Sociedade Brasileira de Pediatria sugere retomada gradual das aulas e grupos menores de alunos

Entidade antecipa recomendações para garantir segurança ao ambiente escolar: retomada gradual do calendário escolar e divisão das turmas em grupos menores para evitar aglomerações.

0
SBP divulga documento com orientações para volta às aulas nas escolas: crianças terão de manter distanciamento, como nesta imagem, em que aparecem um menino e uma menina asiáticos se cumprimentando com os cotovelos.

Leia em: 7 minutos

Já pensando num cenário de volta às aulas, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento com orientações aos pediatras, pais e educadores de escolas públicas e privadas que garantam o cumprimento da rotina educacional com segurança. Os relatórios estabelecem princípios e apresentam medidas de distanciamento social e educativas, além de sugestões para a limpeza e desinfecção da escola. Segundo o órgão, a ideia é que as escolas possam planejar e organizar com antecedência a volta às aulas. É também orientar os pediatras, levando informação qualificada, para que possam apoiar os pais e seus pacientes nesse desafio.

“Estamos olhando a questão educacional de forma abrangente, considerando o impacto da pandemia sobre o processo de aprendizagem e os caminhos para a retomada, que deverá acontecer em algum momento”, afirma a dra. Luciana Rodrigues Silva, presidente da SBP.

O documento “Covid-19 e a volta às aulas”, preparado pelos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia, destaca uma série de premissas a serem observadas. Entre elas, a importância de pais e professores buscarem informação qualificada sobre a Covid-19 e a recomendação para que crianças e profissionais da educação, se doentes, não frequentem a escola.

Leia também: Descontos nas mensalidades – escolas têm uma semana para negociar com os pais

A entidade também sugere reduzir o número de alunos por sala, sempre que possível, fazendo com que a turma se alterne entre atividades presencial e à distância, de acordo com as disciplinas curriculares. Alunos imunocomprometidos ou com doenças crônicas, que tenham contraindicações de frequentar a escola devem receber educação à distância. Já professores e funcionários da escola que sejam pertencentes aos grupos de risco devem ser deslocados para funções distantes do contato com alunos.

A entidade também sugere que a escola amplie a oferta de locais para a lavagem das mãos, assim como o provimento de água, sabão e álcool em gel; que aumente a frequência da higienização de espaços e superfícies. A SBP aponta que deve ser dada preferência às atividades ao ar livre e que as escolas devem propiciar ambientes arejados, mantendo as janelas abertas.

Leia também: Volta às aulas prevê máscaras, par extra de sapatos e medição de temperatura na entrada

Veja abaixo principais orientações do documento Covid-19 e a volta às aulas

Princípios Fundamentais

  • Pais e professores devem procurar manter-se informados sobre a COVID-19 (modo de transmissão, sintomas da doença, medidas de prevenção) por meio de fontes confiáveis, evitando as fake news;
  • Crianças e profissionais da educação, se doentes, não devem frequentar a escola;
  • A escola deve oferecer diversos locais para lavagem de mãos, água e sabão, álcool em gel e higienizar frequentemente os recintos e superfícies;
  • A escola deve propiciar ambientes arejados, com aberturas de janelas. Atividades ao ar livre devem ser estimuladas;
  • Cabe à escola evitar aglomerações, na entrada, saída de alunos ou intervalos, criando horários alternativos para as turmas;
  • Jogos, competições, festas, reuniões, comemorações e atividades que envolvam coletividade devem ser temporariamente suspensos;
  • O ensino à distância, sempre que possível, deve ser estimulado;

Leia também: Alunos chineses cumprem ritual de cinco etapas antes de entrarem nas escolas

Medidas de distanciamento social

  • As medidas de distanciamento social devem ser adotadas na escola, com o objetivo de diminuir o grande número de pessoas no mesmo espaço, reduzindo, assim, o contágio.
  • Em um primeiro momento o número de alunos por sala, sempre que possível, deve ser reduzido, e os alunos podem ser divididos em grupos que se alternem entre a atividade presencial e à distância, de acordo com as disciplinas curriculares.
  • O estabelecimento de ensino deve se organizar para que cada turma tenha o intervalo entre as aulas em horário diferente de outras turmas, assim como estabelecer horários de entrada e saída escalonados, evitando aglomerações.
  • Sempre que possível, é recomendável manter um espaçamento entre os alunos dentro da sala de aula, de acordo com a realidade de cada escola, idealmente com espaço mínimo de um metro entre as mesas.
  • Em relação ao transporte escolar, é necessário avaliar o número de usuários, para que se preserve a distância recomendável entre as pessoas também no veículo.
  • Alunos que tenham contraindicações de frequentar a escola por serem imunocomprometidos, ou tenham doenças crônicas, devem receber educação à distância, bem como professores e funcionários da escola que sejam pertencentes aos grupos de risco devem ser deslocados para funções distantes do contato com alunos.

Leia também: Crianças em ano de alfabetização: a quarentena pode prejudicá-las?

Medidas educativas

  • Os pais devem ser orientados a não levarem seus filhos à escola ao menor indício de quadro infeccioso, seja febre, manifestações respiratórias, diarreia, entre outras.
  • Deve-se mantê-los afastados enquanto se aguarda a conclusão do diagnóstico, com o cuidado de não se estigmatizar o indivíduo, o que posteriormente pode trazer consequências negativas, como bullying entre as crianças.
  • Caso a criança ou membros da família apresentarem teste positivo para o SARS-CoV-2, a escola deve ser comunicada, sendo o seu retorno condicionado à melhora dos sintomas e não antes de 14 dias, a contar do primeiro dia do surgimento dos
  • sintomas.
  • Higienização das mãos frequentemente, especialmente antes e após as refeições e a ida ao banheiro.
  • A escola deve manter lavatórios em bom funcionamento, sinalizados e abastecidos com sabão e papel toalha;
  • Álcool em gel deve ser disponibilizado para alunos que possam utilizar com segurança e responsabilidade.
    Manter higienizadores de mãos em sala de aula, corredores, banheiros e na entrada e saída da escola;
  • Orientar para que cada estudante traga e utilize sua própria garrafa de água, utilizando os bebedouros comuns apenas para encher essas garrafas novamente; proibir estudantes de beber diretamente do bebedouro;
  • Uso de máscaras deve ser estimulado. Está contraindicado em crianças menores de dois anos, pelo risco de sufocação e em indivíduos que apresentem dificuldade em removê-las, caso necessário. As máscaras devem ser trocadas a cada duas a quatro horas, ou antes, se estiverem sujas, úmidas ou rasgadas.

Leia o documento na íntegra: COVID-19 e a volta às aulas

Aprendizagem na Quarentena

A SBP também preparou documento técnico avaliando os impactos e possíveis consequências da pandemia sobre o processo de aprendizagem de crianças e adolescentes, com uma reflexão sobre os desafios e demandas colocados para pediatras, pais e educadores nesse período em que os alunos cumprem a jornada escolar em casa.

Preparada pelo Departamento Científico de Saúde Escolar da SBP, a nota de alerta “O ano letivo de 2020 e a COVID-19” aborda o novo cenário criado pela crise sanitária e oferece informações valiosas para que os médicos possam apoiar e orientar crianças, adolescentes e seus familiares.

“Tais mudanças terão impacto no rendimento escolar no curto e médio prazo e poderão afetar a saúde física e mental dos estudantes”, salienta trecho do documento da SBP.

Leia o documento na íntegra: O ano letivo de 2020 e a COVID-19

Quer receber mais conteúdos como esse? Clique aqui para assinar a nossa newsletter. É grátis! 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, deixe seu comentário
Seu nome aqui