Acidentes são a principal causa de morte de crianças no Brasil (e metade deles são domésticos)

Quedas, afogamento, intoxicação, queimaduras e sufocação estão entre os acidentes que mais ocorrem com crianças em casa

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A história de Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas 5 anos, que morreu na terça-feira (2), após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Centro do Recife, comoveu o país. Infelizmente, Miguel faz parte de uma estatística pavorosa: os acidentes já são a maior causa de morte de crianças no Brasil. Todos os anos, 3,6 mil crianças morrem e outras 111 mil são internadas por motivos acidentais no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Do total dessas mortes, quase 50% são por acidentes domésticos, os quais podem incluir situações como quedas, afogamento, intoxicação, queimaduras e sufocamento, segundo a ONG Criança Segura, que atua na prevenção de acidentes com crianças até 14 anos.

Em geral, é no período das férias que esses acidentes costumam aumentar, quando as crianças ficam mais tempo em casa. E a quarentena imposta devido à pandemia do novo coronavírus possui efeito semelhante: especialistas têm feito alertas para os perigos de as crianças estarem confinadas em casa 24 horas por dia. Dos bebês, que estão descobrindo o mundo e querem tocar e mexer em tudo, às crianças maiores, cuja curiosidade e criatividade não têm limites e podem pô-las em risco, todos estão expostos ao perigo. Basta um simples descuido para que algo grave aconteça. Queimaduras com água fervente, cortes com faca, choque em tomada elétrica, batidas na cabeça, situações de sufocamento, intoxicação com objetos pequenos e remédios, afogamento em piscina, quedas dentro de casa, de árvores e mesmo de edifícios. São muitos os riscos que a garotada corre dentro de casa e que exigem dos pais ou responsáveis cuidado e atenção permanentes. Segundo estudos, 90% dos acidentes domésticos poderiam ser evitados.

Leia também: Cartilha de primeiros socorros para acidentes domésticos com crianças

“Na infância e parte da adolescência, a maioria dos acidentes acontece no local de moradia da criança e no entorno, traumas esses que poderiam ser evitados na grande maioria das vezes com medidas simples de prevenção e proteção. No entanto, acontecem em números assustadores e podem deixar sequelas para toda a vida”, afirma a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em manual de orientação aos pais sobre acidentes com crianças que ocorrem no ambiente doméstico.

Cozinha é área mais perigosa da casa

Segundo a SBP, cada espaço da casa e cada equipamento pode ter um risco a ser reconhecido e eliminado, como as tomadas de luz, que devem ser protegidas para evitar os choques e queimaduras, as janelas, que precisam ter telas para evitar as quedas, e a lavanderia e os acúmulos de águas, mesmo em baldes ou bacias, que podem resultar em afogamento das crianças pequenas. É preciso ainda lembrar que a cozinha é onde ocorre a maioria das queimaduras de crianças. Os pais não devem subestimar nenhum dos ambientes domésticos. Do quarto à cozinha, cada espaço tem os seus riscos. De acordo com pediatras, os locais mais perigosos da residência, em ordem decrescente, são: 

  • cozinha
  • banheiro
  • corredor
  • escada
  • quarto
  • sala
  • quintal

Veja infográficos com os riscos que cada ambiente da casa podem trazer.

Em caso de acidente, o que fazer?

Em caso de acidente com a criança, a recomendação é para não sair de casa por causa da pandemia do novo coronavírus. Se possível, deve-se entrar em contato com o pediatra da criança para que observem por meio de foto ou videochamada, a gravidade do ocorrido. Assim, poderá orientar quanto ao que fazer e ,se preciso, recorrer a algum atendimento médico. Já casos mais graves devem ser levados imediatamente a um pronto-socorro infantil.

O manual de orientação sobre cuidados com acidentes domésticos na quarentena, elaborado pelo Departamento Científico de Segurança, da Sociedade Brasileira de Pediatria, em abril deste ano, detalha os principais acidentes por idade: do nascimento aos 4 meses de vida, dos 5 aos 12 meses de idade, de 1 aos 4 anos, dos 5 aos 11 anos e dos 12 aos 19 anos. Veja quais são e como atuar para preveni-los.

30 crianças morrem em quedas de edifício por ano no país

Dos 3,8 mil óbitos que acontecem por razões acidentais, 190 (5%) foram decorrentes de quedas – e dentre essas quedas, 30,4 (16%) foram em edifícios, segundo dados de 2015 da ONG Criança Segura, com base em informações do Ministério da Saúde. Veja abaixo os principais tipos de quedas que levam crianças à morte no país:

26% de “quedas sem especificação”
16% de “quedas para fora de edifício ou outras estruturas”
11% de “quedas de árvores”
10% de “outras quedas no mesmo nível”
8% de “outras quedas de um nível a outro”
8% “quedas de um leito”

Números de mortes de crianças com até 14 anos por acidente doméstico

954 por afogamento
777 por sufocação
181 por quedas
79 por intoxicação
217 por queimadura

Dados de 2017 da ONG Criança Segura

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