Febre não é sinônimo de doença: médicos explicam mitos e fatos

A febre infantil é um mecanismo de defesa do sistema imunológico da criança ao identificar agentes agressores; especialistas explicam mitos e fatos sobre esse quadro, que não é sinônimo de doença

2021
Menino no colo de sua mãe, aparentando estado febril
Especialistas esclarecem mitos e dúvidas sobre a febre infantil
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A febre infantil pode ser um sinal de infecção no sistema imunológico das crianças, mas nem sempre está atrelada a algum tipo de doença. Ela representa um mecanismo de defesa do sistema ao identificar algo fora da normalidade em seu funcionamento. A elevação da temperatura corporal pode acontecer devido a infecções virais ou bacterianas, inflamações, insolação ou desidratação. Ainda que seja benigna, a febre assusta boa parte dos pais. A Canguru News conversou com alguns especialistas sobre como lidar com os quadros de febre nos menores. 

O erro de esperar por um número mágico

De acordo com o pediatra Tadeu Fernando Fernandes, membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo, “não existe um número mágico para definir a febre infantil. Quando você vê que a criança está incomodada com a temperatura, demonstrando certa indisposição e pedindo colo, então já podemos classificar como febre.” 

O médico ainda relata que, apesar de trazer preocupações aos pais, a febre pode ser considerada uma amiga. “As pessoas têm costume de achar que febre é um sinônimo de doença, mas isso é um grande mito. Ela é uma amiga. A febre não passa de uma ferramenta do organismo em combate a um agente agressor. Ela é um sinal de defesa.” 

Os pais devem ficar atentos pois, muito além de aumento da temperatura corporal, a febre também possui alguns outros sinais comuns. Entre eles estão: sonolência, falta de apetite, diarreia, vômito, coceira, apatia, irritabilidade, choro prolongado, desidratação e manchinhas vermelhas na pele. 

Tratamentos caseiros: o que é mito e o que ajuda

Banho gelado, álcool na axila e álcool na água do banho são alguns dos tratamentos caseiros mais conhecidos para tratamento de febre infantil. Apesar de parecerem eficazes, esses métodos não funcionam e podem trazer maiores riscos à saúde das crianças.

No caso do banho gelado, um dos métodos mais queridinhos pelos pais, existe um alto risco de que, ao entrar em contato com uma água em temperatura muito baixa, a criança passe por um choque térmico. Nesses casos, os receptores de temperatura corporal recebem o alarme de que a febre programada não foi alcançada. Em suma, essa percepção é encaminhada ao cérebro como um sinal de que a temperatura do corpo precisa novamente ser elevada. 

Quando se fala na aplicação de álcool, seja através de contato direto ou dissolvido na água do banho, essa medida é altamente desaconselhada. O menor, ao entrar em contato com uma substância tão potente, possui altos riscos de intoxicação. “O uso de panos com álcool ou banho com um pouco de álcool não são indicados, podem causar queimaduras na pele e não são efetivos” relata o pediatra Paulo Telles. 

De acordo com o pediatra Alberto Jorge Félix Costa, existem métodos inofensivos que podem ser praticados pelos pais em casa, na tentativa de abaixar a febre de seus filhos, sem que seja necessário o uso de antitérmicos. “Os pais podem optar por deixar as crianças em ambientes mais frescos, dando bastante água. No caso das febres mais baixas, isso pode ajudar bastante.”


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Temperaturas elevadas persistentes

Em casos de febres mais elevadas, onde o pequeno apresenta incômodo e indisposição, os especialistas recomendam o uso de antitérmicos. “Quando a criança se demonstra mais indisposta, com temperaturas mais elevadas e persistentes, é interessante recorrer ao uso dos medicamentos”, explica Jorge Costa. 

Os principais antitérmicos recomendados para casos de febre infantil são dipirona, ibuprofeno e paracetamol. De acordo com Tadeu Fernandes, as três opções exercem funções parecidas, e podem ser escolhidas por questões de aceitabilidade do paladar infantil. 

O pediatra reforça que, ainda que essa medicação seja recomendada, o uso de antitérmicos não deve ser intercalado em hipótese nenhuma. “É importante sempre dar o mesmo tipo de antitérmico e sempre dentro do horário recomendado pelo pediatra. Se a febre voltar antes do tempo determinado, é um sinal de que a criança está desidratada. Nesses casos, o especialista precisa ser procurado. Não é pra ficar dando várias doses de antitérmico, uma atrás da outra.”

Quando procurar o médico

Segundo Paulo Telles, caso o quadro de febre permaneça contínuo, com uma duração de mais de 36 horas, ou até mesmo com reincidência de alta temperatura em um período curto de tempo, entre 5 e 6 horas, os pais devem procurar atendimento médico. Ainda que os sinais não sejam esses, mas a criança demonstre desânimo e mal estar, o atendimento especializado também é recomendado. 

“Outros sinais de alerta são a dificuldade na hidratação e falta de ar. As doenças reumatológicas também podem levar a períodos longos de febre, necessitando de um acompanhamento médico especializado”, completa. 

“Também é importante observar o comportamento da criança quando a febre baixa: se a criança ficar ativa, brincando e se alimentando, não há sinal de alerta. Nos casos de febre alta e persistente, um médico deve ser procurado”, completa Ana Cristina Loch, pediatra especializada em infectologia pediátrica.

A temida convulsão febril

A convulsão febril é a causa mais comum de convulsão em crianças, ocorrendo, mais frequentemente, entre 6 meses e 5 anos de idade. Quanto mais nova a criança, maior a chance de recorrência do caso. O quadro, que ocorre em meio a casos de elevada temperatura corporal, decorre de uma predisposição genética. 

Segundo Tadeu Fernandes, as crianças com predisposição genética, quando em contato com ambientes de maior exposição, como creches e escolas, tendem a sofrer com as convulsões mais frequentemente. O médico ainda ressalta que, mesmo com altas temperaturas, não são todas as crianças que vão sofrer com convulsão. Precisa necessariamente existir uma predisposição genética.

“Felizmente são casos bem incomuns, acontecem somente em cerca de 5% da população. Quando a convulsão acontece, a criança deve receber atendimento médico prontamente. Dessa forma, o caso será observado e a febre será tratada de maneira adequada. Caso aconteça mais de uma convulsão por febre, o menor normalmente passa a ser acompanhado por um neuropediatra. Vale ressaltar que o prognóstico é bom na maioria dos casos, com uma frequência cada vez menor ao passar da idade, até que parem de ocorrer”, completa Alberto Costa. 


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