Crianças, já para fora!

As pesquisadoras Juliana Gatti e Lis Leão fazem um alerta sobre a necessidade urgente de levar os filhos a áreas verdes, o que é fundamental para que se desenvolvam de forma plena

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Crianças olham plantas com lupa
A conexão com a natureza cria repertório e vivências
Buscador de educadores parentais
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“As crianças, pelo volume de acesso às telas que têm hoje, elas estão acessando menos o espaço livre, a área externa, tomando menos sol do que presidiários. Isso é chocante, porque todo presidiário por direito tem a sua hora de sol. Agora, uma criança fechada no apartamento o dia inteiro, de frente para a tela, não está garantindo o mínimo para sua saúde e qualidade de vida”, afirma Juliana Gatti, pesquisadora da área de saúde e natureza e presidente do Instituto Árvores Vivas. Ela se refere a uma pesquisa de 2016, que analisou a rotina de mais de 12 mil crianças de dez países, inclusive, o Brasil, e constatou que: a maioria das crianças (56%) passa uma hora ou menos brincando ao ar livre, o tempo de telas é maior do que o gasto em ambientes abertos e uma em cada dez crianças nunca brinca do lado de fora.

Para Juliana, “se o pai não consegue se mobilizar com um dado desse, em que ele tem que ser responsável, tem que garantir o mínimo para o filho dele se desenvolver integralmente, e ter saúde plena, a gente está realmente numa situação muito difícil.”

Em entrevista em vídeo para a série Conversas sobre parentalidade, Juliana e a pesquisadora Elizete Leão, do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, falaram sobre o impacto da natureza na saúde física e mental das crianças. 

Lis, como é mais conhecida, diz que o melhor preditor para uma criança estar na natureza é ter um adulto conectado à natureza. “Então, o primeiro lugar é este adulto encontrar esse caminho de reconexão, se é que ele perdeu. Se não perdeu, está fácil. Mas se perdeu, vai ter que fazer também um esforço”, relata a especialista, que também coordena o e-Natureza, grupo de pesquisa que estuda a conexão com a natureza e a sua relação com a saúde e o bem estar.

As pesquisadoras sugerem que a família faça escolhas conscientes de deixar, por vezes, o celular de lado, para contemplar a natureza e se maravilhar com ela, de maneira alegre e afetiva. “Por que não podemos mais tomar banho de chuva?”, propõe Juliana. E se ir até um parque é difícil, admirar o céu, as nuvens e os bichos que surgem desse cenário pode ser uma alternativa mais simples. “Qualquer janela que você abrir tem céu”, comenta Lis. 

Resgatar o valor das experiências na natureza permite segundo as especialistas criar repertório e vivências. “A conexão com a diversidade natural, junto com o afeto, proporcionam resiliência para o resto da vida da nossa sociedade”, ressalta Juliana. 

Diante das grandes crises de alterações climáticas, o resgate dessa conexão com a natureza é uma maneira de formar futuros adultos saudáveis, beneficiando inclusive a saúde mental. “Se a gente não resgatar isso, o planeta vai continuar aí, como continuou, em outras situações, mas talvez a nossa espécie não”, alerta Lis. Ela lembra que, no caso do Brasil, para além dos espaços verdes, é possível frequentar os chamados espaços azuis, como mares e rios, dentre outros que compõem a diversidade de biomas do país. 

No vídeo em destaque, elas também falam dos benefícios do contato com a natureza comprovados em pesquisas, como a natureza pode ajudar crianças doentes, a necessidade de cuidar do verde na infraestrutura urbana, como política pública, e as inúmeras formas de se encantar com a natureza.

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