e aos 15 meses. “A dose zero antecipa a proteção do bebê em situações de maior risco, mas não encerra o esquema vacinal. A criança precisa receber as doses previstas depois de completar um ano”, explica a pediatra.

“Meu filho tem sintomas”

Febre alta acompanhada de manchas pelo corpo merece avaliação médica, principalmente se a criança ou alguém da família viajou recentemente para uma região onde há circulação do vírus ou teve contato com uma pessoa com suspeita da doença.

Nessa situação, é importante informar o histórico de viagem e possível contato com o sarampo ao procurar atendimento. Se possível, a família deve avisar o serviço de saúde antes de chegar, para que a equipe possa orientar a entrada e reduzir a exposição de outras pessoas.

“Não existe medicamento específico capaz de eliminar o vírus do sarampo. Por isso, a prevenção é fundamental. Conferir a carteira de vacinação e completar as doses recomendadas são cuidados que não devem ficar para depois”, orienta a médica.

Vacina está disponível no SUS

A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e é a principal ferramenta de combate e prevenção. Quem está com alguma dose atrasada deve procurar uma unidade de saúde para conferir a situação vacinal e atualizar a caderneta de acordo com as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.

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