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O futuro dos bebês da geração Beta (nascidos a partir de 2025)
Se seu bebê nasceu em 2025 ou depois, talvez você já tenha ouvido dizer que ele faz parte da Geração Beta. O nome parece oficial, quase como se existisse uma tabela capaz de dizer exatamente onde termina uma geração e começa outra. Mas não é bem assim.
Na verdade, Geração Beta é um nome proposto pelo pesquisador social e demógrafo australiano Mark McCrindle para as crianças nascidas entre 2025 e 2039, depois da chamada Geração Alpha, definida por ele como aquela formada pelos nascidos entre 2010 e 2024.
Apesar de especulações nas redes sociais e em sites, ainda é muito cedo para afirmar que um bebê que nasceu dentro desse período será mais criativo, mais tecnológico, mais sustentável ou terá qualquer outra característica específica. O que existe, por enquanto, são projeções sobre o mundo em que essas crianças vão crescer.
Nascidos na inteligência artificial
A principal diferença apontada por McCrindle em relação às gerações anteriores está no ambiente tecnológico. Enquanto a Geração Alpha cresceu com smartphones, aplicativos, redes sociais e dispositivos conectados, a Geração Beta vai crescer em um mundo em que a inteligência artificial estará cada vez mais integrada à vida cotidiana — da educação à saúde, dos eletrodomésticos aos sistemas de transporte e às ferramentas usadas no trabalho.
Para uma criança que nasceu em 2025, conversar com uma inteligência artificial pode se tornar tão comum quanto hoje é pedir uma música para uma assistente de voz ou assistir a um desenho em uma plataforma de streaming.
Só que a gente ainda não sabe muito bem como essa exposição desde os primeiros anos vai afetar o desenvolvimento infantil. Este é um ponto que requer cuidado.
Eles serão mais inteligentes por crescer com IA?
Não dá para saber. Uma reportagem recente publicada pela revista Parents reuniu algumas das previsões feitas por especialistas e pesquisadores sobre essa nova geração. Entre elas está a possibilidade de que o contato precoce com tecnologia e inteligência artificial amplie oportunidades de aprendizagem e estimule criatividade e inovação. Por outro lado, especialistas ouvidos pela publicação alertam para o risco de que uma infância excessivamente mediada pela tecnologia reduza oportunidades de interação humana e prejudique aspectos do desenvolvimento socioemocional.
São possibilidades, não características já comprovadas. Uma criança que nasce cercada por tecnologia não necessariamente terá melhor desempenho cognitivo, será mais criativa ou terá maior facilidade com computadores. O desenvolvimento depende de uma combinação muito maior de fatores: relações familiares, condições sociais, educação, sono, alimentação, brincadeiras, oportunidades de aprendizagem, ambiente e experiências vividas ao longo da infância.
Por isso, dizer que a Geração Beta será “a mais tecnológica da história” pode ser uma maneira interessante de imaginar o futuro, mas não é uma conclusão científica sobre essas crianças. Pelo menos não ainda.
Tecnologia nas entranhas
Para as crianças que já nasceram agora, algumas tecnologias podem simplesmente fazer parte do ambiente, sem parecer novidade. Sabe quando é tão intrínseco que a gente nem nota?
É possível imaginar uma infância em que a inteligência artificial esteja presente em brinquedos, sistemas educacionais, serviços de saúde e ferramentas de comunicação. Talvez a gente não precise mais “entrar na internet”. Essa frase, daqui a alguns anos, pode ser tão estranha quanto pagar ligações telefônicas pela quantidade de pulsos. Lembra dessa?
McCrindle descreve a Geração Beta justamente como uma geração que deverá experimentar uma integração cada vez maior entre o mundo físico e o digital e isso muda também o papel dos adultos.
Para os pais de hoje, aprender a usar uma nova tecnologia costuma significar aprender algo que não existia quando eram crianças. Para os pais das próximas décadas, o desafio pode ser outro: ensinar os filhos a conviver com tecnologias que estarão presentes em praticamente todos os lugares.
Fora da tela
Diante destas projeções, os especialistas ouvidos pelo Parents ressaltam a importância de preservar experiências que não dependem de tecnologia, como brincadeiras presenciais, atividades ao ar livre, jogos de tabuleiro, convivência familiar e interação com outras crianças.
Vai ser impossível tentar criar uma infância “sem tecnologia” para os filhos. Talvez esse nem seja o caminho, porque as crianças vão conviver em uma sociedade conectada. Mas a questão é outra: se a tecnologia estiver cada vez mais presente, o que continuará sendo insubstituível?
Brincar de faz de conta, correr, construir alguma coisa com as próprias mãos, conversar olhando para o outro, saber esperar, resolver um conflito com um amigo, sentir tédio e descobrir o que fazer com ele, são experiências que continuam fazendo parte do desenvolvimento infantil, em qualquer geração.
O planeta está diferente
A tecnologia não é a única transformação que deverá acompanhar a Geração Beta. As previsões sobre esse grupo também consideram um mundo marcado por mudanças climáticas, transformações demográficas, urbanização e novas formas de organização da sociedade. McCrindle projeta que, até 2035, a Geração Beta poderá representar cerca de 16% da população mundial.
A expectativa é de que questões ambientais façam parte da vida dessas crianças desde cedo, não somente como um assunto aprendido na escola, mas como algo que influencia onde vivem, como se deslocam, o que consomem e quais tecnologias utilizam. Mais uma vez, porém, estamos falando de projeções. Ninguém consegue prever hoje quais valores, comportamentos ou escolhas serão realmente predominantes entre crianças que ainda nem chegaram à adolescência.
Por enquanto, Geração Beta é muito mais um nome para um período histórico do que uma descrição de personalidade. Um bebê nascido em 2025 não é automaticamente mais conectado, criativo, sustentável ou dependente de tecnologia do que outro bebê. Mas o que dá para afirmar é que ele está chegando a um mundo bem diferente daquele em que nasceram seus pais — e provavelmente diferente até daquele em que seus irmãos mais velhos cresceram.
Mais interessante do que perguntar “que tipo de criança a tecnologia vai criar?” talvez seja perguntar “que tipo de infância nós vamos construir para elas?”. Uma geração não é formada apenas pelas tecnologias que encontra ao nascer, mas pelas pessoas que a educam, pelas relações que estabelece, pelas oportunidades que recebe, pelas experiências que vive e pelo mundo que os adultos deixam para ela. Essa história está apenas começando a ser escrita.
Canguru News
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