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Carta aberta a mães e pais: saúde mental e bullying nas escolas
“Nesta segunda-feira, 11 de agosto, na cidade de São Paulo, familiares e amigos de Pedro foram lançados em uma estrada de terrível dor ao se darem conta de que o filho, o sobrinho, o colega de turma não faria mais parte de suas vidas. Pedro se foi de maneira trágica aos 14 anos de idade.
Não houve tempo de socorrê-lo, de fazê-lo acreditar que o futuro seria possível. Que dias melhores viriam.
Ele se foi, vítima de um sofrimento que não conseguimos medir e nem imaginar, embora algumas vezes nos assustemos ao vislumbrar essa sombra escura no coração de muitos de nossos filhos.
Pedro era um aluno brilhante, mas sofreu no colégio por ser gay, negro e pobre – nesta ordem, segundo o depoimento de amigos.
Mães, pais e educadores que somos, conhecemos muitas vítimas da perseguição de valentões. Crianças e adolescentes difamados, achincalhados, humilhados e agredidos nos corredores, nos banheiros, na saída da escola. Ridicularizados. Diminuídos.
O bullying não é a única causa do suicídio entre adolescentes, mas é um fator importante – não, não existem respostas fáceis para uma estratégia de proteção da saúde mental na infância e na adolescência. É por essa razão que nós, como sociedade, temos o dever de aprofundar o debate sobre o assunto. Fazer das escolas um veículo para disseminar – e não para interditar – o conhecimento sobre as causas do bullying e do sofrimento psíquico dos alunos.
Já fomos adolescentes. Identificamos os mais vulneráveis desde sempre. Aqueles que fogem do modelo valorizado socialmente: os de corpos incomuns, as pessoas negras, neurodivergentes, LGBTQIA+, pobres. Sabemos que, nessa idade, o apoio do grupo é de vital importância para a autoaceitação. Sabemos também que adolescentes que não são fortalecidos em casa têm mais dificuldade em superar os problemas no convívio com os pares.
Sabemos muito, mas continuamos a perder vidas.
E vidas precisam ser salvas.
Precisamos criar filhos que entendam o valor delas. Filhos que não se divirtam com a crueldade. Que não sejam aplaudidos em casa por serem aqueles que batem, que não apanham.
Precisamos também criar espaços amorosos nas nossas casas, para acolher aqueles filhos que são excluídos fora dela.
Nós, Mães pela Diversidade, mães de muitos filhos que sofrem bullying simplesmente por sua orientação sexual e identidade de gênero, queremos dizer à mãe, aos familiares e amigos de Pedro que estamos com eles em sua dor.
A todos os outros pais, mães e familiares, educadores e movimentos em prol da paz e respeito à diversidade nas escolas, fazemos um apelo: vamos nos esforçar mais. Nossas filhas, filhos, filhes têm direito a viver o futuro.”
Maju Giorgi, presidente da ONG Mães pela Diversidade, representando mais de 2 mil famílias brasileiras.
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
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