2 livros sobre princesas e heroínas negras que revelam uma ‘nova’ história do Brasil

O escritor Tino Freitas apresenta obras que revelam mulheres protagonistas de seu destino. São títulos que "nos fortalecem e inspiram na luta cotidiana por um mundo melhor para homens e mulheres de todas as raças, gêneros e credos", diz o autor

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Você já ouviu falar de Olocum? E da Aqualtune, o que você conhece? Infelizmente não é novidade a quase ausência na Literatura Infantil de referências a heroínas, princesas, rainhas, mulheres negras protagonistas dos seus destinos. Durante anos, o
patriarcado promoveu um apagamento tanto da mitologia quanto dessas histórias. Os livros a seguir são ótimas exceções à regra. Revelam, não apenas às crianças, uma “nova” história do Brasil. Nos apresentam parte de uma cultura que nos (trans)formam, pois, registros como esses também nos fortalecem e inspiram na luta cotidiana por um mundo melhor para homens e mulheres de todas as raças, gêneros e credos.

Capa do livro

Ao ler o subtítulo “HISTÓRIAS DE PRINCESAS” muitos leitores podem se transportar para a Europa medieval, com princesas protegidas do perigo nas torres dos castelos. Nada disso. O livro OMO-OBA foge à regra. Registra histórias dos povos africanos da etnia Iorubá. São 6 as Iabá (orixás femininas) apresentadas desde quando eram meninas. Ao falar de Oiá, Oxum, Iemanjá, Olocum, Ajê Xalugá e Oduduá, a autora ressalta suas qualidades como guerreiras, vaidosas, determinadas, equilibradas. Características que julgou “capazes de empoderar meninas de todos os tempos”. As ilustrações reforçam a beleza e a cultura que dessas personagens.

Capa do livro

Em HEROÍNAS NEGRAS BRASILEIRAS EM 15 CORDÉIS as histórias, ora escritas em sextilhas ou septilhas (estrofes de seis ou sete versos) revelam histórias de amor, força e superação tão importantes na construção da nossa história seja na origem do samba carioca, no cotidiano dos quilombos, na representação de classes, na política. Conhecemos mais sobre Aqualtune, Na Agontimé, Eva Maria do Bonsucesso, entre tantas. As ilustrações e o projeto gráfico retratam com Arte a beleza, a força das personagens, das suas vestes, da sua cultura. Ótimo para ser lido em voz alta. Ao final da história de Esperança Garcia, a autora reforça seu intento:
Por causa dessas mulheres
Hoje temos liberdade
É por isso que me orgulho
Da minha ancestralidade
Preservar é um prazer
E responsabilidade.

Ficha Técnica:
OMO-OBA – HISTÓRIAS DE PRINCESAS
Texto de Kiusam de Oliveira; Ilustrações de Josias Marinho. 48 páginas. Mazza Edições, 2009.
Sobre a escritora:
Kiusan de Oliveira é escritora Pedagoga, doutora em educação, mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Suas obras caracterizam-se pela abordagem de questões étnico-raciais e diversidade de gênero.
Sobre o ilustrador:
Josias Marinho é ilustrador, escritor, professor e pesquisador. Ilustrou diversos livros infantojuvenis, sempre representando a cultura negra. Suas obras foram selecionadas para feiras literárias internacionais como a de Bologna. 
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Ficha técnica:
HEROÍNAS NEGRAS BRASILEIRAS EM 15 CORDÉIS
Texto de Jarid Arraes e ilustrações de Gabriela Pires. 176 páginas. Seguinte, 2020.
Sobre a escritora:
Jarid Arraes é escritora, cordelista e poeta. Criadora do Clube de Escrita para Mulheres, em 2020 venceu o Prêmio Clarice Lispector da Biblioteca Nacional, por seu livro de contos Redemoinho em dia quente.
Sobre a ilustradora:
Gabriela Pires é designer gráfico e ilustradora autônoma. Atua em projetos de produtos impressos – identidade visual, editorial e peças diversas -, ilustração digital e produtos digitais.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.


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Escritor, jornalista, contador de histórias e mediador de leitura do projeto Roedores de Livros (DF). Alguns dos seus livros já receberam importantes prêmios, como o Prêmio Jabuti, o Selo Altamente Recomendável para Crianças, da FNLIJ, além de integrar seleções de destaque (Selo DISTINÇÃO da Cátedra Unesco de Leitura PUC-RIO e Os 30 Melhores Livros do Ano, da Revista Crescer e Catálogo de Bologna). Foto: Andressa Anholete

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