Maquiagem em crianças é permitida, desde que sem exageros

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"A maquiagem é uma expressão para a criança brincar e assumir algum papel." Fonte: bilahata/Freepik

Seu filho já calçou o seu sapato e saiu andando pela casa? Ou pôs os seus óculos no rosto e fingiu que estava lendo alguma coisa? Durante os primeiros anos da infância, é comum as crianças quererem experimentar os pertences dos pais e fazer as mesmas coisas que eles fazem.

Se a mãe costuma se maquiar, é bem provável que os pequenos tenham curiosidade em se pintar também. Mais que proibir, os adultos devem dar espaço para que eles provem as coisas, desde que sem extrapolar limites. No caso de produtos de beleza, o uso em crianças deve ser feito com moderação e bom senso – e sempre de maneira lúdica. Se a preocupação com a aparência supera a diversão, é preciso ficar atento, pois isso pode interferir na formação da identidade das meninas.

A maquiagem deve fazer parte do processo de brincar, para que a criança assuma algum papel ou personagem, por exemplo. “Se a menina usa um batom preocupada em seguir um padrão de beleza e mesmo deixa de entreter com outras coisas ou de comer para não estragar a pintura, é preciso ajudá-la a perceber que isso é apenas uma brincadeira e não justifica esse comportamento”, diz Maria de Fátima Pupo, diretora da Escola Girassol, de Jaú (SP). A especialista chama a atenção para o risco de uma ‘adultização’ precoce, que prejudique sua autoestima ou leve a uma preocupação excessiva em ter e usar produtos de beleza.

“A maquiagem pode ser um meio de autoconhecimento, mas tem de estar equilibrada com outras atividades. Essa é a fase em que a criança tem de ter a maior variedade possível de brincadeiras, para que ela possa formar vínculos sociais fortalecidos”, diz Elizabeth Sanada, coordenadora do curso de Psicopedagogia, do Instituto Singularidades.

O exemplo que as mães dão às filhas

As referências que a criança tem em casa, dos filmes que assiste às pessoas com quem interage, têm peso importante neste assunto. Se a mãe, tia, amiga ou a personagem do filme costumam usar cosméticos, a menina tende a querer fazer o mesmo.

Muitas vezes, são os próprios pais que reforçam um comportamento desequilibrado, ao se exceder nos presentes de beleza e no tempo dedicado a cuidar dos cabelos e da pele. Ou, ainda, ao impedir que a criança brinque ao ar livre para não estragar a roupa, penteado ou maquiagem. “Há mães que vão à manicure semanalmente e levam as filhas junto, mas não há necessidade de uma criança fazer a unha semanalmente”, reflete Maria de Fátima.

Para Elizabeth, é preciso fazer uma pergunta importante: o uso da maquiagem é uma demanda da criança ou do adulto? Ela reforça que os pais devem colocar limites: “Não há necessidade de uma garota passar maquiagem ao sair de casa. Uma coisa é o momento da brincadeira e, outra, é a diferença do comportamento entre adultos e crianças.” A especialista recorda que quando mais velha, ela será capaz de definir o próprio estilo e tipo de maquiagem que combina (ou não) com sua personalidade.

Há, ainda a questão de saúde: existem produtos no mercado que não são adequados à idade e podem provocar alergias e outras doenças de pele. O esmalte convencional, por exemplo, possui solventes que podem ser nocivos à pele sensível da criança. O mesmo vale para artigos de maquiagem de adultos, que em geral possuem alta concentração de pigmentos e outros elementos para maior fixação no rosto. 

Como escolher maquiagem para crianças

Para garantir uma brincadeira saudável e com os produtos adequados, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dá as seguintes dicas:

  1. Procure produtos dermatologicamente testados e hipoalergênicos. Isso significa que foram testados sob o controle de médicos dermatologistas, o que reduz o risco de surgimento de alergia.
  2. A maquiagem precisa ter baixo poder de fixação e ser facilmente removida da pele com água;
  3. A Anvisa permite que as maquiagens e esmaltes contenham substâncias com gosto ruim ou amargo para desestimular que as crianças as coloquem na boca;
  4. Maquiagens para bonecas não podem ser usadas pelas crianças, pois não são formuladas com ingredientes próprios para a pele infantil;
  5. Os esmaltes para crianças devem ser à base de água e saírem sem necessidade do uso de acetona ou removedor. 
  6. Os batons e brilhos labiais devem colorir os lábios temporariamente. O rótulo deve possuir indicações de segurança específicas incluindo a indicação da faixa etária de uso do produto. Além disso, a empresa precisa comprovar a segurança de cada tonalidade para a Anvisa. 
  7. Não utilize produtos na forma de aerossol, que podem ser prejudiciais para os olhos da criança. As embalagens de cosméticos infantis devem apresentar válvulas de dosagem que permitam a liberação de pequenas quantidades do produto e não devem ter pontas cortantes ou perigosas.
Luísa Laval
Apaixonada pela infância por parte de casa e por parte de trabalho: ajudou a cuidar (e fez bagunça junto) de quatro irmãos e coordena o Projeto Velejar, que promove atividades lúdicas e educativas para meninas da Vila Missionária, em São Paulo. Atua em iniciativas sociais desde 2014.

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